
A indústria da Bahia até conseguiu encerrar 2025 com crescimento, mas o número esconde mais alerta do que alívio. Segundo o IBGE, a produção industrial do estado avançou apenas 0,3% no acumulado do ano em relação a 2024, repetindo um segundo crescimento anual consecutivo, porém abaixo da média nacional (0,6%) e distante dos estados que efetivamente aceleraram a atividade industrial.
O resultado coloca a Bahia apenas na 8ª posição entre 18 estados, em um cenário no qual quase metade das unidades da federação ainda registrou queda. Ou seja: o desempenho baiano não foi exatamente ruim, mas tampouco sinaliza um ciclo robusto de retomada.
Essa leitura cautelosa fica ainda mais clara quando se observa como esse crescimento foi construído. A alta anual só foi possível porque apenas 4 das 10 atividades da indústria de transformação cresceram, enquanto a indústria extrativa voltou a recuar (-0,5%), acumulando o quarto ano seguido de retração.
O grande sustentáculo do resultado veio novamente da fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que cresceu 5,1% em 2025. Apesar de não ter sido a maior alta entre os segmentos, foi disparado o principal motor da indústria baiana, por responder sozinha por quase um terço de todo o valor industrial gerado no estado. O setor, aliás, acumula o quarto ano consecutivo de crescimento, reforçando sua centralidade – e também a dependência estrutural da indústria local.
Outro destaque positivo foi a fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, com alta expressiva de 11,5%, a maior entre as atividades pesquisadas, marcando o segundo avanço anual consecutivo.
Do lado negativo, a indústria química voltou a pesar contra o desempenho do estado. O setor registrou queda de 8,2%, após ter crescido em 2024, e foi o principal freio da indústria baiana no ano. Também chama atenção a forte retração da indústria de couros e calçados (-12,3%), que caiu pelo segundo ano seguido e respondeu pela segunda maior contribuição negativa do período.

Dezembro joga água fria no fechamento do ano
Se o saldo anual já é modesto, dezembro foi um choque de realidade. Um desastre. Na passagem de novembro para dezembro de 2025, a produção industrial da Bahia despencou 10,1%, já descontados os efeitos sazonais. Foi o pior resultado mensal do estado em quatro anos e a maior queda para um mês de dezembro em 17 anos.
O desempenho foi o pior entre os 15 locais pesquisados nesse tipo de comparação e muito mais intenso do que a queda nacional (-1,2%).
Na comparação com dezembro de 2024, a indústria baiana também voltou ao terreno negativo, com retração de 9,2%, interrompendo uma sequência de quatro meses de crescimento. Novamente, o resultado foi um dos piores do país – empatado com o Rio Grande do Norte e à frente apenas do Pará.
O que isso diz e por que importa
O que aconteceu
A indústria baiana cresceu em 2025, mas o fez de forma frágil, concentrada e pouco disseminada. O avanço foi sustentado por poucos setores, sobretudo o complexo de petróleo e derivados, enquanto grande parte da indústria perdeu fôlego. O tombo de dezembro escancarou essa vulnerabilidade.
Por que isso importa
Porque um crescimento de 0,3%, após anos de desempenho irregular, não altera o patamar industrial do estado. A forte dependência de um único segmento deixa a indústria baiana exposta a choques específicos, sejam eles de preços, demanda ou regulação. Além disso, a queda abrupta no fim do ano levanta dúvidas sobre o ritmo de 2026, especialmente em um ambiente de juros ainda elevados, crédito restrito e demanda instável.
O que fazer
O dado exige mais do que comemoração estatística. Ele reforça a necessidade de:
- Diversificar a base industrial, reduzindo a dependência excessiva do setor de petróleo e derivados;
- Reativar segmentos tradicionais, como o químico e o de couros e calçados, hoje em retração;
- Apostar em investimentos produtivos, inovação e encadeamento industrial, para transformar crescimento pontual em trajetória sustentável.
Em resumo: a indústria da Bahia fechou 2025 no positivo, mas o desempenho de dezembro deixa claro que o sinal está longe de ser verde. É um crescimento que pede leitura crítica – e ação.
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