
A Engie Brasil Energia segue aprofundando sua aposta na Bahia. A companhia desenvolve três novos projetos renováveis no estado: o Conjunto Eólico Umburanas (Fase II) com 250 MW, o Conjunto Eólico Campo Largo (Fase III) também com 250 MW, e o Conjunto Fotovoltaico Alvorada, com 100 MW. São mais 600 MW em gestação num território que já virou ativo estratégico da empresa.
Em 2025, o Conjunto Eólico Serra do Assuruá entrou 100% em operação comercial, somando 846 MW de capacidade instalada, 24 parques e 188 aerogeradores, com investimento de R$6 bilhões.
No front da infraestrutura, o primeiro trecho do Sistema de Transmissão Asa Branca – linha 500 kV entre Morro do Chapéu II e Poções III, com 334 km – começou a operar, viabilizando o escoamento da energia do Nordeste para o Sudeste.
A equação é clara: geração robusta, transmissão estruturante e escala crescente.
A dúvida é outra: a Bahia será apenas exportadora de elétrons ou conseguirá transformar essa potência energética em vantagem industrial concreta?
Construção puxa, transformação quase para
A Bahia abriu 6.124 vagas formais em janeiro, segundo dados do Caged. O número é positivo. Mas a composição merece atenção. Serviços puxaram o resultado, com 4.324 postos. Já indústria e construção, juntas, criaram 3.744 empregos.
À primeira vista, um sinal de retomada do setor produtivo. Mas o detalhe muda a leitura.
A construção, com 2.722 novos empregos, continua sendo o “pulmão” que mantém os índices de pé, impulsionada por edifícios e obras de infraestrutura Isso indica obras em andamento e algum dinamismo em investimentos. É um setor essencial, mas volátil.
O problema real aparece quando isolamos a indústria:
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Das 1.022 vagas industriais, a imensa maioria (784) veio do setor de eletricidade e gás.
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Enquanto isso, a indústria de transformação – aquela que agrega valor, gera tecnologia e sustenta cadeias produtivas complexas – entregou um desempenho anêmico: apenas 51 vagas.
Construção é ciclo. Indústria de transformação é estrutura.
Sem o vigor da transformação, o estado corre o risco de criar uma economia de “passagem” e “manutenção”, perdendo a chance de liderar uma reindustrialização real no Nordeste. Sem reação consistente da manufatura, a Bahia continuará dependente de serviços e de setores menos intensivos em tecnologia.
Janeiro foi positivo no papel, mas deixou um gosto de “quero mais” (e de “preciso de mais”) para o setor fabril.
Expansão sem fábrica forte
O PIB cresceu 2,3% em 2025. Parece um número confortável. Não é. A indústria avançou apenas 1,4% – e o detalhe importa: quem sustentou o resultado foram as indústrias extrativas, embaladas por petróleo e gás.
A indústria de transformação (de novo ela), que gera encadeamento, tecnologia e produtividade, encolheu 0,2% no ano e caiu 0,6% no quarto trimestre, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ou seja: o chão de fábrica perdeu força justamente quando o PIB fechava no azul.
O retrato é claro. Crescemos puxados por agro e commodities, menos sensíveis aos juros altos. A política monetária contracionista segurou consumo e investimento produtivo. A Formação Bruta de Capital Fixo até subiu 2,9%, mas com peso maior de importação de bens de capital – não da produção doméstica.
Há oportunidades? Sim.
A resiliência da extração e a alta do investimento indicam demanda por infraestrutura, energia e logística. Mas, sem reação da transformação, o país aprofunda sua dependência primária.
O alerta está dado: crescimento sem indústria forte é expansão de curto prazo. Competitividade estrutural é outra conversa.
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