
A Gerdau deu mais um passo em sua estratégia de competitividade e descarbonização ao avançar para o controle total da Dona Francisca Energética S.A. (DFESA), empresa responsável pela operação da Usina Hidrelétrica Dona Francisca, localizada no Rio Jacuí, no Rio Grande do Sul. A companhia anunciou a aquisição da participação de 23,03% detida pela Companhia Paranaense de Energia (Copel), em uma operação avaliada em R$150 milhões em enterprise value. O pagamento será realizado à vista com recursos próprios e ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores e do cumprimento das condições usuais para esse tipo de transação.
O movimento complementa a estratégia iniciada em abril deste ano, quando a siderúrgica anunciou a compra da participação da Celesc na mesma empresa. Com a conclusão das duas operações, a Gerdau passará a deter 100% do capital da DFESA, consolidando o controle integral do ativo de geração de energia renovável.
A Usina Hidrelétrica Dona Francisca possui capacidade instalada de 125 MW e garantia física de 72,5 MW médios. Com a aquisição total da empresa, a Gerdau ampliará sua capacidade de autoprodução em 30,4 MW médios, passando a utilizar integralmente os cerca de 66 MW médios de energia assegurada disponíveis no empreendimento.
Segundo o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, a operação está alinhada ao objetivo da companhia de ampliar a participação da energia renovável própria em suas operações, elevando a autoprodução para mais de 50% do consumo energético total da empresa.
A aquisição se soma a uma série de investimentos recentes da companhia em geração própria de energia. Em março, a Gerdau inaugurou seu segundo parque solar em Barro Alto (GO). O primeiro entrou em operação em 2025, em Arinos (MG). No início do ano passado, a empresa também anunciou a compra de duas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) no Mato Grosso.
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Uma estratégia para proteger margens
A aquisição da totalidade da DFESA vai muito além de um simples investimento em geração elétrica. O movimento reforça uma tendência cada vez mais forte entre grandes grupos industriais brasileiros: reduzir a dependência do mercado de energia e aumentar o controle sobre um dos principais componentes do custo de produção.
No caso da siderurgia, a energia representa um insumo estratégico. Em um cenário marcado por volatilidade tarifária, crescimento da demanda elétrica e necessidade de maior competitividade global, ampliar a autoprodução significa reduzir riscos operacionais e proteger margens de rentabilidade.
Descarbonização com impacto financeiro
Outro aspecto relevante é que a transição energética deixou de ser apenas uma agenda ambiental para se tornar uma questão econômica.
Ao aumentar sua participação em ativos de geração renovável, a Gerdau fortalece suas metas de descarbonização sem abrir mão da eficiência financeira. A estratégia permite reduzir emissões, atender exigências crescentes de investidores e clientes e, ao mesmo tempo, garantir previsibilidade de custos em um setor altamente competitivo.
Tendência que deve ganhar força na indústria
O movimento da Gerdau também sinaliza um fenômeno que deve se intensificar nos próximos anos: a transformação de grandes consumidores industriais em produtores de energia.
Empresas dos setores de siderurgia, mineração, papel e celulose, petroquímica e agronegócio vêm acelerando investimentos em usinas solares, eólicas e hidrelétricas próprias para aumentar a segurança energética e reduzir exposição ao mercado.
Na prática, a energia passa a ser vista não apenas como custo operacional, mas como um ativo estratégico capaz de gerar vantagem competitiva de longo prazo.
O que observar daqui para frente
A consolidação do controle da hidrelétrica Dona Francisca reforça a percepção de que a Gerdau continuará expandindo seu portfólio de ativos energéticos. A tendência é que a companhia busque elevar ainda mais sua autossuficiência energética, fortalecendo sua posição em um mercado que exige, simultaneamente, redução de custos, segurança operacional e menor intensidade de carbono.
Para a indústria brasileira, o recado é claro: competitividade e transição energética estão cada vez mais caminhando juntas.
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