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Capa Química & Petroquímica

Unipar acelera em um mercado ainda pressionado

Resultado do segundo trimestre mostra recuperação operacional

GERALDO BASTOS por GERALDO BASTOS
09/08/2026
em Química & Petroquímica
Tempo de Leitura: 5 minutos
A A
Unipar Cubatão

A Unipar é líder na produção de cloro e soda e a segunda maior produtora de PVC da América do Sul

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CONTEÚDO ORIGINAL

A  Unipar encerrou o segundo trimestre de 2026 com uma recuperação expressiva de seus principais indicadores, em um momento em que a indústria química e petroquímica ainda enfrenta um ciclo de baixa provocado pelo excesso de oferta global. O lucro líquido chegou a R$123 milhões, alta de 232% sobre os R$37 milhões registrados no primeiro trimestre.

O avanço foi acompanhado por uma melhora significativa da operação. O Ebitda ajustado recorrente alcançou R$402 milhões, contra R$145 milhões no trimestre anterior, enquanto a receita operacional líquida ajustada avançou 22%, para R$1,494 bilhão.

A geração operacional de caixa também permaneceu forte, em R$347 milhões. A combinação de maior volume vendido de clorados e soda cáustica com a recuperação das referências internacionais de preços desses produtos foi determinante para o desempenho.

A melhora, porém, precisa ser observada dentro de um cenário ainda adverso para a petroquímica. O excesso de capacidade produtiva no mercado mundial continua pressionando as margens do setor. No segundo trimestre, a Unipar também enfrentou aumento expressivo dos custos de etileno e gás natural, além da valorização de 4% do real frente ao dólar, que reduziu parte do efeito positivo dos preços internacionais.

Soda e clorados puxam recuperação

A reação da companhia foi mais evidente justamente nos produtos que apresentaram maior avanço comercial.

Os volumes vendidos de clorados cresceram 19% e os de soda cáustica, 7%, na comparação com o primeiro trimestre. A empresa também registrou recordes mensais de vendas nesses mercados, aproveitando oportunidades comerciais surgidas ao longo do trimestre.

No caso do PVC, o movimento foi diferente. As vendas recuaram 11% em relação ao primeiro trimestre, em uma decisão comercial que a companhia associa à pressão das importações e à adoção de uma estratégia mais seletiva.

A diferença de comportamento entre os produtos ajuda a explicar a fotografia atual da Unipar: há recuperação em segmentos específicos, mas o mercado ainda não oferece condições homogêneas para toda a cadeia.

As referências internacionais de preços subiram 26% para a soda cáustica e 53% para o PVC no segundo trimestre. Segundo a companhia, o movimento esteve relacionado, entre outros fatores, às tensões geopolíticas registradas no período.

Camaçari entra na estratégia de competitividade

Na Bahia, a principal novidade operacional está no Polo de Camaçari. A Unipar concluiu em julho a segunda fase de um projeto voltado à liquefação e purificação de cloro, permitindo ampliar a flexibilidade de utilização desse insumo e direcioná-lo para aplicações de maior valor agregado.

O projeto faz parte de uma agenda mais ampla de investimentos da companhia para aumentar a eficiência das plantas e melhorar a alocação do cloro entre diferentes produtos.

A iniciativa ganha relevância em um setor no qual competitividade depende cada vez mais da capacidade de controlar custos, otimizar matérias-primas e extrair maior valor dos mesmos ativos industriais.

Em Cubatão (SP), outro projeto estratégico da Unipar já atingiu plena capacidade em abril, após a conclusão da modernização tecnológica da planta. Em Santo André, também em São Paulo, a empresa prevê para o segundo semestre a entrada em operação de um novo eletrolisador, que acrescentará 28 mil toneladas anuais de capacidade de cloro.

Energia renovável ganha espaço

A estratégia de redução de custos também passa pela energia.

No segundo trimestre, 56% da eletricidade consumida pelas fábricas brasileiras da Unipar veio de autoprodução de fontes eólica e solar. A companhia possui participação em ativos de geração renovável no Nordeste e em Minas Gerais e avançou em uma nova parceria para um projeto solar no Mato Grosso do Sul.

Para uma indústria eletrointensiva, a questão energética tem impacto direto sobre a competitividade. A busca por fontes renováveis, portanto, não está dissociada da estratégia industrial: reduz a exposição a determinados custos e contribui para diminuir a pegada de carbono da produção.

Caixa permite atravessar o ciclo

A melhora dos resultados veio acompanhada de uma estrutura financeira que a Unipar considera suficiente para atravessar o atual ciclo petroquímico sem interromper os investimentos estratégicos.

A companhia encerrou junho com R$1,4 bilhão em caixa, com cobertura equivalente a 34 meses, enquanto a alavancagem caiu para 2,50 vezes, ante 2,58 vezes em março.

A dívida tem prazo médio de 67 meses e, segundo a empresa, 90% dos vencimentos estão concentrados a partir de 2029. Cerca de 21% da dívida é contratada com bancos de desenvolvimento.

“Temos mantido a disciplina de preservar nossa higidez financeira, sustentada por uma geração resiliente de caixa operacional e por uma gestão ativa da liquidez e do perfil da dívida”, afirma Rodrigo Cannaval, CEO da Unipar.

A estratégia, segundo o executivo, é manter os investimentos considerados estruturantes mesmo durante os períodos de baixa do mercado.

ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS

O balanço da Unipar mostra uma empresa que começa a capturar os efeitos de uma agenda de eficiência justamente quando a indústria petroquímica ainda não saiu do ciclo de excesso de oferta.

A alta do lucro, portanto, não deve ser interpretada como uma retomada completa do setor. O que os números mostram é uma melhora da capacidade da companhia de navegar em um ambiente adverso.

O avanço das vendas de soda e clorados, a recuperação das referências internacionais de preços e a disciplina financeira ajudaram a ampliar as margens. Ao mesmo tempo, a queda das vendas de PVC evidencia que a concorrência das importações continua sendo um problema para a indústria brasileira.

Nesse cenário, Camaçari ganha importância. O projeto de liquefação e purificação do cloro amplia a possibilidade de a Unipar direcionar sua produção para produtos de maior valor agregado. Não é apenas uma expansão física: é uma tentativa de extrair mais valor da estrutura industrial existente.

A estratégia também conversa com um dos principais desafios da indústria química baiana. A competitividade do Polo de Camaçari depende de matéria-prima, energia, logística e escala. Melhorar a eficiência de cada uma dessas variáveis se torna ainda mais importante quando os preços internacionais estão pressionados.


  • Leia também: Consórcio para máquinas agrícolas dispara 462% na Bahia no 1º trimestre

 

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Tags: BahiaCamaçariclorogás naturalindústria químicapetroquímicaPVCUnipar
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