O contexto de incertezas internacionais, aumento das importações asiáticas e o desaquecimento no mercado doméstico a partir do segundo semestre do ano passado, fez com que a indústria entrasse em 2026 com o nível de empregos abaixo dos registrado no mesmo ínterim de 2025. Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números publicados pelo MTE, apontam que, apesar de ter criado 3,1 mil vagas em janeiro, seguindo o padrão sazonal para o mês, o estoque total ficou 1,4% abaixo do registrado no mesmo intervalo de 2025 (274,4 mil postos diretos).
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que, em janeiro passado, foram criados mais de 4 mil postos de trabalho no setor, de modo que o número de janeiro de 2026 reflete uma menor dinâmica na atividade. Inferior, inclusive à média da última década para o mês, de quase 6 mil postos
. “O desaquecimento do mercado interno, corroborado pela queda no consumo das famílias no segundo semestre do ano passado, somado ao crescimento expressivo das importações de calçados, têm impactado na capacidade de ampliação do estoque de emprego no setor”, explica. Acrescenta, ainda, que o resultado da indústria calçadista é inferior à média da indústria de transformação, cujo estoque de emprego situa-se cerca de 1% acima do mês de janeiro do ano passado.
Principal estado empregador do Brasil, o Rio Grande do Sul criou apenas 688 postos em janeiro, encerrando o mês com 74,24 mil postos diretos gerados, registro 5,5% menor do que no mesmo intervalo do ano passado. Na sequência, o segundo maior empregador do setor, o Ceará, registrou a perda de 402 postos em janeiro e estoque total de 66,17 mil postos diretos, 1,9% menos do que em 2025.
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