O armazenamento de energia em baterias não é mais promessa. É realidade instalada em edifícios corporativos de Salvador, em eletropostos no Litoral Norte e em projetos que já somam economia de cinco dígitos na conta de luz. Foi essa a mensagem central do painel “Avanços em Armazenamento de Energia”, realizado nesta quinta-feira no último dia do iBEM 2026, no Centro de Convenções Salvador. O debate reuniu representantes do setor para tratar de transição energética, regulamentação dos chamados BESS (Battery Energy Storage Systems) e os efeitos concretos dessas soluções na economia das empresas e na mobilidade elétrica.
Fábio Monteiro Soares, diretor executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), colocou o dedo na ferida: o sistema elétrico nacional vive hoje o que ele chamou de “crise de flexibilidade operacional”. Com a expansão das fontes renováveis intermitentes – solar e eólica -, o país precisa ajustar rapidamente geração e consumo para manter a rede estável. E as baterias são a resposta mais ágil e acessível para isso.
“O Brasil não precisa inventar a roda. Existe uma roda pronta, inventada e estabilizada, que é o armazenamento de energia sobretudo em baterias”, afirmou Soares. “Os preços caíram drasticamente nos últimos anos e a gente só precisa agir.”
O sinal regulatório começa a aparecer. A Lei 15.269 já oferece um marco legal para o setor, a Aneel prevê concluir a regulação do armazenamento no próximo mês e o Ministério de Minas e Energia deve lançar em breve o leilão de reserva de capacidade. Para Soares, o caminho está traçado – falta apenas velocidade na execução.
O caso real de Salvador
Se Soares deu o panorama macro, Vinícius Mariano, CEO da baiana 3P Energia, desceu ao concreto. Ele apresentou o case do Civil Towers, um dos edifícios corporativos mais modernos de Salvador, onde um sistema BESS de 215 kWh de armazenamento e 108 kW de potência já opera em regime de load shifting – estratégia que consiste em carregar as baterias nos horários em que a energia é mais barata e utilizá-la nos picos de demanda, quando a tarifa dispara.
O contexto baiano torna a solução ainda mais atraente: a Bahia tem a segunda tarifa de energia mais cara do país no horário de ponta, com a TUSD podendo superar R$ 3.200,00/MWh. O resultado no Civil Towers é uma redução média de R$13,5 mil por mês na conta de energia, com até 90% do consumo no horário de pico atendido pelo sistema. O projeto, desenvolvido em parceria com GreenYellow, HDT e Amara NZero, inclui ainda 42 kWp em painéis fotovoltaicos.
“O BESS é uma solução estratégica que leva eficiência, previsibilidade e sustentabilidade ao coração das operações”, disse Vinícius Mariano. E com vida útil de até 20 anos, o investimento tem retorno de longo prazo garantido.
Carregadores ultrarrápidos
O painel fechou com Lucas Monteiro, gestor Comercial e de Marketing da e-Drive Energy, que apresentou o primeiro eletroposto instalado em um shopping do Litoral Norte de Salvador. O hub é alimentado por cerca de 6.000 m² de placas solares integradas a um sistema BESS composto por 28 unidades – modulares e transportáveis para qualquer localidade.
O destaque é a velocidade de carga: “Estamos entregando hoje, no Brasil, a maior velocidade de carga a partir de BESS”, afirmou Monteiro. São 100 carregadores ultrarrápidos operando com energia limpa gerada e armazenada no próprio local. E a expansão vem por aí: mais três ou quatro eletropostos devem ser inaugurados em Salvador nos próximos meses.
O presente que ainda parece futuro
O painel deixou uma mensagem clara: o armazenamento de energia já está nos hotéis, hospitais, edifícios corporativos, mineradoras e nas estradas baianas. A tecnologia amadureceu, os preços caíram e a regulação caminha para fechar o ciclo Como resumiu Fábio Soares: “Não é o futuro, é uma solução do presente. Que a gente precisa investir amanhã.”
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