A OR inicia 2026 com um banco de terrenos robusto em Salvador e planos ambiciosos para o mercado de alto padrão. A incorporadora possui terrenos em áreas estratégicas como Corredor da Vitória, Horto, Barra, Ondina e Garibaldi, além de um projeto em estudo para o Centro Histórico. Segundo o diretor superintendente na Bahia, Daniel Sampaio, a empresa soma cerca de R$3,5 bilhões em VGV potencial já “dentro de casa”, o que exige cautela no ritmo de lançamentos. “A gente não quer ser a maior incorporadora, quer ser a melhor, entregando diferenciação e qualidade”, afirmou.
A entrevista ao Webinar da Indústria foi gravada no dia 12 de fevereiro, uma semana antes de a Justiça Federal determinar a suspensão dos alvarás de licença dos empreendimentos Infinity Blue e Infinity Sea, na Praia do Buracão, no Rio Vermelho, sob responsabilidade da incorporadora. A ação civil foi movida sob o argumento de que os alvarás foram concedidos com a dispensa indevida das análises ambientais e urbanísticas necessárias, representando danos ambientais como o sombreamento da praia.
Em nota, a OR informou que realizou todos os estudos técnicos necessários, de forma detalhada, baseados em diagnóstico sócio-ambiental. “Todos os levantamentos exigidos foram devidamente apresentados e aprovados pelos órgãos competentes, cumprindo integralmente as exigências legais e ambientais. A empresa reafirma seu compromisso com o desenvolvimento urbano sustentável, pautado pelo respeito à comunidade local, pela transparência de suas ações e pela permanente disposição ao diálogo com a sociedade”, diz a nota.

Balanço de 2025
Durante a entrevista ao Webnar da Indústria, Daniel Sampaio classificou o ano de 2025 como “de muita realização”. A empresa atingiu a última laje do Legacy, no Caminho das Árvores – apontado como o prédio mais alto da Bahia, cuja entrega vai ocorrer até junho do ano que vem – e ampliou sua atuação com quatro obras simultâneas. Também conquistou novos terrenos em áreas valorizadas e retomou investimentos no segmento de média renda. “Hoje a gente está com um land bank (banco de terrenos) muito grande e o desafio agora é realizar”, resume.
Quanto aos próximos passos, a OR estuda o Centro Histórico de Salvador como a “maior joia urbana” da cidade. Embora reconheça os desafios de segurança e a necessidade de ocupação inicial para atrair novos investimentos, Sampaio confirmou que a empresa está em fase final de negociação para um projeto na região. A ideia é replicar modelos de sucesso internacional, como o de Lisboa, unindo o charme histórico à funcionalidade moderna.
O executivo da OR vê Salvador em ciclo favorável. Segundo ele, a capital registrou valorização imobiliária acima de 17% em 2025 e mantém estoque , equivalente a cerca de 10 meses de vendas. “Eu sou bem otimista com o cenário. A gente tem muita oportunidade de continuar impulsionando o mercado imobiliário”, diz. A estratégia, porém, é escalonar lançamentos entre R$500 milhões e R$800 milhões por ano, evitando pulverização e preservando padrão de entrega.
Juros
Durante a entrevista, Daniel Sampaio destacou que o momento econômico, com a sinalização de queda nos juros pelo Banco Central, é o gatilho necessário para o investidor: “A sinalização de que os juros podem cair ao longo do ano gera no consumidor a vontade de adquirir o imóvel, aproveitando o momento do lançamento”.
Defendeu ainda a verticalização como instrumento de eficiência urbana e ambiental, ao concentrar infraestrutura e reduzir expansão horizontal. “Ser sustentável não é caro, é uma questão de postura”, afirma. A empresa aposta em reúso de água, energia fotovoltaica, industrialização de canteiro e programas sociais no entorno dos projetos, além de certificações externas para chancelar os empreendimentos.
Para o futuro, Daniel Sampaio aposta na personalização como diferencial competitivo no mercado de luxo. “O imóvel do futuro é aquele que vai conseguir personalizar mais do que o outro. O cliente quer o imóvel que ele quer, com sua identidade, e o nosso desafio é atender a essa necessidade específica”.
QUEM É
Daniel Sampaio é diretor superintendente da OR na Bahia, com vasta experiência no setor imobiliário e uma trajetória consolidada na liderança de projetos de grande relevância urbana e social no estado. Reconhecido por sua atuação estratégica, tem representado a empresa em importantes fóruns e eventos do mercado, contribuindo com debates sobre inovação, desenvolvimento urbano sustentável e o futuro das cidades.
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