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Capa Radar da Indústria

Ferbasa melhora produção, mas vendas e câmbio derrubam lucro no semestre

Companhia baiana teve lucro de R$4,5 milhões entre abril e junho, mas fechou o primeiro semestre de 2026 com apenas R$2,1 milhões; queda nas vendas, dólar mais fraco e barreiras comerciais dos Estados Unidos pesaram sobre o resultado

GERALDO BASTOS por GERALDO BASTOS
11/08/2026
em Radar da Indústria
Tempo de Leitura: 5 minutos
A A
Unidade da Ferbasa

A Ferbasa é líder nacional na produção de ferroligas e única produtora de ferrocromo das Américas

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CONTEÚDO ORIGINAL

A  Ferbasa voltou ao lucro no segundo trimestre de 2026, mas a recuperação ainda foi insuficiente para reverter a perda acumulada no ano. A fabricante baiana de ferroligas encerrou o 1º trimestre do ano com prejuízo de R$2,4 milhões e registrou lucro de R$4,5 milhões entre abril e junho. No semestre, porém, o resultado ficou em apenas R$2,1 milhões, uma queda de 95,1% em relação aos R$42,9 milhões registrados no mesmo período de 2025.

O balanço revela uma companhia que conseguiu melhorar a operação no trimestre, mas continua enfrentando um ambiente comercial adverso. A produção avançou, as vendas internas reagiram e o Ebitda ajustado cresceu. O problema está principalmente na combinação entre menor volume vendido, dólar mais fraco e dificuldades nas exportações, fatores que reduziram a capacidade de transformar a operação em resultado.

A produção de ferroligas chegou a 80,4 mil toneladas no 2T26, alta de 10,8% sobre o trimestre anterior. A fabricação de ligas de cromo cresceu 10,1%, enquanto as ligas de silício avançaram 12,7%. Com isso, a utilização da capacidade instalada da planta metalúrgica, em Pojuca, subiu para 85,5%, 7,6 pontos percentuais acima do nível registrado no primeiro trimestre.

A melhora na produção, no entanto, não se converteu integralmente em vendas. A Ferbasa comercializou 66,6 mil toneladas no trimestre, alta de 4,1% sobre o 1T26. O avanço veio do mercado interno, onde as vendas cresceram 17%. No exterior, houve queda de 11,8%.

O contraste é importante porque a Ferbasa tem forte exposição ao mercado internacional. No acumulado do primeiro semestre, as vendas de ferroligas recuaram 12,1% em relação ao mesmo período de 2025.

ferbasa

Dólar virou um dos principais obstáculos

A receita líquida consolidada chegou a R$523,5 milhões no segundo trimestre, crescimento de 3,4% sobre o primeiro. O desempenho foi favorecido pelo aumento do volume vendido e pela estabilidade dos preços médios das ligas em dólar.

No semestre, porém, a fotografia muda. A receita líquida caiu 13,4%, para um nível pressionado principalmente pela redução de 12,1% no volume comercializado e pela queda de 10,7% no dólar médio. O preço das ferroligas em moeda americana subiu 9,7%, mas não foi suficiente para compensar os demais efeitos.

É um ponto relevante para uma empresa com forte presença exportadora. O aumento do preço internacional da liga não necessariamente se transforma em ganho equivalente em reais quando a cotação do dólar recua.

Essa combinação ajudou a comprimir o resultado. O Ebitda ajustado somou R$50,3 milhões no segundo trimestre, alta de 14,1% sobre o 1T26, com margem de 9,6%. No primeiro semestre, entretanto, o indicador caiu 26,7% na comparação anual.

Exportações enfrentam barreiras 

O mercado externo adicionou outra camada de dificuldade. As exportações de ligas de cromo foram prejudicadas por atrasos provocados por congestionamentos nos terminais portuários de destino. Já as ligas de silício continuam sob pressão das restrições comerciais impostas pela União Europeia e pela maior concorrência em outros mercados.

Nos Estados Unidos, o cenário ficou ainda mais duro para o ferrossilício. No primeiro semestre, o produto acumulou 29% de sobretaxação, considerando as medidas antidumping e a tarifa adicional da Section 122. A partir de agosto, com a entrada da Section 301, a sobretaxação informada pela companhia chega a 44% para as ligas de silício brasileiras.

As ligas de cromo estão em situação diferente. O produto ficou fora da lista de mercadorias sujeitas às novas tarifas americanas e mantém taxação zero desde fevereiro.

Na União Europeia, a empresa enfrenta outro tipo de restrição. O FeSi brasileiro está submetido a uma cota trimestral de aproximadamente 6 mil toneladas dentro do mecanismo de salvaguardas. Depois de atingido o limite, passa a vigorar um preço mínimo de 2.408 euros por tonelada.

O efeito dessas barreiras vai além da perda pontual de mercado. Para uma indústria eletrointensiva e integrada como a Ferbasa, menor acesso a mercados externos pode alterar o mix de produção, a utilização dos fornos e a rentabilidade de diferentes linhas de produtos.

Caixa continua forte 

Apesar da deterioração do lucro, a Ferbasa terminou o segundo trimestre com R$893,7 milhões em caixa, equivalentes de caixa e aplicações financeiras. O endividamento consolidado era de R$355,7 milhões, resultando em caixa líquido de R$ 538 milhões.

A posição, entretanto, diminuiu. No fim de 2025, o caixa líquido era R$180,4 milhões maior.

Um dos fatores foi o pagamento de R$131 milhões em juros sobre capital próprio, líquido de imposto de renda, referente à deliberação do quarto trimestre de 2025. Ao longo do primeiro semestre, o consumo consolidado de caixa chegou a R$191,6 milhões.

A companhia também acelerou os investimentos. O Capex alcançou R$64 milhões no segundo trimestre, alta de 57,6% sobre o primeiro. No semestre, os aportes somaram R$104,6 milhões, 8,7% abaixo do registrado um ano antes.

A maior parte dos recursos foi para recursos florestais e mineração. Cerca de 41% do Capex  do semestre foi destinado à manutenção do ativo biológico, enquanto 36% foi direcionado à mineração, principalmente ao desenvolvimento de minas.

Esse investimento ajuda a explicar uma característica importante da Ferbasa: a empresa não depende apenas da metalurgia. Seu modelo é verticalizado e combina mineração, produção de ferroligas, recursos florestais e energia, o que permite controlar parte relevante dos insumos utilizados na fabricação.

ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS

O balanço do segundo trimestre mostra uma Ferbasa em duas velocidades.

A operação melhorou. A produção cresceu, a utilização dos fornos avançou e as vendas domésticas deram uma resposta positiva. O Ebitda também reagiu. Mas o mercado ainda não permite que essa recuperação apareça com força no resultado final.

O problema está principalmente na exposição externa. A empresa vende produtos destinados à siderurgia e à fabricação de aços inoxidáveis e especiais, mercados diretamente afetados pelo ritmo da indústria global e pelas políticas comerciais adotadas por grandes economias.

A pressão cambial é outro fator que não pode ser desprezado. A Ferbasa conseguiu preços médios maiores em dólar, mas recebeu menos reais por essas vendas diante da desvalorização da moeda americana no período. Em uma companhia com forte participação de exportações, essa diferença tem impacto direto na receita e nas margens.

O segundo semestre começa, portanto, com um desafio adicional: a nova sobretaxa americana de 25% sobre as ligas de silício. Se o custo tarifário reduzir a competitividade do produto brasileiro nos Estados Unidos, a companhia poderá ter de redirecionar volumes para outros mercados, justamente quando a Europa também impõe restrições ao ferrossilício.

A capacidade financeira oferece uma proteção importante. Com R$538 milhões de caixa líquido, a Ferbasa não está diante de um problema imediato de liquidez. A questão é outra: quanto tempo a companhia conseguirá sustentar investimentos e remuneração aos acionistas em um cenário de margens comprimidas e mercado externo mais restritivo.


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Tags: BahiadestaquedólarFerbasaferroligassiderurgia
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