A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15% ao ano foi recebida com forte crítica pela indústria brasileira. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a política monetária segue excessivamente contracionista, freando o crescimento e isolando o país no cenário internacional de juros.
Para Alban, o Banco Central precisa diminuir os juros a partir da próxima reunião, em 10 de dezembro
Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a Selic elevada “traz custos desnecessários, ameaça o mercado de trabalho e penaliza o setor produtivo”, em um momento em que a inflação está em trajetória clara de queda. Ele lembra que o Brasil mantém a segunda maior taxa de juros real do mundo, um diferencial que, além de afastar investimentos, encarece o crédito e mina a competitividade das empresas.
Uma pesquisa da entidade revela que 80% das indústrias veem a Selic como principal obstáculo para empréstimos de curto prazo. No crédito de longo prazo, o número chega a 71%. Com a alta recente do IOF, quase metade das empresas desistiu de contratar ou renovar financiamentos.
“O Brasil desperdiça mais uma oportunidade de reduzir a Selic sem pressionar o câmbio ou a inflação”, critica Alban, que defende a retomada dos cortes na próxima reunião do Copom, em dezembro.
Fieb
Na Bahia, a Federação das Indústrias do Estado (Fieb) classificou a decisão como “anacrônica” e “descolada da realidade”. A entidade lembra que, enquanto o Federal Reserve e o Banco Central Europeu trabalham com juros entre 2% e 4%, o Brasil insiste em manter o freio de mão puxado.
“Manter a Selic em 15% não é apenas um erro: é uma decisão que penaliza o trabalho, sufoca o setor produtivo nacional. A FIEB alerta que essa taxa de juros representa um entrave ao desenvolvimento nacional e cobra do Banco Central uma mudança de rumo. É urgente iniciar um ciclo de cortes. O Brasil não pode mais esperar”, destaca a Federação.
Para o setor, a manutenção da taxa em 15% representa mais do que uma opção técnica: é um erro que aprofundará o desaquecimento econômico e atrasará o desenvolvimento nacional.
Segundo o Banco Central, a taxa de juros média cobrada das empresas nas concessões de crédito, considerando as linhas com recursos livres, subiu de 20,6% a.a., em setembro de 2024, quando se iniciou o atual ciclo de altas na Selic, para 24,5% a.a. em setembro de 2025
Selic é a maior em quase 20 anos
A Selic está no nível mais alto em quase duas décadas. Nesse patamar, a taxa de juros real está em torno de 10,5% a.a., quando se considera a inflação esperada nos próximos 12 meses, de 4,06%. A taxa de juros real está aproximadamente 5,5 p.p. acima da taxa neutra, que não estimula nem desestimula a atividade econômica, estimada em 5% a.a. pelo Banco Central.
A CNI estima que a taxa básica de juros de equilíbrio deveria estar em 11,9% a.a., considerando as expectativas de inflação para os próximos 12 meses. Assim, os juros atuais estão 3,1 p.p. acima do necessário para controlar a inflação e evitar prejuízos ao crescimento econômico.
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