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Capa Atualidades

Água do mar vira ativo estratégico e abre nova fronteira para a indústria

No Brasil, dessalinização da água tem custo até 10 vezes menor que tarifas de concessionárias e avança na indústria

INDÚSTRIA NEWS por INDÚSTRIA NEWS
18/03/2026
em Atualidades
Tempo de Leitura: 4 minutos
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água

A dessalinização consiste na remoção do sal e de outros minerais da água do mar ou da água salobra, o que viabiliza o uso para consumo humano e atividades produtivas (Foto: Letícia Carvalho/CNI)

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Com custos até dez vezes menores que as tarifas cobradas por concessionárias, a dessalinização da água desponta como alternativa economicamente viável para o abastecimento hídrico da indústria brasileira. Estudo da  Confederação Nacional da Indústria (CNI)  indica que o custo da água dessalinizada no país varia entre R$2,63 e R$4,21 por metro cúbico (m³), valor equivalente entre US$0,5 e US$0,8, considerando a cotação do dólar a R$5,26. Em comparação, as tarifas industriais podem alcançar patamares mais elevados, como no Rio de Janeiro, onde o preço do metro cúbico chega a R$43,29.

As tarifas de água e esgoto industrial são os preços pagos pelas indústrias às concessionárias de saneamento, públicas ou privadas, para receber água potável e para a coleta e o tratamento dos efluentes da produção. Esses valores costumam ser mais altos do que os cobrados de residências, porque as indústrias consomem grandes volumes de água e precisam cumprir exigências adicionais de qualidade e de tratamento dos resíduos antes do descarte na rede pública.

Para o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, a adoção da tecnologia amplia a autonomia do setor produtivo e reduz a exposição a cenários de escassez. “A dessalinização permite que a indústria desvincule o crescimento da disponibilidade limitada de água doce e garante previsibilidade às operações, mesmo em situações de pouca oferta ou quando ocorrem eventos extremos, como secas prolongadas”, afirma o presidente.

A dessalinização consiste na remoção do sal e de outros minerais da água do mar ou da água salobra, o que viabiliza o uso para consumo humano e atividades produtivas. A água salobra é aquela que apresenta uma quantidade de sal maior do que a água doce e menor que a água do mar. Esse tipo de água é encontrado, principalmente, em estuários, regiões costeiras e aquíferos subterrâneos.

O método de dessalinização mais usado atualmente é a osmose reversa. Nesse processo, a água passa por membranas semipermeáveis sob pressão, capazes de reter sais e impurezas dissolvidos.

Realidade global

Em diversas regiões do mundo, a dessalinização da água se tornou a solução para a manutenção da vida e da atividade econômica. Na Arábia Saudita, país com maior dependência da tecnologia, o processo responde por mais de 86% do abastecimento de água potável, agrícola e industrial, com capacidade instalada de 12,5 milhões de metros cúbicos por dia. Já em Israel, a dessalinização é responsável por cerca de 80% de toda a água produzida no país.

Segundo o Banco Mundial, mais de 150 países usam essa solução para atender aproximadamente 300 milhões de pessoas. No Brasil, devido à falta de regulação, não há uma estimativa de dessalinização da água.

O país possui vantagens competitivas relevantes, diferentemente dos países do Oriente Médio que enfrentam condições naturais extremas.

Impacto econômico e social

Os efeitos da dessalinização já se manifestam de forma concreta tanto na indústria quanto em territórios brasileiros com restrição hídrica. No setor industrial, a tecnologia garante autonomia no abastecimento e reduz a exposição a crises hídricas.

No Espírito Santo, a maior planta de dessalinização em operação no país atende a uma demanda equivalente à de uma população de 80 mil pessoas. A iniciativa assegura previsibilidade operacional em uma região com elevada concentração de atividades industriais.

O estudo da CNI também destaca experiências no setor de mineração, sobretudo em áreas com oferta limitada de água doce. Nesses casos, a dessalinização viabiliza a continuidade das operações e reduz a pressão sobre mananciais locais e os riscos associados à variação climática. A tecnologia também contribui para fortalecer a relação das empresas com as comunidades do entorno.

Além do uso industrial, os impactos alcançam economias locais dependentes do turismo e de serviços. Em Fernando de Noronha, a construção de uma usina de osmose reversa aumentou a oferta de água em 122% e eliminou o racionamento. O ganho de segurança hídrica criou condições para a expansão da atividade turística e resultou em crescimento de 69,4% na receita do setor.

Desafios para a liderança regional

Apesar do custo competitivo e da maturidade tecnológica, o estudo aponta a necessidade de avanços no ambiente regulatório. A complexidade do licenciamento ambiental e a ausência de um marco legal específico para o descarte da salmoura ainda criam incertezas e podem atrasar novos investimentos.


Leia também: Indústria química vê pressão de custos global, mas afasta risco de falta de insumos no Brasil

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Tags: águaBrasilCNIConfederação Nacional da IndústriaEspírito Santo
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