Em meio a um início de ano difícil para a balança comercial da Bahia, um dado destoou do cenário negativo: as exportações de metais preciosos dispararam 70,3% em janeiro, impulsionadas pela forte valorização do ouro no mercado internacional. O movimento ajudou a amenizar um mês marcado por queda expressiva no volume embarcado e pelo pior resultado para janeiro desde 2018.
De acordo com análise da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), as exportações do estado somaram US$607,9 milhões, reflexo de um recuo de 28,2% no volume embarcado, puxado principalmente pelo setor agropecuário. Preços abaixo do esperado desestimularam produtores, afetando rendimento e produção, sobretudo em culturas como algodão e café.
Na contramão, o setor de metais preciosos ganhou protagonismo. Com o ouro superando US$4.950 por onça-troy nos contratos futuros, investidores buscaram proteção diante das incertezas geopolíticas globais, elevando as cotações também da prata. O resultado foi um avanço de 70,3% nas exportações do segmento em relação a janeiro do ano passado, somando US$110,7 milhões.
Outro desempenho positivo veio das frutas e suas preparações, que cresceram 35%, totalizando US$11,9 milhões. O resultado foi favorecido pela sazonalidade, aumento dos embarques e pela normalização tarifária nas vendas aos Estados Unidos.
Refino de petróleo
Do lado negativo, o peso maior veio do setor de refino, com queda de 57,3% nas exportações de derivados de petróleo. A indústria de transformação também sentiu o baque, com retração de 23,7% no volume e de 19,5% no valor exportado, enquanto o setor químico caiu 23,6%, pressionado pela concorrência internacional.
A indústria extrativa apresentou o pior desempenho proporcional, com queda de 90,9% no valor exportado, explicada pela ausência de embarques de minério de cobre e níquel, ao contrário do registrado em janeiro do ano passado.
No recorte dos parceiros comerciais, os reflexos do tarifaço americano continuam presentes. As exportações para os Estados Unidos recuaram 29,6% em valor, enquanto as vendas para a China caíram 5,6%, apesar do crescimento de 11% no volume, indicando ganho de market share do agro brasileiro em meio às tensões comerciais com os EUA.
Importações caem, mas saldo segue negativo
As importações baianas somaram US$ 806,2 milhões em janeiro, queda de 8,7% na comparação anual. Ainda assim, superaram as exportações, gerando um déficit comercial de US$ 198,2 milhões.
O recuo foi puxado principalmente pela redução nas compras de bens intermediários (-38,5%) e de bens de capital (-5,9%), refletindo o arrefecimento da atividade econômica diante dos juros elevados. Em sentido oposto, as importações de bens de consumo dispararam, impulsionadas pela entrada de veículos, enquanto o setor de combustíveis voltou ao campo positivo, com alta de 6,4%.
Balança Comercial da Bahia – Janeiro
- Exportações: US$ 607,9 milhões
- Importações: US$ 806,2 milhões
- Saldo comercial: – US$ 198,2 milhões
Destaques das exportações
- Metais preciosos: +70,3% (US$ 110,7 milhões)
- Frutas e preparações: +35%
Quedas mais relevantes
- Refino: –57,3%
- Agropecuária: –30,2%
- Indústria de transformação: –19,5% em valor
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