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Capa Atualidades

Exportações da Bahia caem 23%, mas corrida pelo ouro impulsiona setor extrativo

Concorrência internacional, menor safra e tensões geopolíticas ajudam a explicar o desempenho do comércio exterior baiano no início do ano

INDÚSTRIA NEWS por INDÚSTRIA NEWS
09/03/2026
em Atualidades
Tempo de Leitura: 3 minutos
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exportações

As compras externas cresceram 21,2% em fevereiro (Foto: Jean Vagner/SEI)

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As exportações baianas registraram forte retração em fevereiro. As vendas externas do estado somaram US$730,9 milhões, uma queda de 23,2% em relação ao mesmo mês de 2025, refletindo o desempenho negativo de setores tradicionalmente fortes da pauta exportadora. O resultado ainda é considerado preliminar e pode sofrer revisões, mas já sinaliza um começo de ano desafiador para o comércio exterior do estado.

O principal fator de pressão veio da indústria de transformação, que registrou recuo de 34,4% no comparativo anual. Parte da queda está associada à perda de competitividade da indústria química instalada no estado, pressionada pela entrada de produtos asiáticos a preços mais baixos no mercado internacional. A agropecuária também contribuiu para o resultado negativo, com retração de 11,1%, em um cenário já esperado de menor produtividade da safra de grãos.

Os dados foram analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), vinculada à Secretaria do Planejamento, com base nas estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Se a maior parte da pauta exportadora perdeu fôlego, um setor seguiu na direção oposta. A indústria extrativa avançou 359,5% nas vendas externas, ainda que represente apenas cerca de 7% das exportações estaduais. O salto foi impulsionado pela valorização internacional do ouro, cuja cotação já supera US$5.180 por onça-troy para contratos futuros com entrega em abril. Em um ambiente global marcado por tensões geopolíticas e incertezas econômicas, investidores têm buscado ativos considerados mais seguros, como ouro e prata, o que vem impulsionando sucessivos recordes de preço no mercado internacional.

O movimento revela como a pauta exportadora baiana continua fortemente sensível às oscilações do mercado global. Enquanto setores industriais enfrentam concorrência crescente e custos elevados, commodities minerais podem ganhar protagonismo momentâneo em períodos de instabilidade econômica.

Importações

Do lado das importações, o estado seguiu na direção contrária. As compras externas cresceram 21,2% em fevereiro, puxadas principalmente pela importação de combustíveis, como petróleo cru e nafta, provenientes dos Estados Unidos, Gabão e Argentina. O cenário internacional também influencia esse movimento, já que a guerra no Oriente Médio tem pressionado as cotações das commodities energéticas e estimulado ajustes nas cadeias globais de abastecimento.

Outro dado que chama atenção é o salto nas importações de bens de consumo, que cresceram 455%, impulsionadas principalmente pela compra de veículos de passeio de origem chinesa. O aumento reforça a crescente presença da indústria automotiva chinesa no mercado brasileiro, ampliando sua participação nas importações do país.

No acumulado do primeiro bimestre de 2026, as exportações baianas somaram US$1,45 bilhão, queda de 18,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as importações alcançaram US$1,59 bilhão, avanço de 4,0%. Com isso, a balança comercial do estado registrou déficit de US$ 146,1 milhões, enquanto a corrente de comércio totalizou US$ 3 bilhões, recuo de 8,1% na comparação anual.

Análise

O cenário externo pode tornar esse quadro ainda mais desafiador nos próximos meses. A escalada das tensões no Oriente Médio tende a manter os preços do petróleo em patamares elevados, o que pode ampliar o déficit comercial baiano. Além do impacto direto sobre combustíveis, o conflito também pode pressionar o custo de insumos estratégicos para a economia do estado, como fertilizantes utilizados na agricultura e nafta usada pela indústria petroquímica, além de elevar fretes marítimos, seguros de carga e prazos logísticos nas rotas internacionais.

Em perspectiva, os números do comércio exterior reforçam um dilema recorrente da economia baiana: a dependência de poucos setores industriais e de commodities sensíveis às oscilações do mercado internacional. Quando a indústria perde competitividade – seja pela concorrência asiática, seja pelo aumento de custos – o impacto aparece rapidamente na balança comercial.

Ao mesmo tempo, a valorização do ouro mostra como crises globais podem criar oportunidades pontuais para a pauta exportadora do estado. A questão que se coloca é se esses ganhos conjunturais serão suficientes para compensar as fragilidades estruturais da indústria e garantir um crescimento mais consistente das exportações nos próximos anos.


Leia também: O império têxtil de Luiz Tarquínio na Boa Viagem

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