A Ferbasa encerrou 2025 com crescimento moderado de receita e aumento nas vendas de ferroligas, mas registrou queda expressiva no lucro. O resultado reflete um cenário desafiador para a indústria metalúrgica global, marcado pela redução de preços internacionais, aumento de custos e pelo avanço de medidas protecionistas em importantes mercados.
A companhia reportou lucro líquido consolidado de R$188,7 milhões, recuo de 42,4% em relação aos R$327,8 milhões registrados em 2024. A margem líquida também encolheu, passando de 14,7% para 8,1%.
Mesmo com a retração no resultado final, a empresa ampliou sua atuação comercial. O volume total de ferroligas vendido cresceu 6,8%, impulsionado principalmente pelo mercado interno, onde as vendas avançaram 17,3%. No exterior, porém, as exportações recuaram 3,4%, afetadas pelo ambiente de comércio internacional mais restritivo.
A produção anual da companhia manteve-se praticamente estável, com 301,7 mil toneladas, ligeiramente acima das 301,2 mil toneladas registradas no ano anterior.
Mercado interno sustenta demanda
O desempenho positivo no Brasil foi puxado pela atividade da indústria siderúrgica. Em 2025, as usinas ampliaram a produção de aço e promoveram recomposição de estoques, movimento que favoreceu a demanda por ferroligas, insumos essenciais para a fabricação de aços inoxidáveis e especiais.
Esse cenário beneficiou especialmente o ferrocromo, um dos principais produtos do portfólio da companhia.
Já no mercado externo, o ambiente foi mais desafiador. As vendas foram impactadas por medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos e pela cautela de compradores na Europa diante de novas regras comerciais e ambientais.
Preços menores e custos maiores
Apesar da alta nas vendas e da valorização do dólar médio em cerca de 5%, a companhia enfrentou queda nos preços internacionais das ferroligas. O preço médio em dólar recuou 7,4%, pressionando as margens. Ao mesmo tempo, o custo dos produtos vendidos (CPV) avançou 13,1%, agravando a pressão sobre o resultado operacional.
Outro fator negativo foi a redução de 15% no resultado financeiro, que também contribuiu para a queda do lucro.
Protecionismo redesenha o comércio de ferroligas
Um dos principais desafios enfrentados pela companhia em 2025 foi a intensificação de barreiras comerciais. Nos Estados Unidos, as ligas de ferrossilício passaram a enfrentar um conjunto de tarifas que, somadas, chegaram a 69% até o fim do ano, incluindo medidas antidumping e sobretaxas adicionais aplicadas ao Brasil. Já as ligas de ferrocromo passaram a ser taxadas em 40% a partir de agosto.
Na Europa, o ambiente também se tornou mais incerto. O bloco aprovou salvaguardas que limitam volumes de importação e estabelecem preços mínimos após o esgotamento das cotas trimestrais.
Além disso, o continente se prepara para a implementação do Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), mecanismo que pretende ajustar a tributação de produtos importados de acordo com suas emissões de carbono.
Para a Ferbasa, porém, há também uma possível vantagem competitiva: a forte participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira pode reduzir o impacto dessas regras em comparação com produtores de regiões com maior intensidade de carbono.
Investimentos mantêm foco em eficiência
Em paralelo aos desafios de mercado, a companhia manteve seu programa de investimentos. O Capex totalizou R$300,1 milhões, alta de 3,9% sobre 2024.
Quase metade dos recursos foi destinada à aquisição de máquinas e equipamentos, principalmente para as operações de metalurgia e mineração. Também houve investimentos relevantes na manutenção do ativo florestal e em infraestrutura.
A estratégia reforça o modelo integrado da empresa, que combina mineração, metalurgia, recursos florestais e geração de energia.
Por que isso importa
O desempenho da Ferbasa em 2025 reflete uma transformação mais ampla no setor global de insumos siderúrgicos.
De um lado, o crescimento da demanda interna mostra a importância da indústria brasileira de aço como mercado para produtores de ligas metálicas. De outro, a intensificação do protecionismo e das exigências ambientais tende a redefinir os fluxos internacionais de comércio.
Nesse contexto, empresas com cadeia produtiva integrada e matriz energética mais limpa podem ganhar vantagem competitiva, especialmente diante de mecanismos como o CBAM europeu.
Para a Ferbasa, o desafio agora é equilibrar custos e competitividade em um cenário global cada vez mais regulado e disputado.
Ferbasa em 2025

Perfil da empresa
A Ferbasa é líder nacional na produção de ferroligas e a única produtora de ferrocromo das Américas. Com mais de seis décadas de atuação, a companhia figura regularmente entre as maiores indústrias do estado da Bahia e manteve-se, em 2025, entre as dez maiores empresas industriais do estado no ranking Valor 1000. Seu portfólio inclui ligas como ferrocromo alto e baixo carbono e ferrossilício, insumos essenciais para a indústria siderúrgica, especialmente na produção de aços inoxidáveis e especiais destinados ao mercado nacional e a países como Japão, China, Estados Unidos e membros da União Europeia.
A empresa opera com um modelo produtivo verticalizado que integra mineração, metalurgia, recursos florestais e geração de energia. A extração de minério de cromo e quartzo abastece a unidade metalúrgica em Pojuca (BA), onde as ferroligas são produzidas em fornos elétricos. A companhia também mantém cerca de 64 mil hectares de áreas florestais, parte delas destinadas ao cultivo de eucalipto para produção de biorredutor usado na fabricação de ligas. Como parte da estratégia de sustentabilidade e diversificação energética, a Ferbasa também participa do complexo eólico Complexo Eólico BW Guirapá, na Bahia.
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