A PetroReconcavo iniciou 2026 em um ambiente de forte turbulência no mercado internacional de petróleo, mas conseguiu atravessar o primeiro trimestre preservando geração de caixa, reduzindo endividamento e mantendo uma estratégia focada em eficiência operacional e disciplina financeira. A companhia registrou receita líquida de R$684 milhões no primeiro trimestre, resultado 3% inferior ao observado no quarto trimestre de 2025, refletindo principalmente a redução nos volumes produzidos, a desvalorização do dólar frente ao real e a menor comercialização de gás adquirido de terceiros.
Mesmo diante desse cenário, a empresa encerrou o período com Ebitda de R$ 310 milhões, alta de 5% em relação ao trimestre anterior, enquanto o lucro líquido contábil alcançou R$124 milhões, 144% a mais em relação ao trimestre anterior. Na comparação com igual período do ano passado, porém, houve queda de 46%.
O presidente da PetroReconcavo, José Firmo, destacou que a companhia conseguiu combinar redução de custos, menor Capex e preservação de liquidez em meio à volatilidade do mercado internacional. “O cenário atual requer disciplina, agilidade e rigor técnico no processo decisório, reforçando a convicção de que a PetroReconcavo está estrategicamente posicionada para se adaptar às transformações do mercado e converter desafios em oportunidades”, afirmou o executivo.
O trimestre foi marcado pela escalada das tensões geopolíticas internacionais, que elevaram a volatilidade do petróleo e impulsionaram o Brent para patamares próximos de US$127 por barril ao final do período. Ainda assim, parte desse movimento acabou neutralizada pela valorização do real frente ao dólar e pelos contratos de hedge da companhia.
A PetroReconcavo liquidou 478 mil barris em contratos de proteção financeira (NDF) a um preço médio de US$64,99 por barril, operação que gerou impacto negativo de R$35,2 milhões diante da forte alta do Brent no trimestre.
Produção sofre impacto operacional na Bahia
A produção média consolidada da companhia foi de 24,4 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/dia), queda de 3% frente ao quarto trimestre de 2025.
O principal impacto veio do Ativo Bahia, que registrou produção média de 12 mil boe/dia, redução de 5% na comparação trimestral. Segundo a companhia, o desempenho foi afetado por paradas operacionais programadas e não programadas, incluindo manutenções em unidades de processamento, sistemas de compressão e eventos elétricos. Os campos de Miranga e Tiê estiveram entre os mais impactados no período.
Já o Ativo Potiguar apresentou produção estável em 12,4 mil boe/dia, sustentada pela entrada de novos poços produtores, intervenções corretivas e avanço dos workovers realizados no trimestre.
A companhia também acelerou iniciativas voltadas à repressurização dos reservatórios através da intensificação da injeção de água, considerada estratégica para manutenção e recuperação da produção futura.
Gás natural ganha protagonismo estratégico
O segmento de gás natural segue ganhando relevância dentro da estratégia da PetroReconcavo, especialmente com o avanço das operações logísticas e da diversificação comercial.
No trimestre, a empresa realizou sua primeira importação de gás natural da Bolívia, fornecendo 100 mil metros cúbicos para a Copergás. Em abril, uma nova operação somou outros 400 mil metros cúbicos, desta vez destinados à Bahiagás.
O movimento marca a entrada definitiva da companhia no mercado de importação de gás natural.
Além disso, a PetroReconcavo vem ampliando sua atuação em soluções logísticas integradas. Em abril, a empresa iniciou um projeto-piloto de transporte de petróleo utilizando carretas movidas a GNL (Gás Natural Liquefeito), substituindo gradualmente o diesel utilizado nas operações do Ativo Potiguar.
A expectativa da companhia é reduzir custos logísticos e ampliar a eficiência operacional utilizando gás natural produzido internamente.
Outro avanço estratégico foi a inauguração, em parceria com a GNLink, da primeira unidade de liquefação e compressão de gás natural do Rio Grande do Norte, com capacidade de até 100 mil metros cúbicos por dia.
Investimentos menores e redução da dívida
Os investimentos da companhia totalizaram R$197 milhões no trimestre, queda de 26% em relação ao período anterior, refletindo menor intensidade em perfuração e facilidades operacionais.
Mesmo assim, a PetroReconcavo manteve a execução do plano de investimentos em workovers, poços produtores e projetos de injeção de água.
A geração de caixa também contribuiu para redução do endividamento. A dívida líquida encerrou março em R$1,4 bilhão, recuo de 13% frente ao fim de 2025.
A alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda ficou em 1,04 vez, enquanto o prazo médio da dívida permaneceu em 3,9 anos.
Segundo a companhia, a apreciação do real frente ao dólar também ajudou a reduzir o saldo da dívida bruta em aproximadamente R$ 152 milhões.
Mercado reage e ações sobem 24%
As ações da PetroReconcavo tiveram forte valorização no trimestre. Os papéis encerraram março cotados a R$14,03, avanço de 24% no período, desempenho superior ao Ibovespa, que subiu 16,3%.
O valor de mercado da companhia atingiu R$4,1 bilhões, enquanto o volume financeiro negociado somou R$3,4 bilhões no trimestre.
A companhia também anunciou distribuição de proventos de R$ 100 milhões, equivalentes a R$ 0,34 por ação.
PRINCIPAIS NÚMEROS DO 1T26
- Receita Líquida: R$ 684 milhões
- Ebitda: R$ 310 milhões
- Lucro Líquido: R$ 124 milhões
- Capex: R$ 197 milhões
- Produção Média: 24,4 mil boe/dia
- Dívida Líquida: R$ 1,4 bilhão
- Caixa Livre Gerado: R$ 80 milhões
- Dividendos anunciados: R$ 100 milhões
Ativo Bahia
O Ativo Bahia respondeu por cerca de metade da produção total da PetroReconcavo no trimestre, com média de 12 mil boe/dia. A companhia mantém operações relevantes em campos maduros e segue apostando em eficiência operacional, intervenções técnicas e projetos de recuperação de reservatórios para sustentar a produção no estado.
Além da produção de petróleo e gás, a Bahia também ganhou protagonismo nas novas operações de comercialização de gás natural da companhia, com fornecimento recente destinado à Bahiagás.
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