
A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros chega em um momento delicado para o setor produtivo baiano. Antes mesmo da entrada em vigor da medida, as exportações da Bahia para o mercado americano já haviam encolhido 14% no primeiro semestre deste ano, passando de cerca de US$433,9 milhões para US$ 373,2 milhões. Na prática, foram US$60,7 milhões a menos em negócios com um dos principais parceiros comerciais do estado.
Os dados fazem parte de levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado após o anúncio feito pelo governo norte-americano na noite desta quarta-feira (15). A entidade avalia que a nova sobretaxa tende a acelerar a perda de competitividade da indústria brasileira e ampliar os efeitos já observados desde o início da política tarifária adotada pelos Estados Unidos em 2025.
Apesar de os Estados Unidos responderem por 6,3% das exportações baianas, percentual bem inferior ao registrado em estados como Sergipe (52,3%), Ceará (33,4%) e Espírito Santo (27,5%), o mercado americano continua estratégico para diversos segmentos industriais instalados na Bahia.
Os números mostram que o problema não é isolado. Segundo a CNI, 20 dos 27 estados brasileiros reduziram suas exportações para os Estados Unidos entre janeiro e junho deste ano. A Bahia aparece como o 10º maior exportador brasileiro para aquele mercado, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Pará.
No cenário nacional, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13% no primeiro semestre, uma redução equivalente a US$2,6 bilhões. Entre os produtos mais atingidos estão semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido, pasta química de madeira, petróleo e derivados, além de ligas metálicas.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o novo aumento das tarifas aprofunda uma tendência que já vinha comprometendo o desempenho da indústria nacional.
“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira.”
Análise
O dado mais importante da pesquisa talvez não seja a nova tarifa, mas o fato de que seus efeitos já começaram a aparecer antes mesmo da medida entrar em vigor. A queda de 14% nas exportações baianas indica que empresas instaladas no estado já enfrentavam um ambiente comercial menos favorável com os Estados Unidos.
A Bahia não figura entre os estados mais dependentes do mercado americano, mas concentra indústrias exportadoras relevantes em setores como petroquímica, papel e celulose, mineração, pneus, produtos químicos e derivados de petróleo. Em segmentos de margens estreitas, qualquer aumento de custo pode significar perda de competitividade frente a concorrentes de outros países.
Outro aspecto relevante é que a retração ocorre em um momento em que a indústria brasileira tenta ampliar mercados externos para compensar o ritmo mais lento da economia mundial. Se a disputa comercial se intensificar, o desafio deixa de ser apenas vender menos para os Estados Unidos e passa a ser encontrar novos destinos para produtos de maior valor agregado.
O que fica dessa história
A Bahia perdeu cerca de US$60 milhões em exportações para os Estados Unidos no primeiro semestre, antes da nova sobretaxa de 25% anunciada por Washington. O dado reforça que os efeitos da guerra tarifária já são concretos e tendem a aumentar a pressão sobre a indústria exportadora. O desafio agora será preservar competitividade e acelerar a diversificação dos mercados compradores.
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