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Capa Radar da Indústria

Uma potência que nasceu em Salvador

De uma empresa de limpeza fundada em 1962 na capital baiana ao maior grupo de serviços terceirizados do país: o crescimento acelerado do Grupo GPS, com receita de R$17,3 bi, impressiona pelo tamanho e pelo apetite por aquisições

GERALDO BASTOS por GERALDO BASTOS
11/03/2026
em Radar da Indústria
Tempo de Leitura: 5 minutos
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Radar

Pouca gente sabe, mas um dos maiores grupos de serviços do Brasil nasceu em Salvador. A história do Grupo GPS começou em 1962, com a criação da Predial Limpeza e Higienização, empresa que prestava serviços básicos de conservação e limpeza. Décadas depois, o negócio se transformaria em um conglomerado nacional de soluções empresariais.

Hoje, o grupo atua em áreas como facilities, segurança, logística, engenharia de utilidades, alimentação corporativa, recursos humanos, trade marketing e serviços industriais.

Em 2025, a empresa registrou receita líquida de R$17,3 bilhões (17% acima de 2024)  e lucro líquido de R$822 milhões (5% superior a 2024). Nada mal, não é mesmo?

A operação é um colosso: reúne 4.635 clientes, mais de 185 mil colaboradores e 54 empresas integradas, consolidando presença em todo o território nacional.

O crescimento ganhou velocidade após a abertura de capital na bolsa, em 2021.

O que aconteceu a partir daí?

O grupo realizou 26 aquisições, ampliando sua presença em diferentes segmentos de serviços e reforçando a estratégia de consolidação de mercado.

Como parte dessa expansão, a companhia está construindo uma nova sede corporativa, em São Paulo, em um terreno de 18,6 mil m², com investimento de R$212 milhões e capacidade para concentrar diversos centros administrativos.

O caso do Grupo GPS ilustra bem um fenômeno pouco percebido: empresas que começaram prestando serviços considerados simples e, com escala e estratégia, se transformaram em plataformas nacionais de soluções empresariais.

Um caso emblemático de empresa nascida na Bahia que ganhou escala nacional e hoje movimenta bilhões na economia brasileira.

GPS
O Grupo GPS reúne 4.635 clientes, mais de 185 mil colaboradores e 54 empresas integradas

Para onde vai a nova fábrica da Cimed?

A farmacêutica Cimed avalia instalar uma fábrica no Nordeste até 2027 –  e a Bahia está entre os estados na disputa pelo investimento, ao lado de Ceará e Pernambuco. Em entrevista ao jornal Diário do Nordeste, o CEO da farmacêutica, João Adibe, disse que a unidade deverá focar nas linhas de higiene e beleza, segmento que tem puxado a expansão da empresa.

João Adibe
O CEO João Adibe projeta faturamenrto  de R$10 bilhões este ano (Foto: Celso Doni/Divulgação)

A companhia projeta alcançar R$ 10 bilhões em faturamento até 2030. A decisão passará pela capacidade dos portos e, claro, pela “sedução” das gestões estaduais.

A disputa pela nova planta da Cimed não é apenas por m² de galpão, mas por eficiência logística em um mercado que “explodiu” no último ano.

O Nordeste encerrou 2025 liderando o crescimento do varejo farmacêutico no Brasil, com alta de 11,7% no faturamento, superando a média nacional de 10,2%.

Freio nas exportações

As exportações de calçados da Bahia começaram o ano em queda. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nas estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que os embarques do estado recuaram de forma expressiva em fevereiro.

No mês, foram exportados 270,9 mil pares, que geraram US$ 4,9 milhões. O resultado representa retração de 27,1% em volume e de 33,7% em receita na comparação com fevereiro do ano passado.

No acumulado do primeiro bimestre, o desempenho também é negativo. As vendas externas somaram 554 mil pares, com faturamento de US$ 9,3 milhões, quedas de 19,8% e 31,9%, respectivamente, frente ao mesmo período de 2025.

O que aconteceu?

Segundo a entidade, o recuo reflete a instabilidade do mercado internacional, especialmente nos Estados Unidos, além da desaceleração do consumo na Argentina, historicamente um dos principais destinos do calçado brasileiro. A pressão aumenta com o avanço da concorrência asiática naquele mercado – um desafio crescente para a indústria nacional.

Briga pelos grãos do Oeste

A estreia do Porto de Aratu-Candeias (leia-se CS Portos) na operação de granéis vegetais inaugura uma nova disputa logística na Bahia. O terminal passou a embarcar sorgo do oeste baiano, entrando no radar do agronegócio regional.

Hoje, boa parte da soja e do algodão da região ainda segue para o Porto de Santos, a cerca de 1.600 km de distância. Pelo Porto de Salvador – onde o Tecon Salvador já opera a exportação de algodão em contêineres – o trajeto cai para cerca de 900 km, reduzindo significativamente o frete rodoviário.

Com a Ásia entre os principais destinos da soja e do algodão baiano, a disputa entre os portos locais pode mudar o mapa logístico do agro no estado –  e aliviar custos para os produtores.

Porto de Aratu
A modernização do terminal foi realizada pela CS Portos, empresa da CS Infra

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Radar da Indústria é uma coluna semanal sobre os movimentos que moldam a indústria e a economia da Bahia. Aqui, investimentos, negócios, energia, infraestrutura e política econômica são analisados sem maquiagem. O foco está no que muda o jogo – e no que trava o desenvolvimento. Com informação, bastidor e leitura crítica, o Radar aponta riscos, oportunidades e contradições. Porque entender a indústria é entender o futuro do estado.


Leia também: Fiol II destrava obra de RS468 milhões após quase 10 anos parada na Bahia

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Tags: algodãoBahiaCearáCimedGrupo GPSPernambucosojaTecon
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