A Petrobras decidiu ficar de fora, por ora, da possível troca de controle na Braskem. Em reunião realizada nesta quarta-feira (11), o Conselho de Administração da estatal aprovou o não exercício dos direitos que lhe permitiriam acompanhar ou até disputar a operação envolvendo a fatia da Novonor na petroquímica. A participação poderá ser transferida para o Shine I Fundo de Investimento em Direitos Creditórios de Responsabilidade Limitada (FIDC)
Na prática, a Petrobras abre mão, neste momento, de usar seus mecanismos contratuais para interferir diretamente na transação. O movimento sinaliza cautela – e leitura de cenário. A operação ainda está em negociação e os termos finais não foram apresentados.
Ao autorizar a Diretoria Executiva a formalizar a decisão, a estatal mantém espaço para agir quando – e se – os detalhes concretos forem oficialmente comunicados.
A Braskem é a sexta maior petroquímica do mundo, e a controladora, a Novonor (antiga Odebrecht), está em recuperação judicial ─ condição em que uma empresa tenta, com aval da Justiça, renegociar dívidas para evitar falência.
Dona de 50,1% das ações da Braskem com poder de voto, a Novonor já anunciou que quer vender a empresa, que enfrenta uma crise financeira por causa do mercado petroquímico em baixa internacionalmente.
Em dezembro, a Novonor comunicou que fez um acordo de exclusividade com um fundo de investimentos que assumirá as dívidas da companhia em troca de receber as ações que estão com a antiga Odebrecht, ou seja, se tornando controlador da Braskem.
O fundo de investimento se chama Shine e é assessorado pela IG4 Capital, especializada em recuperação de empresas e dificuldade.
Sócia e fornecedora
Além de sócia, a Petrobras é fornecedora da Braskem. Em dezembro, a estatal renovou contratos de venda de matéria-prima que superam R$90 bilhões, na contação atual do dólar. Os acordos são de longo prazo, com validade de até 11 anos.
A Braskem possui unidades industriais nos Estados Unidos, Alemanha e México, além de no Brasil.
A companhia tem 8 mil funcionários e clientes em mais de 70 países. A companhia foi criada em agosto de 2002 pela integração de seis empresas da Organização Odebrecht e do Grupo Mariani.
E a Bahia com isso?
O recado da Petrobras ecoa com força especial no Polo Industrial de Camaçari. Como a Braskem é o “coração” do polo baiano, qualquer mudança em seu controle societário redefine o futuro da cadeia química e plástica de todo o Nordeste.
A entrada de um novo protagonista – como um fundo de investimento – levanta dúvidas sobre a manutenção do ritmo de aportes e as prioridades estratégicas da companhia no estado. Para o empresariado baiano e para os milhares de trabalhadores do Polo, a pergunta é se o novo comando manterá o compromisso com a expansão e a modernização da planta ou se o foco passará a ser estritamente financeiro de curto prazo.
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