Mato Grosso do Sul deu mais um passo decisivo para se consolidar como uma das maiores plataformas globais da indústria de celulose. Foi lançada nesta sexta-feira (6), em Inocência, a pedra fundamental da ferrovia do Projeto Sucuriú, estrutura logística estratégica que vai escoar a produção da nova fábrica da Arauco diretamente para o mercado internacional.
Primeira short line ferroviária autorizada no Brasil, a ferrovia terá 54 quilômetros de extensão – sendo 9 km dentro do complexo industrial e outros 45 km de ligação até a Malha Norte, operada pela Rumo. A partir daí, a carga seguirá até o Porto de Santos (SP), com destino principalmente aos Estados Unidos, Europa e Ásia.
A nova fábrica terá a capacidade de produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de mercado por ano e a previsão de início das operações é até o final de 2027
Projetada para movimentar até 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, a ferrovia permitirá a operação de trens com até 100 vagões, reduzindo custos logísticos, aumentando a competitividade do produto brasileiro e reforçando o papel do Estado como hub exportador. O investimento estimado é de R$2,8 bilhões, com conclusão das obras prevista para o segundo semestre de 2027.
A ferrovia integra o Projeto Sucuriú, um megainvestimento privado da Arauco que soma US$4,6 bilhões. Apenas a fábrica de celulose em Inocência deve gerar mais de 14 mil empregos na fase de construção e cerca de 6 mil vagas diretas e indiretas na operação, impulsionando não apenas a indústria, mas toda a economia regional.
Além da ferrovia, o pacote de infraestrutura inclui a construção de um gasoduto de 125 km, ligando Três Lagoas à unidade industrial, com investimento superior a R$170 milhões, viabilizado pela MS Gás. Também foram autorizadas obras de acesso e pavimentação na rodovia MS-377, com aporte de R$26,9 milhões do Governo do Estado.

O peso político do projeto
Durante a cerimônia, o governador Eduardo Riedel destacou que os investimentos privados só se materializam quando encontram um Estado organizado e previsível. “Se olharmos 10 anos à frente, o que está sendo plantado hoje vai representar uma transformação profunda para Mato Grosso do Sul”, afirmou.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, classificou a ferrovia como um marco para o setor. “Ferrovia é sinônimo de nova rota de desenvolvimento. Essa short line, a primeira autorizada no Brasil, mostra que o país começa a destravar modelos mais flexíveis de infraestrutura logística”, disse, ao lembrar ainda do futuro leilão de revitalização da Malha Oeste.
Já o presidente da Arauco no Brasil, Carlos Alimiras, ressaltou que a logística é fator decisivo para a competitividade industrial. “Esse modelo demonstra flexibilidade regulatória e segurança jurídica, algo essencial para projetos de longo prazo no Brasil”, afirmou.
Por que isso importa
O avanço do Projeto Sucuriú vai além de uma fábrica ou de uma ferrovia. Ele simboliza uma mudança estrutural na forma como o Brasil pensa logística industrial. Ao conectar diretamente a produção ao sistema ferroviário, o projeto reduz a dependência do transporte rodoviário, diminui emissões, corta custos e aumenta a previsibilidade das exportações.
Os números ajudam a dimensionar o impacto: em 2025, Mato Grosso do Sul respondeu por 35% das exportações brasileiras de celulose, com quase 7 milhões de toneladas embarcadas e receita de US$ 3,11 bilhões, crescimento de 17% sobre o ano anterior. A nova ferrovia tende a ampliar ainda mais esse protagonismo.
Mais do que consolidar o Estado como potência da celulose, o projeto mostra que infraestrutura bem planejada não é gasto – é estratégia. É ela que transforma investimento industrial em competitividade global, emprego qualificado e desenvolvimento sustentável.
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