Os preços da indústria nacional registraram queda de 1,25% em junho frente a maio (-1,21%), quinta taxa negativa consecutiva após uma série de 12 resultados positivos em sequência, entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025. O Índice de Preços ao Produtor (IPP), assim, apresentou alta de 3,24% em 12 meses e o acumulado no ano ficou em -3,11%, segundo menor resultado já registrado para um mês de junho desde o início da série histórica, em 2014. Em junho de 2024, a variação mensal foi de 1,26%. Os dados foram divulgados hoje (7) pelo IBGE.
O Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação mede os preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes, e abrange as grandes categorias econômicas.
Em junho de 2025, 13 das 24 atividades industriais pesquisadas tiveram variações negativas de preço quando comparadas ao mês anterior, acompanhando a variação do índice na indústria geral. Em maio deste ano, 17 atividades haviam apresentado menores preços médios em relação a abril.
“Alguns pontos podem ajudar a explicar essa sequência de resultados negativos, assim como o acumulado negativo no ano. Um deles seria a taxa do dólar, que vem apresentando quedas (em junho, por exemplo, foi de 2,1% e já acumula uma desvalorização, frente ao real, de 9% em 2025); outro ponto seria a cotação mais baixa de algumas commodities no mercado internacional, como o petróleo e os minérios de ferro, que acaba sendo acompanhada pelos preços dos produtos brasileiros e também se espalha por diversos outros setores da indústria, diminuindo os custos de produção”, destaca Murilo Alvim, gerente do IPP.
Setores
Em termos de variação, alimentos (-3,43%); refino de petróleo e biocombustíveis (-2,53%); farmacêutica (2,23%); e produtos de metal (-1,85%) foram os destaques em junho.
O setor de alimentos foi o de maior destaque na composição do resultado agregado, na comparação entre os preços de junho e os de maio. A atividade foi responsável por -0,88 ponto percentual (p.p.) de influência na variação de -1,25% da indústria geral. Ainda neste quesito, outras atividades que também sobressaíram foram refino de petróleo e biocombustíveis, com -0,25 p.p. de influência, metalurgia (-0,07 p.p.) e farmacêutica (0,06 p.p.).
“Um dos destaques para a queda nesta atividade é o grupo de abate e fabricação de produtos de carne, com uma queda de 4,34% em junho, justificada, em grande parte, pelos menores preços das carnes de aves. Estes produtos estão com excesso de oferta do mercado interno, como consequência de restrições externas aos produtos brasileiros por conta da gripe aviária, que atingiu algumas áreas produtoras. Outro destaque é o grupo de fabricação e refino de açúcar, com uma queda de 6,84% em junho, ainda em linha com o período de safra da cana e aumento da oferta global dos produtos, com clima favorável em outros grandes países produtores, como a Índia e Tailândia, e consequente queda nos preços internacionais, que, novamente, é intensificada pela depreciação do dólar”, explica Murilo.
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