A produção industrial da Bahia manteve trajetória positiva em novembro de 2025 e avançou 1,5% na comparação com o mesmo mês de 2024, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) Regional, do IBGE. Foi o quarto resultado positivo consecutivo nessa base de comparação e um desempenho bem superior ao da média nacional, que registrou queda de 1,2% no período.
O resultado colocou a Bahia como o 5º melhor desempenho entre os 18 estados pesquisados, atrás apenas de Espírito Santo (36,8%), Minas Gerais (5,1%) e Rio de Janeiro (3,9%). Em um cenário nacional de perda de fôlego da indústria, o desempenho baiano chama atenção, mas exige leitura cuidadosa.
Na passagem de outubro para novembro, já com ajuste sazonal, a produção industrial do estado cresceu 0,9%, o segundo avanço seguido, embora abaixo do ritmo observado entre setembro e outubro (2,7%). O resultado foi o 4º maior do país, empatado com Minas Gerais e Pernambuco, enquanto o Brasil ficou praticamente estável (0,0%).
Crescimento no ano supera o Nordeste
No acumulado de janeiro a novembro de 2025, a indústria baiana cresceu 1,1%, desempenho acima da média nacional (0,6%) e o 8º melhor do país. O dado ganha ainda mais relevância quando comparado aos demais estados do Nordeste pesquisados, todos em retração: Pernambuco (-4,4%), Ceará (-0,9%) e Maranhão (-5,4%).
Nos 12 meses encerrados em novembro, a produção industrial da Bahia avançou 1,4%, marcando a 19ª alta consecutiva desde maio de 2024. O índice também supera o resultado nacional (0,7%) e reforça a resiliência da indústria local em um ambiente macroeconômico mais restritivo.
Petróleo e celulose seguem ditando o ritmo
Apesar do desempenho positivo, a leitura setorial revela um padrão já conhecido – e preocupante. O crescimento da indústria baiana segue altamente concentrado.
Na comparação anual (novembro de 2025 contra novembro de 2024), tanto a indústria extrativa quanto a indústria de transformação avançaram, com altas de 14,9% e 0,8%, respectivamente. No entanto, apenas três das dez atividades industriais pesquisadas tiveram crescimento no mês.
Novembro trouxe bons números, mas também reforçou um velho dilema: a indústria baiana avança, porém ainda caminha sobre poucos pilares
O principal motor do resultado foi a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que cresceu 7,3% em novembro, registrando o sexto avanço consecutivo e acumulando alta de 7,4% no ano. O peso do segmento na estrutura industrial do estado faz com que seu desempenho praticamente defina o resultado geral.
Outro destaque veio da fabricação de celulose, papel e produtos de papel, que avançou 16,6%, após recuo em outubro, exercendo a segunda maior influência positiva sobre o resultado do mês.
A indústria de alimentos também contribuiu positivamente, ainda que de forma marginal, com crescimento de 0,2%.
Químicos e couro puxam para baixo
Do outro lado, os sinais de fragilidade aparecem com força. A fabricação de produtos químicos caiu 13,2%, registrando a quarta retração consecutiva e exercendo a principal influência negativa sobre a indústria baiana em novembro.
Ainda mais crítica é a situação da preparação de couros, artefatos de couro, artigos para viagem e calçados, que recuou 19,3% no mês. O segmento praticamente atravessa 2025 inteiro em queda, com exceção de janeiro, e acumula retração de 12,5% no ano, a maior entre todas as atividades.
Análise: O que isso importa para a Bahia
Os dados de novembro confirmam um ponto-chave: a indústria baiana cresce, mas cresce pouco – e de forma concentrada. Petróleo e celulose continuam funcionando como âncoras do desempenho industrial, enquanto segmentos intensivos em capital e emprego, como químicos e couro-calçadista, enfrentam dificuldades persistentes.
Para empresários e formuladores de política pública, o sinal é claro. A Bahia mostra resiliência frente ao Nordeste e ao Brasil, mas segue vulnerável à volatilidade de poucos setores. Qualquer choque nos mercados de petróleo ou papel e celulose pode inverter rapidamente o quadro.
O que fazer com essa informação
- Diversificar a base industrial deixou de ser um discurso e virou urgência econômica.
- Setores com maior valor agregado e menor dependência de commodities precisam ganhar espaço.
- A crise prolongada em químicos acende alerta sobre competitividade, custos e acesso a mercados.
- Para o empresariado, o momento pede cautela estratégica: crescimento existe, mas não está distribuído.
Em resumo, novembro trouxe bons números, mas também reforçou um velho dilema: a indústria baiana avança, porém ainda caminha sobre poucos pilares.
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