A Braskem confirmou nesta sexta-feira (8/8), por meio de fato relevante, que iniciou conversas com a Unipar Carbocloro sobre possíveis oportunidades envolvendo a venda de ativos e/ou participações societárias da companhia e de suas subsidiárias nos Estados Unidos. Segundo a nota, “potenciais transações de compra e venda de ativos fazem parte das atividades da companhia, sendo sempre incerta sua materialização”.
A empresa ressaltou que ainda não há definição sobre quais ativos ou participações poderão integrar uma eventual negociação. Até o momento, não foi firmado entre as partes nenhum acordo, vinculante ou não, exceto um de confidencialidade. Qualquer transação dependerá de aprovação dos órgãos de governança competentes, conforme o Estatuto Social e o Acordo de Acionistas.
No comunicado, a Braskem reforçou que segue comprometida com seu Programa de Resiliência e Transformação, voltado a enfrentar os desafios estruturais da indústria petroquímica global. Nesse contexto, avalia diferentes iniciativas operacionais e estratégicas para criar valor, maximizar o Ebitda e gerar caixa.
Já a Unipar informou que está constantemente avaliando oportunidades e alternativas para investimentos e aquisições de participações societárias ou de ativos, conforme as comunicações divulgadas ao mercado nos últimos anos. “Nesse sentido, a companhia informa que celebrou, em julho de 2025, um acordo de confidencialidade com a Braskem para que as partes avaliassem a viabilidade de uma potencial transação, que teria por objeto a aquisição de ativos”, diz.
A Unipar
Com presença na Bahia, a Unipar é líder na produção de cloro e soda e a segunda maior fabricante de PVC na América do Sul. Atua como fornecedora estratégica para setores como saneamento e construção civil, além de produzir matérias-primas para indústrias têxtil, de papel e celulose, desinfetantes, alumínio, brinquedos, calçados, alimentos, bebidas e farmacêutica, entre outras.
Em abril, a Unipar inaugurou sua nova fábrica no Polo de Camaçari. O projeto foi desenvolvido para atender à crescente demanda por ácido clorídrico, hipoclorito de sódio e soda cáustica, insumos essenciais ao saneamento básico e aos setores de higiene e limpeza. A unidade também terá parte da produção direcionada ao agronegócio.
Com tecnologia de ponta e foco em ecoeficiência, a planta, iniciada em dezembro de 2024, possui capacidade instalada para produzir anualmente 20 mil toneladas de cloro, 22 mil toneladas de soda cáustica, 23 mil toneladas de ácido clorídrico e 160 toneladas de hipoclorito de sódio.
Nelson Tanure
Aqui no Brasil, no mês passado, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) autorizou, sem restrições, uma operação que pode resultar na transferência de ações da Braskem detidas pela Novonor (antiga Odebrecht) para um fundo ligado ao empresário Nelson Tanure.
Ainda não foram revelados muitos detalhes sobre a negociação, mas o que se sabe é que Tanure pretende adquirir de forma indireta a participação da Novonor na Braskem — que é de 50,1% do capital votante e de 38,3% do capital total.
Segundo a Braskem, a concretização da operação ainda depende do cumprimento de obrigações previstas no Acordo de Acionistas com a Petrobras e da conclusão de negociações com os bancos que detêm os direitos sobre as ações da Novonor.
Balanço da Braskem
A Braskem, petroquímica global que desenvolve soluções sustentáveis da química e do plástico para melhorar a vida das pessoas, registrou no segundo trimestre do ano um Ebitda Recorrente de US$74 milhões (R$427 milhões), 67% inferior ao do 1T25. O resultado foi impactado por aspectos como a redução dos spreads de PE e PVC no mercado internacional e o efeito estoque nos segmentos em função de matérias-primas adquiridas em períodos anteriores, quando os preços estavam mais elevados.
Já a geração de caixa operacional da companhia foi negativa em R$175 milhões, o que representou uma redução do consumo em R$761 milhões em relação ao 1T25. E isso aconteceu pela menor variação de capital de giro, sendo explicada, principalmente, pelos menores custos de produto acabado e de matéria prima e pelos esforços da companhia para otimizar os níveis de estoques no trimestre.
“Os resultados evidenciam a necessidade de continuarmos focados na resiliência e higidez financeira, além de implementarmos iniciativas táticas que mitiguem os impactos do momento da indústria química no Brasil e de ações que ajudem a perpetuar o nosso negócio”, afirma Roberto Ramos, CEO da Braskem.
A Braskem registrou também prejuízo líquido de US$45 milhões (R$267 milhões) e o saldo da dívida bruta corporativa de US$8,5 bilhões (R$ 49 bilhões), estando em linha com o trimestre anterior. Além disso, a posição de caixa ficou em US$ 1,7 bilhão (R$ 10 bilhões), o que seria suficiente para cobrir os vencimentos de dívida da companhia pelos próximos 30 meses.
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