A M. Dias Branco decidiu dar um novo posicionamento a um produto que, até então, ocupava um papel secundário em seu portfólio. A companhia lançou a Gran Farelo, marca própria para sua linha de farelo de trigo destinado à alimentação animal, movimento que amplia sua presença no agronegócio e busca capturar mais valor em um mercado impulsionado pela expansão da cadeia brasileira de proteína animal.
Até agora, o farelo era comercializado a granel ou em sacas de 30 quilos, sem identidade de marca. A partir deste mês, o produto passa a integrar a linha M. Dias Branco Profissional, com distribuição em todo o país e uma estratégia voltada à diferenciação em um segmento tradicionalmente tratado como commodity.
O lançamento vai além de uma mudança de embalagem. A empresa pretende transformar o farelo de trigo em um produto de maior valor agregado, apoiando-se em atributos como rastreabilidade, padronização da matéria-prima e controle do processo produtivo.
Um dos diferenciais é a adoção de embalagens de 30 quilos com válvula a vácuo, tecnologia ainda pouco utilizada na categoria. Segundo a empresa, o sistema mantém o produto vedado, reduzindo a exposição à umidade, ao ar e a impurezas durante o armazenamento e o transporte, fatores que influenciam diretamente a qualidade da alimentação animal.
“O mercado demanda cada vez mais segurança e padronização, principalmente entre grandes pecuaristas, granjas e frigoríficos. A embalagem valvulada contribui para preservar essas características”, afirma Daniel Ponçano, diretor da M. Dias Branco Profissional.
Estratégia amplia valor de um subproduto
O farelo de trigo é obtido durante o processo de moagem do grão e é amplamente utilizado na formulação de rações para bovinos, aves, suínos e equinos por seu elevado teor de fibras, proteínas e minerais.
Ao lançar uma marca específica para esse segmento, a M. Dias Branco sinaliza uma mudança na forma de explorar esse mercado. Em vez de comercializar o farelo apenas como um subproduto da moagem, a empresa passa a tratá-lo como uma unidade de negócios com identidade própria.
A estratégia é sustentada pela estrutura industrial da companhia, que opera sete moinhos de trigo no Brasil e controla todas as etapas da cadeia produtiva, desde a seleção da matéria-prima até a moagem.
Segundo a empresa, esse modelo permite ampliar o controle sobre a qualidade, garantir rastreabilidade e oferecer maior uniformidade ao produto, atributos valorizados por produtores rurais e pela indústria de proteína animal.
A expectativa é ampliar a presença tanto em pequenos estabelecimentos voltados ao produtor rural quanto em grandes frigoríficos, granjas e fabricantes de ração.
Economia circular ganha espaço
Além do posicionamento comercial, a empresa destaca o componente ambiental da iniciativa.
O farelo é resultado do aproveitamento integral do trigo utilizado na produção de farinhas, massas, biscoitos e outros alimentos fabricados pela companhia. Ao direcionar esse material para a alimentação animal, a empresa reforça práticas de economia circular ao reduzir desperdícios e ampliar o aproveitamento da matéria-prima.
Na avaliação da companhia, o modelo também contribui para diminuir a demanda por novos insumos agrícolas destinados exclusivamente à produção de ração, reduzindo o consumo de recursos como solo, água e energia ao longo da cadeia produtiva.
Mais do que uma nova marca, o lançamento da Gran Farelo representa uma estratégia para capturar valor em um segmento diretamente conectado ao crescimento do agronegócio brasileiro e da produção de proteínas animais.
Tendência
O movimento da M. Dias Branco revela uma tendência cada vez mais presente na indústria de alimentos: transformar subprodutos em negócios de maior rentabilidade. Em vez de vender apenas volume, as empresas buscam diferenciação por meio de marca, rastreabilidade, tecnologia de embalagem e garantia de qualidade.
No caso da companhia, a iniciativa também reduz a dependência exclusiva dos mercados tradicionais de massas, biscoitos e farinhas, ampliando a atuação em uma cadeia que mantém perspectivas positivas de crescimento, impulsionada pelo avanço da pecuária e das exportações brasileiras de proteína animal.
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