A Companhia de Ferro Ligas da Bahia (Ferbasa) vai ampliar sua estratégia de produção sustentável com a implantação de uma nova unidade de carvão vegetal em Maracás, no sudoeste baiano. O projeto contará com financiamento de R$43,8 milhões aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), valor que corresponde a cerca de 98% do investimento total, estimado em R$44,4 milhões.
A nova planta terá capacidade para produzir 20 mil toneladas de carvão vegetal por ano. O material será utilizado como biorredutor na unidade metalúrgica da empresa, localizada em Pojuca, reforçando o abastecimento da própria cadeia produtiva da companhia.
Do total financiado, aproximadamente R$35 milhões serão provenientes do Fundo Clima. O apoio ocorre porque o projeto incorpora uma tecnologia capaz de reduzir significativamente as emissões de metano durante o processo produtivo, diminuindo a pegada de carbono em comparação aos sistemas convencionais de produção de carvão vegetal.
Além dos ganhos ambientais, o investimento também deve gerar impacto econômico na região. Durante a fase de implantação da unidade, a expectativa é de criação de 92 postos de trabalho, entre empregos diretos e indiretos. Após o início das operações, previsto para ocorrer após a conclusão das obras, estimada para dezembro deste ano, outros 97 empregos diretos e indiretos deverão ser mantidos pela operação.
A escolha de Maracás foi estratégica. A Ferbasa possui na região cerca de 5,4 mil hectares de florestas plantadas, garantindo o fornecimento contínuo da madeira utilizada como matéria-prima para a produção do carvão vegetal. A proximidade entre a base florestal e a nova unidade reduz custos logísticos, aumenta a eficiência operacional e permite o início imediato da produção após a conclusão da obra.
“O investimento do BNDES fortalece a competitividade da indústria brasileira ao mesmo tempo em que acelera a transição para uma economia de baixo carbono. Ao apoiar a produção de carvão vegetal com menor emissão de metano, o Banco contribui para a descarbonização de uma cadeia estratégica para a siderurgia nacional, incentivando inovação, sustentabilidade e geração de emprego e renda na Bahia”, explica o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
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Mais do que um financiamento para expansão industrial, o projeto sinaliza uma tendência que ganha força na indústria brasileira: a descarbonização dos processos produtivos passa a ser também um fator de competitividade.
Para a Ferbasa, a nova unidade fortalece a integração entre a base florestal e a produção metalúrgica, reduzindo riscos de abastecimento e aumentando a eficiência de uma cadeia que depende de insumos renováveis. Para a Bahia, o investimento reforça a posição do estado como referência nacional em mineração, metalurgia e produção florestal sustentável.
O apoio do Fundo Clima evidencia outro movimento relevante: empreendimentos capazes de reduzir emissões tendem a encontrar maior acesso a linhas de crédito diferenciadas, acelerando a modernização industrial. Nos próximos anos, esse tipo de investimento deve ganhar espaço, impulsionado tanto pelas exigências ambientais dos mercados quanto pela busca das empresas por maior eficiência operacional e competitividade. Nesse cenário, projetos que conciliem inovação, sustentabilidade e integração produtiva deverão ocupar posição cada vez mais estratégica na indústria brasileira.
Sobre a empresa
Fundada em 1961, a Ferbasa iniciou suas atividades no município de Campo Formoso (BA), no ramo de mineração, com o objetivo de produzir minério de cromo para o abastecimento da indústria nacional. Dois anos depois, seu parque industrial metalúrgico entrou em operação, na cidade de Pojuca (BA), para produzir ferrocromo, destinado ao abastecimento da indústria siderúrgica, como matéria-prima indispensável na fabricação de aços especiais e inoxidáveis.
Atualmente, a empresa exerce atividades nas áreas de mineração, metalurgia, recursos florestais e energia renovável. Líder nacional na produção de ferroligas e única produtora de ferrocromo das Américas, é uma das 500 maiores empresas do Brasil e está entre as dez maiores indústrias em operação na Bahia (ranking Valor 1.000 de 2025).
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