A escalada das tensões no Oriente Médio reacendeu preocupações globais sobre energia, logística e cadeias de suprimentos. No Brasil, no entanto, a indústria química afirma que não há risco de desabastecimento de produtos essenciais para a economia. Em manifesto divulgado na última sexta-feira, a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) destacou que o setor opera atualmente com cerca de 40% de capacidade ociosa, o que funciona como uma espécie de reserva estratégica de produção. Na prática, essa folga industrial permitiria ampliar rapidamente a oferta para atender cadeias produtivas nacionais, caso haja instabilidade no comércio internacional.
A indústria química é responsável por fornecer insumos fundamentais para diversos setores, como alimentos, embalagens, cosméticos, eletrodomésticos e construção civil. Segundo a entidade, a estrutura global de oferta também permanece relativamente diversificada, com fornecedores relevantes localizados em países fora da zona de conflito, como Estados Unidos, China e na própria América Latina.
Apesar da tranquilidade quanto ao abastecimento, o setor alerta para pressões de custos decorrentes da instabilidade geopolítica, especialmente em um cenário de volatilidade nos mercados de petróleo e gás. Para a Abiquim, esse ambiente aumenta a necessidade de políticas voltadas à preservação da indústria doméstica, particularmente em segmentos mais expostos à concorrência internacional.
Um exemplo citado pela entidade é o mercado de PVC, matéria-prima essencial para áreas como saneamento, construção civil e embalagens. Nos últimos anos, importações com práticas consideradas desleais ampliaram participação no mercado brasileiro, situação que levou à adoção de medidas de defesa comercial e tarifas emergenciais para reequilibrar a competição.
Competitividade
“A indústria química brasileira é um pilar estratégico de resiliência, especialmente em cenários instáveis de guerra e rupturas logísticas internacionais. A existência de capacidade instalada, tecnologia, diversidade produtiva e suporte regulatório adequado garante que o Brasil tenha condições de mitigar choques globais e preservar a segurança de suprimento, em insumos essenciais para cadeias produtivas críticas”, diz um dos trechos do manifesto.
Segundo a Abiquim, fortalecer a competitividade da indústria química nacional é parte central da estratégia de segurança econômica do país. A presença de capacidade produtiva instalada, diversidade de produtos e tecnologia industrial permitiria ao Brasil mitigar choques externos e manter o fornecimento de insumos críticos para a economia.
Com 62 anos de atuação, a entidade afirma que continuará acompanhando o cenário internacional e dialogando com empresas e cadeias produtivas para garantir transparência e segurança no abastecimento nacional.
Hoje, a indústria química brasileira ocupa posição estratégica na economia. Além de abastecer diversos segmentos industriais, o setor também se destaca em sustentabilidade: segundo dados da Abiquim, a produção química no país emite entre 5% e 51% menos CO₂ por tonelada produzida em comparação com concorrentes internacionais e utiliza 82,9% de fontes renováveis em sua matriz energética, índice muito superior à média global.
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