A indústria brasileira de alimentos e bebidas encerrou 2025 com faturamento de R$1,388 trilhão, crescimento de 8,02% em relação a 2024, consolidando-se como um dos principais pilares da economia nacional. O resultado, que inclui vendas internas e exportações, representa 10,9% do PIB brasileiro, segundo balanço divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo mercado doméstico. As vendas internas somaram R$1,02 trilhão, sendo R$732 bilhões no varejo e R$287,9 bilhões no food service, segmento ligado ao consumo fora do lar. No total, as vendas reais do setor cresceram 2,2%, enquanto a produção física atingiu 288 milhões de toneladas, avanço de 1,9% no ano.
Mesmo diante de um ambiente de custos mais elevados — com aumento de 5,1% nos gastos de produção, pressionados por matérias-primas agrícolas, embalagens, energia e combustíveis — a indústria conseguiu limitar o repasse de preços ao consumidor. Enquanto a inflação oficial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou em 4,26%, os alimentos registraram alta de 2,95%.
“O ano de 2025 colocou à prova a resiliência da indústria de alimentos, que demonstrou mais uma vez ser uma força de estabilidade para os lares brasileiros. Buscamos eficiência e inovação para amortecer parte das pressões de custo e contribuir para manter a inflação dos alimentos abaixo da inflação geral”, afirmou João Dornellas, presidente executivo da Abia.
Emprego em alta
O setor também se destacou na geração de empregos. Em 2025, foram 51 mil novas vagas formais, o equivalente a 44,6% de todos os postos criados na indústria de transformação no período.
Com isso, o número de trabalhadores diretos chegou a 2,125 milhões, crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior. Considerando os empregos indiretos – envolvendo atividades como agricultura, embalagens, logística e transporte – a cadeia da indústria de alimentos alcançou 10,6 milhões de postos de trabalho, o equivalente a 10,3% da força de trabalho ocupada no país.
“A indústria de alimentos tem um efeito multiplicador importante. Para cada trabalhador dentro das nossas fábricas, outros quatro atuam ao longo da cadeia produtiva”, destacou Dornellas.
Investimentos e exportações
Para sustentar a expansão e ampliar a competitividade, as empresas do setor investiram R$41,3 bilhões em 2025, alta de 6,8% sobre o ano anterior. Desse total, R$26,7 bilhões foram destinados à modernização de plantas industriais, inovação e novas tecnologias.
No mercado internacional, as exportações da indústria de alimentos somaram US$66,73 bilhões, crescimento de 0,7% mesmo diante de um cenário global mais desafiador. A Ásia permaneceu como principal destino das vendas externas brasileiras, respondendo por 41,1% das exportações, com destaque para a China.
O setor exportou para mais de 190 países e territórios e registrou saldo comercial de US$57,5 bilhões, responsável por 84,2% de todo o superávit da balança comercial brasileira.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a expectativa é de continuidade do crescimento, ainda que em ritmo moderado. A ABIA projeta expansão das vendas reais entre 2% e 2,5%, impulsionada pela demanda doméstica e pela recuperação gradual do mercado externo.
“A combinação de estabilidade da safra, redução gradual dos juros e um ambiente econômico mais previsível cria condições favoráveis para o planejamento das empresas”, afirmou Dornellas. Segundo ele, apesar da pressão de custos – especialmente com embalagens – o setor entra no novo ciclo com bases sólidas para seguir investindo, gerando empregos e ampliando sua contribuição para o desenvolvimento econômico do país.
📊 Números da indústria de alimentos em 2025
- Faturamento total: R$ 1,388 trilhão (+8,02%)
- Participação no PIB: 10,9%
- Produção física: 288 milhões de toneladas (+1,9%)
- Vendas no mercado interno: R$ 1,02 trilhão
- Empregos diretos: 2,125 milhões
- Empregos na cadeia produtiva: 10,6 milhões
- Novas vagas em 2025: 51 mil
- Investimentos do setor: R$ 41,3 bilhões
- Exportações: US$ 66,73 bilhões
- Saldo comercial: US$ 57,5 bilhões
- Países atendidos: Mais de 190 mercados
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