A retomada da produção de fertilizantes pela Petrobras na Bahia e em Sergipe vai além da reabertura de fábricas paralisadas. A estatal quer transformar o setor em uma nova frente estratégica para ampliar o mercado de gás natural, reduzir a dependência externa do país e fortalecer a presença industrial da companhia no Nordeste.
A avaliação foi apresentada pelo gerente executivo de Processamento de Gás Natural da Petrobras, Wagner Felicio, durante entrevista concedida a jornalistas baianos nesta terça-feira (13), na véspera da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, à Fafen-BA, em Camaçari.
Segundo Wagner Felicio, a reativação da fábrica de fertilizantes de Camaçari só foi possível graças à ampliação da oferta de gás natural no Brasil, especialmente após a entrada em operação da Rota 3, novo sistema de escoamento e processamento que acrescentou capacidade de 21 milhões de metros cúbicos de gás por dia ao mercado nacional.
“A Petrobras é uma grande produtora e também uma grande consumidora de gás. Quando você equilibra oferta e demanda, consegue criar viabilidade econômica para o fertilizante”, afirmou.
A estratégia representa uma mudança importante na lógica da companhia. No passado, o segmento de fertilizantes era visto internamente como uma operação pouco atrativa financeiramente. Agora, a estatal aposta na integração entre produção de gás, fertilizantes, refino e geração de energia para tornar o negócio economicamente sustentável.
Fafen Bahia
Atualmente, a Fafen Bahia produz cerca de 1,3 mil toneladas de ureia por dia, volume equivalente a aproximadamente 5% da demanda brasileira por fertilizantes nitrogenados. Somada à produção da Fafen Sergipe, a participação da Petrobras já chega a cerca de 12% do mercado nacional. A Araucária Nitrogenados representa mais 8% da demanda nacional.
Com a entrada futura da UFN3, em Mato Grosso do Sul, a estatal projeta atingir 35% da demanda brasileira de fertilizantes nitrogenados até 2028. “O Brasil importava praticamente toda a ureia consumida. Isso começa a mudar agora”, destacou Wagner.
A Petrobras também quer ampliar a capilaridade comercial do fertilizante produzido no Nordeste. Segundo o executivo, a companhia busca um modelo mais pulverizado de distribuição, voltado principalmente para pequenos produtores rurais organizados em cooperativas. Para isso, a estatal vem firmando parcerias com órgãos como o Ministério da Agricultura e a Embrapa.
A Bahia segue como principal mercado consumidor da ureia produzida em Camaçari. De acordo com Wagner Felicio, cerca de 55% da produção da unidade permanece no estado, embora o produto também esteja sendo distribuído para regiões como Maranhão e Mato Grosso.
Além da retomada operacional, a Petrobras já estuda novos investimentos para ampliar capacidade produtiva e modernizar as unidades. Entre os projetos em análise está o chamado “Bahia Verde”, iniciativa que prevê produção de fertilizantes com menor pegada de carbono a partir do uso de hidrogênio obtido por eletrólise da água.
A proposta acompanha o movimento global de descarbonização da indústria química e de fertilizantes. “O objetivo é produzir uma amônia e uma ureia com menor intensidade de carbono”, explicou.
Investimentos
Os investimentos também seguem em andamento para melhorar a confiabilidade operacional das plantas da Bahia e de Sergipe, que ficaram anos paralisadas. Segundo Wagner, somente na Fafen Bahia os aportes já alcançam cerca de R$100 milhões.
A retomada da unidade também tem forte impacto regional no mercado de trabalho. De acordo com a Petrobras, aproximadamente 80% da mão de obra utilizada na reativação da fábrica é local.
“Muitos trabalhadores já conheciam a planta e tinham experiência anterior. Isso ajudou bastante na retomada”, afirmou o executivo.
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