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Capa Turismo & Aviação

O que está por trás do novo recorde da Embraer no segundo trimestre

Fabricante brasileira de aviões amplia receita, reduz gargalos de produção e termina o mês de junho com carteira de encomendas de US$34,5 bilhões

INDÚSTRIA NEWS por INDÚSTRIA NEWS
10/08/2026
em Turismo & Aviação
Tempo de Leitura: 3 minutos
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Embraer

Entre as quatro principais áreas de negócios, Defesa e Segurança foi o segmento que apresentou maior crescimento de receita

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A  Embraer fechou o segundo trimestre de 2026 com recorde de receita e melhora nas principais métricas operacionais, levando a companhia a elevar as projeções para o ano. Entre abril e junho, a fabricante brasileira faturou US$2,2 bilhões, alta de 23% sobre o mesmo período de 2025, enquanto o fluxo de caixa livre ajustado, excluindo a Eve, chegou a US$401 milhões.

O desempenho levou a empresa a revisar para cima sua expectativa de rentabilidade. A projeção de margem Ebit ajustada para 2026 passou de uma faixa entre 8,7% e 9,3% para 10% a 10,6%. A estimativa de fluxo de caixa livre ajustado, também sem considerar a Eve, subiu de pelo menos US$200 milhões para US$400 milhões ou mais.

A revisão ocorre em um trimestre em que a Embraer conseguiu avançar simultaneamente em produção, entregas e geração de caixa. O Ebit ajustado atingiu US$296,9 milhões, com margem de 13,3%. Já o lucro líquido ajustado alcançou US$218,6 milhões, contra US$158 milhões um ano antes.

A operação também ganhou ritmo. A companhia entregou 65 aeronaves no segundo trimestre, o melhor resultado para um segundo trimestre em 16 anos e 7% acima do registrado no mesmo período de 2025. No primeiro semestre, foram 109 aeronaves, crescimento de aproximadamente 20% em relação às 91 entregas realizadas nos seis primeiros meses do ano passado.

O avanço das entregas é importante porque sinaliza a evolução das iniciativas adotadas pela empresa para nivelar a produção e reduzir os efeitos dos gargalos que vinham limitando o ritmo de fabricação. Ao mesmo tempo, a demanda continua sustentando a carteira de encomendas.

O backlog da Embraer chegou a US$34,5 bilhões no fim de junho, novo recorde histórico e o sétimo trimestre consecutivo de crescimento. O volume é 16% superior ao registrado um ano antes e dá maior visibilidade para a produção futura da companhia.

Defesa ganha espaço

Entre as quatro principais áreas de negócios, Defesa e Segurança foi o segmento que apresentou maior crescimento de receita no trimestre. O faturamento chegou a US$304 milhões, alta de 38% em relação ao segundo trimestre de 2025.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelo maior reconhecimento de receita associado ao KC-390 Millennium, de acordo com a companhia. A expansão dos volumes também contribuiu para elevar a margem EBIT ajustada do segmento, que passou de 9,2% para 11,9%.

O resultado reforça a importância do programa militar para a estratégia da Embraer. O comportamento da receita no trimestre esteve relacionado não apenas ao número de aeronaves, mas também à composição dos clientes e ao estágio de desenvolvimento dos contratos.

A Aviação Executiva também manteve trajetória de expansão, com receita de US$725 milhões, crescimento de 32% em um ano. A alta refletiu maiores volumes e a diversificação do portfólio.

Em Serviços e Suporte, a receita chegou a US$565 milhões, 24% acima do segundo trimestre de 2025, acompanhando o aumento dos volumes nos diferentes segmentos atendidos pela companhia.

Já a Aviação Comercial registrou receita de US$625 milhões, crescimento de 8% na comparação anual, também sustentado principalmente por maiores volumes.

Caixa e investimentos

A geração de caixa foi outro ponto central do balanço. O fluxo de caixa livre ajustado, excluindo a Eve, alcançou US$401 milhões no trimestre. Segundo a Embraer, o resultado foi beneficiado pelo desempenho operacional, por entradas de caixa relacionadas a vendas antes do pagamento inicial e por um crédito tributário extraordinário.

A companhia investiu US$120,8 milhões no segundo trimestre, acima dos US$97,5 milhões registrados um ano antes. Considerando também a Eve, os investimentos chegaram a US$151 milhões.

O resultado líquido atribuível aos acionistas foi de US$212,6 milhões, contra US$78,6 milhões no segundo trimestre de 2025. O lucro por American Depositary Share (ADS) passou de US$0,4283 para US$ 1,1880 no período.

O que fica desse balanço

O segundo trimestre mostra uma Embraer em uma posição diferente da observada nos períodos em que o principal desafio era recuperar o ritmo de produção. A empresa agora combina maior capacidade de entrega com uma carteira de pedidos recorde e melhora da geração de caixa.

A revisão das projeções para 2026 é, nesse sentido, mais relevante do que o crescimento isolado da receita. Ela indica que a companhia vê espaço para transformar a recuperação operacional em resultado ao longo dos próximos trimestres.

O principal teste será sustentar esse ritmo. Com US$ 34,5 bilhões em encomendas, o problema deixou de ser apenas conquistar pedidos. A capacidade de converter essa demanda em aeronaves entregues, receita e caixa será determinante para confirmar a melhora projetada para o restante do ano.


Leia também: A Bahia começa a transformar minério em estratégia industrial

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Tags: EmbraerKC-390
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