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Capa Calçados & Têxtil

Bahia nada contra a maré e salva empregos no setor calçadista

Enquanto o setor fecha 2025 no vermelho, estado cria 2,8 mil vagas e vai na contramão do país

MARCELO SAMPAIO por MARCELO SAMPAIO
05/02/2026
em Calçados & Têxtil
Tempo de Leitura: 3 minutos
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calçados

Empregos caem, produção recua e estado surge como exceção em ano difícil (Foto: Abicalçados)

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Em um ano marcado por retração no mercado de trabalho da indústria calçadista brasileira, a Bahia foi o único grande estado empregador do setor a encerrar 2025 com saldo positivo de vagas. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base em números do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o estado criou 2,8 mil empregos ao longo do ano, fechando dezembro com 42,4 mil postos diretos, crescimento de 7,1% em relação a 2024.

Apesar do desempenho anual positivo, o setor também sentiu os efeitos da desaceleração no fim do ano. Apenas em dezembro, as fábricas baianas registraram o fechamento de 855 vagas, reflexo de um movimento mais amplo observado em todo o país no segundo semestre.

No cenário nacional, a indústria calçadista terminou 2025 com saldo negativo de 3 mil empregos, após perder mais de 10,9 mil postos somente em dezembro. Ao final do ano, o setor empregava 273,9 mil pessoas, número 1,1% inferior ao registrado em 2024.

De acordo com o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o resultado negativo reflete a queda de 2,2% na produção de calçados em 2025, impactada por uma combinação de fatores. Entre eles, os choques no ambiente internacional –  especialmente a vigência de tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos aos calçados brasileiros -, o avanço das importações em um contexto de demanda interna estagnada e a desaceleração da economia brasileira no segundo semestre.

Tarifas americanas

Até julho, o setor ainda apresentava um quadro positivo. No primeiro semestre de 2025, foram criados 12,7 mil postos de trabalho diretos. No entanto, após a entrada em vigor das tarifas adicionais, em agosto, o movimento se inverteu: entre agosto e dezembro, houve o fechamento de 15,7 mil vagas, anulando o avanço anterior.

Segundo Ferreira, além das incertezas externas, o consumo interno foi fortemente pressionado pela combinação de juros elevados e alto endividamento das famílias. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que, em dezembro de 2025, 78,9% das famílias brasileiras estavam endividadas, o maior percentual já registrado para o mês na série histórica.

Entre os estados, o Rio Grande do Sul, maior empregador do setor, liderou as perdas, com saldo negativo de 4,44 mil empregos em 2025, sendo 2,6 mil apenas em dezembro, encerrando o ano com 74,57 mil postos diretos. O Ceará, segundo maior empregador, perdeu 1,1 mil vagas no ano, fechando dezembro com 66,6 mil empregos. São Paulo, quarto colocado, registrou queda de 2,62 mil postos, encerrando o ano com 29,82 mil empregos diretos.

Análise

Os números de 2025 revelam uma indústria calçadista pressionada por um conjunto de fatores estruturais e conjunturais. A queda da produção, combinada ao avanço das importações, ao impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos e ao enfraquecimento do consumo interno, reduziu a capacidade do setor de sustentar empregos ao longo do segundo semestre. O resultado foi um ajuste concentrado no fim do ano, com forte perda de vagas em dezembro, evidenciando a sensibilidade do setor a choques externos e à dinâmica do mercado doméstico, especialmente em um ambiente de juros elevados e alto endividamento das famílias.

Para 2026, as perspectivas seguem condicionadas à evolução do cenário macroeconômico e do ambiente regulatório. A manutenção de juros em patamar elevado tende a limitar a recuperação do consumo e a velocidade de retomada do emprego, enquanto a previsibilidade regulatória e comercial será determinante para a recomposição de investimentos e produção. Nesse contexto, o desempenho da Bahia sinaliza que ganhos de competitividade regional, eficiência produtiva e diversificação de mercados podem funcionar como amortecedores, mas a recuperação sustentada do setor dependerá, sobretudo, de condições macroeconômicas mais favoráveis e de menor pressão sobre custos e demanda.

Emprego na indústria calçadista em 2025

Brasil

  • Saldo em 2025: –3 mil empregos
  • Perdas em dezembro: –10,9 mil
  • Estoque total: 273,9 mil empregos (–1,1%)

Bahia

  • Saldo em 2025: +2,8 mil empregos
  • Dezembro: –855 vagas
  • Estoque: 42,4 mil empregos (+7,1%)

Rio Grande do Sul

  • Saldo em 2025: –4,44 mil
  • Dezembro: –2,6 mil
  • Estoque: 74,57 mil (–5,6%)

Ceará

  • Saldo em 2025: –1,1 mil
  • Dezembro: –1,57 mil
  • Estoque: 66,6 mil (–1,6%)

São Paulo

  • Saldo em 2025: –2,62 mil
  • Dezembro: –147
  • Estoque: 29,82 mil (–0,5%)

Leia também: Uma viagem de carro para entender o atraso logístico da Bahia

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Tags: AbicalçadosAssociação Brasileira das Indústrias de CalçadosBahiacalçadosindústria calçadistaSão Paulo
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