O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), calculado pelo IBGE, encerrou dezembro de 2025 com alta de 0,51%, avanço de 0,26 ponto percentual em relação a novembro (0,25%). No acumulado do ano, a inflação da construção chegou a 5,63%, superando em 1,65 ponto percentual o resultado de 2024, quando havia fechado em 3,98%.
Em termos monetários, o custo nacional da construção atingiu R$1.891,63 por metro quadrado em dezembro. Desse total, R$1.078,39 correspondem aos materiais e R$813,24 à mão de obra. O dado revela onde está o principal foco de pressão: enquanto os materiais subiram 0,27% no mês, a mão de obra avançou 0,83%, puxada por acordos coletivos, com destaque para Minas Gerais.
No acumulado de 2025, os materiais subiram 4,20%, enquanto a mão de obra disparou 7,63%, bem acima dos 4,90% registrados em 2024. Segundo o IBGE, a diferença de 2,73 pontos percentuais na mão de obra está diretamente ligada a reajustes salariais em estados com peso relevante no setor.
Regionalmente, o Centro-Oeste liderou a alta anual (6,27%), enquanto o Norte teve o menor avanço (4,62%). Entre os estados, Mato Grosso acumulou a maior inflação da construção em 2025, com 8,05%, mesmo sem liderar isoladamente materiais ou mão de obra.
Análise
Na Bahia, o cenário é de canteiro cheio. O mercado imobiliário segue aquecido, com obras de alto padrão em bairros como Corredor da Vitória, Horto Florestal e Patamares, além de uma carteira robusta de projetos do Minha Casa, Minha Vida, inclusive no interior do estado.
O ritmo também é sustentado por grandes obras de infraestrutura, como a construção do VLT do Subúrbio, os projetos de mobilidade urbana da Prefeitura de Salvador e a expectativa pelo início das obras da Ponte Salvador–Itaparica, o que deve acontecer a partir do segundo semestre do ano.
O dado provoca uma leitura clara: a construção vive um bom momento, mas não barato. Obras de infraestruturta e programas como Minha Casa, Minha Vida e o Reforma Brasil sustentam a demanda, garantem ritmo às obras e mantêm o setor aquecido. Ao mesmo tempo, a aceleração dos custos – sobretudo trabalhistas – impõe desafios a margens, orçamentos públicos e privados.
Para 2026, o cenário aponta continuidade do crescimento, mas com uma equação delicada: obra em alta, custo pressionado e necessidade crescente de produtividade. Quem não ajustar planejamento, tecnologia e gestão pode sentir o peso da inflação antes mesmo de concluir o canteiro.
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