A Largo deu o primeiro passo para transformar cobre e metais preciosos em uma nova fonte de receita na Bahia, aproveitando uma operação que já existe para produzir vanádio. A Agência Nacional de Mineração (ANM) autorizou a empresa a produzir e vender concentrados de cobre contendo metais do grupo da platina (PGM), além de níquel e cobalto, como subprodutos da atividade na Mina Maracás Menchen, no município de Maracás, no sudoeste baiano.
A empresa já iniciou o aumento gradual da produção do novo concentrado. A estratégia chama atenção por um motivo: a Largo pretende fazer isso usando a estrutura de processamento que já possui, sem a necessidade, neste primeiro momento, de construir uma nova planta dedicada ao cobre.
Os testes realizados em escala industrial nos últimos meses indicaram que é tecnicamente possível recuperar um concentrado comercial contendo cobre, platina, ouro, paládio, prata, cobalto e níquel. A companhia agora negocia com fundições e comerciantes os termos para um possível primeiro carregamento.
A autorização da ANM também muda a utilização de parte da estrutura existente. A Largo decidiu suspender temporariamente a produção de concentrado de ilmenita, usado para a obtenção de titânio, e direcionar a estrutura de flotação para a produção de cobre-PGM.
A aposta da companhia é que o novo produto apresente margens superiores às obtidas com a ilmenita. O resultado, porém, ainda dependerá da capacidade de ampliar a produção, recuperar os diferentes metais e fechar contratos comerciais em condições favoráveis.
Mais metais no mesmo minério
A oportunidade surgiu a partir da identificação de cobre e outros elementos na própria operação de Maracás Menchen. Em vez de tratar esses materiais apenas como componentes secundários do processo, a Largo passou a avaliar sua recuperação comercial.
A lógica econômica é direta: extrair mais valor de uma base mineral e de uma infraestrutura que já estão em operação.
O projeto utiliza o circuito de flotação de ilmenita existente. Segundo a companhia, isso reduz a necessidade de investimentos adicionais e encurta o caminho entre os testes industriais e a produção comercial.
“A aprovação da ANM representa um importante marco estratégico para o avanço do cobre e dos subprodutos de PGM rumo à produção e venda comercial”, afirmou Alberto Arias, presidente executivo e Co-CEO da Largo.
Segundo ele, a empresa identificou uma oportunidade de recuperar metais críticos a partir da estrutura já instalada. “Nossos testes em escala industrial realizados nos últimos meses demonstraram o potencial de produzir um concentrado comercializável utilizando nosso circuito de flotação de ilmenita existente”, disse.
A ilmenita fica em segundo plano
A decisão de interromper temporariamente a produção de ilmenita não significa necessariamente o abandono desse mercado. A Largo pretende avaliar, nos próximos meses, quais equipamentos adicionais seriam necessários para recuperar o concentrado de ilmenita a partir dos rejeitos gerados pela flotação do cobre.
A empresa deverá fazer essa avaliação em conjunto com seus principais clientes de ilmenita.
A mudança mostra como a companhia está tentando reorganizar o fluxo de produção da mina para capturar maior valor por tonelada de minério processado. O cobre e os metais do grupo da platina passam a ocupar, neste momento, uma posição prioritária porque apresentam potencial de retorno maior.
Ainda não há, contudo, uma projeção definitiva de produção ou receita com o novo concentrado. A Largo informou que pretende apresentar orientações sobre volumes e vendas no relatório de resultados do segundo trimestre, previsto para 14 de agosto.
De vanádio a uma operação mais diversificada
A iniciativa representa uma mudança relevante na estratégia da Largo no Brasil. A empresa é conhecida principalmente pela produção de vanádio, utilizado em setores como siderurgia, aeroespacial, defesa, indústria química e armazenamento de energia.
A inclusão de cobre, platina, ouro, paládio, prata, níquel e cobalto amplia o leque de materiais que podem ser obtidos a partir da mesma operação.
Para a mineração baiana, o movimento também reforça uma tendência que vem ganhando importância: agregar mais valor ao minério extraído antes de sua comercialização.
Em vez de ampliar a produção apenas pela abertura de novas frentes de lavra ou pela construção de grandes estruturas, a Largo está testando uma estratégia diferente: aproveitar materiais que já estão presentes no processo industrial e transformá-los em produtos comercializáveis.
“O início da produção de concentrados de cobre e PGM apoia nossa estratégia de transformar a Largo em uma produtora mais diversificada de outros minerais críticos e metais preciosos”, afirmou Jim Bannantine, Co-CEO da empresa.
O executivo destacou que a oportunidade foi identificada no fim de 2025 e avançou rapidamente para os testes industriais. “Esse trabalho demonstra a excepcional riqueza mineral da Mina Maracás Menchen, além de vanádio, titânio e ferro”, disse.
O próximo teste será comercial
A parte mais importante do projeto começa agora. A viabilidade técnica já foi testada em escala industrial. Falta comprovar a viabilidade econômica em escala comercial.
A Largo está discutindo com fundições e comerciantes as condições para o primeiro carregamento de concentrado. Nesse tipo de operação, o preço final não depende apenas da quantidade de cobre recuperada. O teor dos metais presentes, os custos de tratamento e refino e as condições de pagamento pelos diferentes elementos também influenciam o retorno.
A companhia terá ainda de definir quanto poderá produzir de forma regular e qual será o impacto da nova operação sobre o restante do processamento de Maracás Menchen.
É por isso que o próximo balanço ganha importância. A Largo deverá apresentar em agosto as primeiras orientações sobre produção e vendas de cobre-PGM, dando ao mercado uma dimensão mais concreta do potencial econômico identificado nos testes.
ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS
A novidade mais relevante não é simplesmente a descoberta de cobre na operação da Largo. É a possibilidade de transformar subprodutos em uma nova linha de negócio sem começar do zero.
Esse detalhe muda a equação. Uma mina já licenciada, uma estrutura de processamento instalada e uma operação de vanádio em funcionamento reduzem parte do capital necessário para testar a nova frente. Se os concentrados alcançarem escala comercial e bons preços, a empresa poderá aumentar a receita da unidade sem depender exclusivamente do comportamento do mercado de vanádio.
Há também uma questão estratégica para a Bahia. Cobre, níquel, cobalto e metais do grupo da platina estão entre os materiais associados a cadeias industriais de maior valor e a tecnologias consideradas estratégicas para a transição energética e a indústria avançada.
Ainda é cedo para medir o tamanho econômico dessa nova operação. A Largo não apresentou uma estimativa de receita ou produção anual, e o primeiro carregamento ainda está em negociação.
Mas o movimento já mostra uma mudança de direção: Maracás Menchen deixa de ser vista apenas como uma mina de vanádio e passa a ser tratada como uma plataforma para recuperar diferentes minerais a partir de uma mesma operação.
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