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Capa Química & Petroquímica
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Índice de recuperação de embalagens, que considera todo o resíduo consumido no processo, chegou a 28,7% (Foto Paulo Vitale/Divulgação)

Brasil acelera na reciclagem de plásticos pós-consumo

O índice geral de reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo foi de 21,0%

INDÚSTRIA NEWS por INDÚSTRIA NEWS
29/09/2025
em Química & Petroquímica
Tempo de Leitura: 5 minutos
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Após um ano de forte retração (2023), a indústria de reciclagem de plásticos no Brasil demonstrou sinais de recuperação em 2024. O índice de reciclagem mecânica para embalagens plásticas pós-consumo alcançou 24,4%, enquanto o índice geral para todos os tipos de plásticos foi de 21%. Os dados são do estudo anual encomendado pelo Movimento Plástico Transforma, iniciativa do PicPlast – parceria entre a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e a Braskem.

Realizado pela consultoria MaxiQuim, o levantamento monitora os indicadores da reciclagem mecânica no país desde 2018, com o objetivo de acompanhar as metas da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A revantamento reforçou também a importância estratégica do Brasil no cenário regional: segundo dados de 2023, Brasil e México foram responsáveis por 76% de todo o volume de plástico reciclado na América Latina, o que evidencia a consolidação de uma indústria de grande porte e relevância para a circularidade na região.

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Em termos absolutos, a produção brasileira de resina pós-consumo (PCR) alcançou 1,012 milhão de toneladas em 2024, número que posiciona o país entre os maiores produtores mundiais. Para comparação, o México reciclou 1,53 milhão de toneladas no mesmo período, enquanto toda a América Latina somou 3,79 milhões de toneladas (dados de 2023).

Na Europa, a produção foi de 7,1 milhões de toneladas em 2023, mas com queda de 8% em relação ao ano anterior, sinal de que mesmo os mercados mais maduros no âmbito da reciclagem também sofreram com a queda generalizada dos preços das resinas de primeiro uso a nível global

“Em 2024, a indústria de reciclagem apresentou uma recuperação tímida após o desempenho fraco de 2023. O prolongado ciclo de baixa das commodities petroquímicas seguiu pressionando a competitividade dos reciclados, com os preços das resinas de primeiro uso reduzindo o interesse da indústria de transformação por matéria-prima reciclada e dificultando o repasse de custos. Apesar das dificuldades, houve alguns sinais positivos: setores ligados a compromissos ESG e metas de circularidade, como grandes embaladores e marcas de consumo, mantiveram demanda constante para determinadas aplicações, em linha com seus objetivos”, explica Maurício Jaroski, diretor de química sustentável e reciclagem da MaxiQuim.

Recuperação da indústria  

O ano de 2024 foi marcado por uma recuperação nos volumes de plásticos reciclados, o que impactou diretamente o faturamento da indústria, que atingiu R 4 bilhões, um aumento nominal de 5,8% em relação a 2023. O setor também gerou mais empregos, alcançando a marca de 20.043 postos de trabalho diretos, um crescimento de 7,7%.

Apesar dos desafios, a capacidade instalada das indústrias recicladoras cresceu 1,9%, chegando a 2,43 milhões de toneladas, reflexo ainda de investimentos realizados em anos anteriores.

Geração e consumo de resíduos plásticos

Em 2024, foram geradas 4,82 milhões de toneladas de resíduos plásticos pós-consumo no Brasil. Desse total, a indústria recicladora consumiu 1,55 milhão de toneladas de resíduos plásticos (incluindo pós-consumo e pós-industrial) para reprocessamento, um aumento de 7,2% em relação a 2023.

Considerando apenas o resíduo pós-consumo (doméstico e não doméstico), o volume consumido pelas recicladoras foi de 1,2 milhão de toneladas. A maior parte desse material (87%) teve origem em embalagens, que somaram 1,037 milhão de toneladas consumidas.

Origem dos resíduos

A origem da matéria-prima para a reciclagem manteve uma distribuição semelhante à de anos anteriores, com os comerciantes de resíduos se destacando como a principal fonte, responsáveis por 33% (518 mil toneladas) do volume adquirido pelas recicladoras. Na sequência, aparecem as aparas industriais (23%), os beneficiadores (recicladores menores, com 19%), as empresas de gestão de resíduos (11%) e as cooperativas (10%). “Observamos que os catadores informais e as cooperativas perderam participação para os sucateiros, um reflexo da baixa remuneração que tem enfraquecido a força de trabalho das cooperativas”, complementa o consultor.

Destaques da produção de PCR

Desde o início da mensuração do índice em 2018, a produção de resina reciclada pós-consumo (PCR) acumulou um crescimento de 33,6%. Em 2024, foram produzidas 1,012 milhão de toneladas de resinas recicladas pós-consumo. Desse total, 39% foram de PET, seguido por PEAD com 20%, PP com 18% e PEBD/PEBDL com 15%.

A resina PCR produzida em 2024 foi destinada a diversos segmentos, com os setores de Alimentos e Bebidas (167 mil toneladas) e Higiene Pessoal, Cosméticos e Limpeza Doméstica (132 mil toneladas) se consolidando como os principais consumidores, impulsionados pela demanda por embalagens com conteúdo reciclado.

O setor de Construção Civil e Infraestrutura, que em 2023 havia aumentado sua participação devido à busca por materiais com menor custo, consumiu 130 mil toneladas em 2024, mantendo-se relevante, porém, com uma queda proporcional em sua representação.

O grande destaque do ano foi a Agroindústria, que demandou 92 mil toneladas e apresentou um crescimento de mais de 35% em relação a 2023, impulsionado por aplicações como lonas, mangueiras e embalagens de agroquímicos. O setor de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos, também aumentou significativamente seu consumo, demandando um total de 54 mil toneladas de resina PCR.

“Se compararmos com 2018, quando o estudo começou, percebemos uma inversão de protagonismo: naquele ano, construção civil era o principal destino da resina reciclada, enquanto o segmento de alimentos e bebidas tinha uma participação menor. Essa mudança reflete o avanço regulatório e os compromissos de grandes marcas de consumo com a economia circular e o uso de materiais mais sustentáveis”, complementa Maurício.

Geografia da reciclagem de plásticos

A geografia da reciclagem de plásticos no Brasil em 2024 evidencia uma forte concentração nas regiões Sudeste e Sul, que lideram todas as etapas da cadeia, desde a geração do resíduo até a produção da resina reciclada pós-consumo (PCR). A região Sudeste se destaca como a maior geradora de resíduos plásticos, com 48,1% do total (2,3 milhões de toneladas), e também como o principal polo de processamento, respondendo por 47% do consumo de resíduos pela indústria e 55,5% da produção nacional de PCR (559 mil toneladas). A região Sul aparece na sequência, sendo responsável por 26% do consumo de resíduos e 26,2% da produção de PCR (266 mil toneladas).

Essa concentração industrial gera um fluxo significativo de matéria-prima entre os estados. Em 2024, aproximadamente 41,1% do resíduo consumido pelas empresas recicladoras veio de um estado diferente daquele onde a empresa está localizada. Esse movimento, superior ao de 2023, indica que as empresas buscaram matéria-prima em mercados mais distantes para obter preços mais competitivos, mesmo com o custo do frete. Enquanto isso, o Nordeste se consolida como a terceira força produtora de PCR, com 13,7% do total (139 mil toneladas) e um crescimento expressivo de 16,6% em relação a 2023, reflexo da expansão de sua capacidade produtiva.


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