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Capa Atualidades

Bahia sente o peso do cenário global e exportações recuam 20% em março

Queda no volume embarcado e avanço das importações levam estado ao déficit no primeiro trimestre do ano

MARCELO SAMPAIO por MARCELO SAMPAIO
08/04/2026
em Atualidades
Tempo de Leitura: 3 minutos
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exportações

Comércio exterior da Bahia perde força em março e liga alerta para 2026 (Foto: Victor Britto/Porto de Salvador)

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As exportações baianas perderam fôlego em março e refletem, com clareza, o impacto das turbulências no cenário internacional. Segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), o estado exportou US$801,7 milhões no mês — o pior desempenho para março desde 2021 e uma queda de 20% na comparação com 2025. O recuo foi puxado principalmente pela redução no volume embarcado, que despencou 26,4%, mesmo com os preços médios registrando alta de 8,6%. Ou seja: o problema não foi preço, foi quantidade.

O principal impacto veio dos derivados de petróleo, com queda expressiva de 84,6% nos embarques, influenciada pela taxação imposta pelo governo federal para conter os efeitos da volatilidade internacional. A soja também perdeu espaço, possivelmente por menor produtividade, enquanto a celulose foi afetada por ajustes de preço e mudanças na demanda global.

O cenário foi de retração quase generalizada. A agropecuária ficou estável, mas a indústria extrativa despencou 49,3%, afetada pela ausência de embarques de cobre e níquel. Já a indústria de transformação caiu 40,3%, pressionada pela redução nas vendas de petróleo, celulose e derivados de cacau.

No mapa global, houve avanço das exportações para Canadá e União Europeia, mas perdas relevantes nos mercados tradicionais: China e Estados Unidos. No caso americano, pesam os efeitos da política tarifária; no chinês, a menor demanda por commodities-chave.

Importações

Enquanto as exportações recuaram, as importações seguiram em trajetória oposta. Cresceram 20,7% em março, no terceiro mês consecutivo de alta, impulsionadas pela resiliência da atividade econômica e pelos preços internacionais.

O destaque ficou para a explosão nas compras de bens de consumo, especialmente veículos chineses, que saltaram mais de 1.200%. O movimento reflete uma corrida antecipada diante da retomada gradual das tarifas de importação para veículos eletrificados.

Também avançaram as importações de bens de capital (+70,2%), sinalizando investimentos em infraestrutura e expansão produtiva. Já os bens intermediários, que dominam a pauta, permaneceram praticamente estáveis, acompanhando o ritmo ainda lento da indústria.

No acumulado do trimestre, o sinal é mais preocupante: as exportações somaram US$2,47 bilhões (-11,2%), enquanto as importações chegaram a US$2,62 bilhões (+10%). O resultado foi a reversão da balança comercial, com déficit de US$149,4 milhões, após superávit de quase US$400 milhões no mesmo período do ano passado.

O que está por trás dos números 

Os dados escancaram uma fragilidade estrutural da economia baiana: a forte dependência de commodities e de fatores externos.

A queda nas exportações não veio de uma crise interna, mas de três vetores claros:

  • interferência direta de política econômica (taxação do petróleo),
  • oscilação da demanda global (China),
  • e tensões geopolíticas que afetam preços e fluxos comerciais.

Isso revela um ponto crítico: a Bahia cresce quando o mundo ajuda  e sente rápido quando o cenário externo piora.

Por outro lado, o avanço das importações traz um sinal ambíguo. De um lado, indica atividade econômica ainda aquecida e investimento produtivo, especialmente com a alta de bens de capital. De outro, reforça a dependência externa e pressiona a balança comercial.

O salto nas compras de veículos importados, especialmente da China, também evidencia um desafio competitivo para a indústria nacional e local.

No fim, o saldo negativo da balança no trimestre acende um alerta importante: sem diversificação da pauta exportadora e maior agregação de valor, a Bahia segue vulnerável a choques externos, mesmo em momentos de crescimento.

Em resumo: o estado continua crescendo, mas com um modelo exposto demais ao que acontece fora — e isso cobra seu preço.


Leia também: O ‘elefante branco’ da Pituba e o custo da ineficiência

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Tags: BahiaceluloseChinaexportaçõesimportaçõesindústriaindústria de transformaçãoindústria extrativapetróleoSEIsoja
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