As exportações baianas registraram queda de 13,5% em abril de 2026, somando US$855,1 milhões, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O recuo foi provocado, principalmente, pela forte redução no volume embarcado, que caiu 26,3%, apesar da valorização média de 17,3% nos preços dos produtos exportados. Os dados foram analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), vinculada à Secretaria do Planejamento (Seplan), com base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).
O avanço dos preços médios reflete o ambiente de instabilidade geopolítica global, intensificado desde março com a escalada do conflito no Oriente Médio. O cenário favoreceu commodities relevantes para a pauta baiana, como a soja, beneficiada pela sazonalidade positiva dos embarques, e o ouro, que segue valorizado no mercado internacional diante da busca global por ativos considerados seguros em momentos de incerteza econômica.
Na contramão da alta dos preços, o desempenho do comércio exterior baiano foi pressionado pela queda expressiva das exportações de petróleo e derivados, que despencaram 89,4% em abril. O movimento está relacionado à parada programada para manutenção da unidade da Refinaria de Mataripe responsável pela produção de diesel, em meio a investimentos para ampliação da capacidade produtiva.
A interrupção ocorreu justamente em um momento de maior demanda nacional pelo combustível, aumentando a dependência brasileira de importações de diesel. Segundo a análise da SEI, os dados de abril ainda não permitem medir os efeitos da taxação implementada pelo governo federal sobre as exportações de petróleo e diesel, medida adotada em meio à crise global provocada pela guerra envolvendo o Irã.
Celulose
Outros segmentos também contribuíram para a retração das exportações no mês. A celulose recuou 17,6%, impactada pela redução nos volumes de vendas, paradas de manutenção e pela valorização do real frente ao dólar. Já o café teve queda de 59,5%, influenciado pela sazonalidade da cultura, enquanto o setor mineral registrou retração de 86,8%, pelo segundo mês consecutivo sem embarques de minério de ferro e níquel, principais produtos do segmento.
Na divisão por setores, a agropecuária foi o único destaque positivo, com crescimento de 9,2% nas exportações, equivalente a US$ 33,1 milhões adicionais. Já a indústria extrativa sofreu retração de 84,1%, enquanto a indústria de transformação registrou queda de 23,4%.
Importações
Do lado das importações, a Bahia registrou o terceiro mês consecutivo de crescimento. Em abril, os desembarques somaram US$ 930,9 milhões, alta de 17,1% em relação ao mesmo período de 2025.
O principal destaque ficou por conta das compras de bens de consumo, que saltaram de US$ 10,3 milhões para US$ 266,9 milhões no comparativo anual. O avanço foi puxado pela importação de automóveis elétricos chineses, movimento que indica uma antecipação das compras antes da retomada gradual da tributação sobre veículos elétricos prevista para julho deste ano.
Além disso, a desaceleração do mercado interno chinês vem levando montadoras do país asiático a ampliar de forma mais agressiva sua atuação em mercados internacionais, incluindo o Brasil.
As importações de bens de capital — categoria que inclui máquinas e equipamentos voltados para expansão industrial e infraestrutura — cresceram 29,8%. Já as compras de bens intermediários recuaram 24,1%, enquanto combustíveis registraram queda de 5,6%.
A valorização do real frente ao dólar também ajudou a impulsionar as importações, favorecendo a entrada de produtos como fertilizantes, petróleo bruto, trigo, máquinas e equipamentos.
A expectativa do mercado é de continuidade da desvalorização da moeda norte-americana no curto prazo, com o dólar podendo atingir a faixa de R$ 4,80. Caso o cenário se confirme, a tendência é de manutenção do ritmo elevado das importações nos próximos meses.
Com os resultados de abril, a Bahia acumulou US$ 3,49 bilhões em exportações no primeiro quadrimestre de 2026, enquanto as importações somaram US$ 3,55 bilhões. O saldo comercial ficou negativo em US$ 60,6 milhões, com a corrente de comércio alcançando US$ 7,04 bilhões no período.
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