A e-Drive Energy escolheu a Bahia para dar um passo estratégico – e simbólico – na corrida pela mobilidade elétrica no Brasil. Nesta quinta-feira, dia dia 16 de abril, a empresa inaugura, no Outlet Premium Salvador, o primeiro eletroposto do estado, em um projeto que já nasce com escala, tecnologia e ambição de expansão.
Mais do que um ponto de recarga, o empreendimento foi desenhado como um hub energético. A estrutura contará inicialmente com 80 carregadores rápidos e ultrarrápidos, com potencial de expansão para até 100 pontos, permitindo a recarga simultânea de dezenas de veículos. Na prática, o sistema consegue levar a bateria de um carro de 20% a 80% em cerca de 20 a 40 minutos, a depender do modelo, um salto relevante frente à média atual do mercado.
“Isso não é apenas um eletroposto. É um hub de mobilidade completa”, disse Tarcísio Oliveira, diretor geral da e-Drive Energy, durante entrevista exclsuiva ao Webinar da Indústria. O projeto incorpora ainda uma usina solar com cerca de 6 mil metros quadrados de placas, criando um ciclo de energia limpa no próprio local. A proposta é clara: não apenas abastecer veículos, mas estruturar uma base energética alinhada à transição para fontes renováveis.
Nos bastidores, o diferencial está na tecnologia. A empresa aposta em sistemas de armazenamento de energia (BESS) e em uma arquitetura operacional que permite maior autonomia e estabilidade, reduzindo a dependência direta da rede elétrica tradicional. Parte dessa solução foi desenvolvida em parceria com fornecedores chineses, referência global no setor.
“A China está décadas à frente em mobilidade elétrica. Eles não discutem o futuro, eles executam. Trouxemos esse conceito para a Bahia”, destaca Tarcísio.

Experiência, escala e fim das filas
A operação já nasce robusta. Em testes recentes, o eletroposto foi capaz de carregar simultaneamente até 60 veículos, com desempenho acima da média do mercado. A proposta vai além da infraestrutura: foca na experiência do usuário.
“O cliente chega com a certeza de que vai carregar, sem fila e com velocidade. Esse é o principal diferencial”, explica Lucas Monteiro, gerente Comercial e de Marketing da empresa.
Segundo ele, um dos problemas mais recorrentes hoje é a baixa disponibilidade e a divisão de potência entre carregadores, o que aumenta o tempo de espera, gargalo que o projeto busca eliminar.
Parceria com a BYD
A escolha da localização não foi por acaso. O Outlet Premium Salvador está em um dos principais corredores de circulação da Região Metropolitana, conectando Salvador, Camaçari e o Litoral Norte – região que já registra aumento significativo na presença de veículos elétricos.
Além disso, o projeto nasce próximo ao Polo Industrial de Camaçari que abriga a operação da BYD na Bahia, com quem a empresa já mantém diálogo. “Já estamos em negociação com a BYD e outras montadoras. Esse movimento é natural, porque infraestrutura e indústria precisam caminhar juntas”, afirma Lucas Monteiro.
A leitura é clara: sem rede de recarga, não há escala de mercado. E sem escala, a indústria não avança.

Expansão acelerada já em curso
O eletroposto do Outlet é apenas o ponto de partida. A e-Drive já tem um segundo projeto confirmado em Salvador: a Avenida 29 de Março, um dos principais vetores de crescimento urbano da capital. “O próximo eletroposto já está em andamento, com equipamentos em fabricação. A 29 de Março será o próximo passo dessa expansão”, revela Tarcísio.
O plano é ambicioso. A empresa mapeou cerca de 20 a 25 cidades estratégicas na Bahia para implantação de novas unidades, incluindo destinos turísticos e corredores logísticos. A estratégia inclui ainda unidades móveis de recarga, capazes de atender usuários em estradas, eventos e até residências.
O que está em jogo
A inauguração do primeiro eletroposto da Bahia revela mais do que um investimento pontual. Trata-se de um reposicionamento do estado dentro da agenda da transição energética. Hoje, o principal entrave da mobilidade elétrica no Brasil não é mais o veículo – é a infraestrutura. E isso exige capital intensivo, engenharia e escala.
“O maior gargalo ainda é a infraestrutura. É um investimento alto e exige soluções como armazenamento de energia. É isso que estamos trazendo para destravar o mercado”, afirma Tarcísio.
Na outra ponta, a demanda existe, mas ainda travada por insegurança e falta de informação. “Quando o consumidor entende o carro elétrico, ele quebra o preconceito. O problema não é o produto, é a falta de estrutura para suportar o crescimento”, completa Lucas.
No fim, a lógica é direta: quem construir a rede primeiro, captura o mercado. E a Bahia, ao que tudo indica, decidiu não ficar para trás.

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