O setor aéreo brasileiro está de luto. Constantino de Oliveira Júnior não apenas fundou a Gol Linhas Aéreas. Ele efetivamente mudou a forma como o brasileiro se desloca pelo país. Sua partida precoce encerra um capítulo fundamental da história empresarial recente do Brasil, marcado pela audácia de democratizar os céus.
Antes de conquistar os ares, “Júnior”, como era conhecido, lapidou seu instinto administrativo no setor de transportes terrestres. Entre 1994 e 2000, atuou no Grupo Comporte, da família Constantino, que comanda gigantes do transporte de passageiros por ônibus. Essa experiência foi o alicerce para que, em 2001, ele desse o passo mais ambicioso de sua carreira: a fundação da Gol Linhas Aéreas Inteligentes.
Segundo a nota oficial da Gol, o empresário foi o pioneiro ao introduzir no Brasil o conceito low cost, low fare (baixo custo, baixa tarifa). Naquela época, voar era um privilégio de poucos. Constantino Júnior enxergou que a eficiência operacional poderia transformar o bilhete aéreo em um produto de consumo de massa.
A consolidação e o caso Varig
Sob sua liderança como CEO (cargo que ocupou de 2001 a 2012), a Gol saltou de uma frota modesta para a liderança do mercado nacional. Um dos movimentos mais estratégicos de sua gestão foi a aquisição da Varig, em 2007. O negócio foi um divisor de águas: permitiu que a “novata” Gol absorvesse a estrutura e as rotas internacionais daquela que já fora a maior empresa do setor, consolidando o grupo como uma potência regional.
A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) destacou em nota que Constantino foi um “empreendedor visionário”, sendo a imagem viva do novo modelo de aviação comercial brasileira. Seu trabalho foi reconhecido com prêmios como o “Executivo de Valor” (Valor Econômico) e o título de “Executivo Ilustre” pela Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos).
“Empreendedor visionário, Constantino foi um dos grandes responsáveis por redefinir o transporte aéreo no Brasil. À frente da criação da Gol, tornou-se a imagem de um novo modelo de companhia aérea no país. Como legado, Constantino deixa inestimável contribuição para a democratização da aviação comercial brasileira”, disse a Abear, em nota.
Paixão pela velocidade e estratégia
Fora das salas de reunião e dos hangares, Constantino Júnior nutria uma paixão vibrante pelo automobilismo. Frequentador assíduo das pistas, ele competiu em categorias como a Porsche Cup e a Stock Car. Para analistas do setor, sua atuação nas pistas não era apenas um hobby, mas um reflexo de sua personalidade executiva: precisão técnica, cálculo de risco e a busca constante pela pole position no mercado.
Um legado que permanece
Constantino, que morreu nesta sábado, aos 57 anos, ocupava atualmente a presidência do Conselho de Administração da Gol e era um dos fundadores do Grupo Abra (holding que controla a Gol e a colombiana Avianca). Deixa como herança uma empresa que hoje faz parte de um gigante internacional, mas que, segundo a própria companhia, mantém vivos os princípios de simplicidade e humanidade que ele estabeleceu no primeiro voo há 25 anos.
O empresário não foi apenas um dono de companhia aérea; foi o arquiteto de uma ponte que permitiu a milhões de brasileiros verem o país de cima pela primeira vez.
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