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Capa Atualidades

PIB estagnado: crescimento industrial vem só da extração de petróleo

Juros altos, redução de demanda interna e importações prejudicaram desempenho do setor, avalia a CNI

INDÚSTRIA NEWS por INDÚSTRIA NEWS
03/09/2025
em Atualidades
Tempo de Leitura: 4 minutos
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Plataforma de petróleo da Petrobras

O crescimento da produção extrativa é explicado pelo avanço da produção de petróleo (Foto: Petrobras/Divulgação)

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A  redução do ritmo de crescimento da atividade econômica, com um avanço de PIB de 0,4% no segundo trimestre, contra 1,3% no trimestre anterior, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), se deve, principalmente, à alta de juros, redução da demanda interna e importações, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na comparação com o 2º trimestre de 2024, o crescimento foi de 2,2%, abaixo da projeção da CNI de 2,5%.

Entre os setores da economia, os resultados positivos vieram do setor de Serviços, que avançou 0,6% no 2º trimestre frente ao 1º trimestre de 2025, e da Indústria, que cresceu 0,5% na mesma comparação. A Agropecuária, por sua vez, recuou 0,1% no 2º trimestre, depois de registrar crescimento de 12,3% no 1º trimestre.

Contudo, a alta da indústria no 2º trimestre é explicada exclusivamente pelo crescimento da indústria extrativa, cujo PIB avançou 5,4%, puxada pela produção de petróleo. Os demais segmentos industriais mostraram queda, a segunda consecutiva nos casos da indústria de transformação e da construção. A Indústria de transformação recuou 0,5%, após queda de 1% no 1º trimestre e a Indústria da Construção recuou 0,2%, após queda de 0,6% no 1º trimestre.

Para a CNI, as quedas do PIB da Indústria de transformação e da construção pelo segundo trimestre consecutivo evidenciam os significativos impactos das taxas de juros nos setores, mais expostos que o restante da economia. No caso da indústria de transformação há também a grande presença de importados, que segue crescendo.

“A economia demonstra, claramente, a necessidade de iniciarmos um ciclo de queda na taxa de juros. Esta é, hoje, a maior trava ao desenvolvimento econômico, à criação e manutenção de emprego e ao aumento da renda da população. O atual patamar da taxa básica de juros, em 15%, é insustentável para quem produz. Se a redução da taxa Selic não ocorrer logo, os efeitos da queda da atividade industrial deverão se alastrar pela economia”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI

Indústria extrativa

O crescimento da produção extrativa é explicado pelo avanço da produção de petróleo. Segundo a ANP, em abril, maio e junho de 2025 a produção de petróleo cresceu 13,7%, 10,9% e 10,1% em relação a abril, maio e junho de 2024, respectivamente. Esse desempenho também está relacionado ao resultado positivo das exportações no segundo trimestre, que cresceram 0,7% na comparação com o primeiro trimestre.

Depois de recuar 1,0% no primeiro trimestre, a Indústria de transformação registrou uma nova queda de 0,5% no segundo trimestre de 2025. O setor vem sendo penalizado pelas taxas de juros elevadas e pela entrada crescente de produtos importados, em especial de bens de consumo.

A Indústria da construção também acumulou o segundo trimestre no campo negativo, com queda de 0,6% no primeiro quarto de 2025 e de 0,2% no segundo. Além de ser um setor fortemente dependente de crédito, que o caracteriza como sensível à variação dos juros, a Indústria da construção é impactada pela redução generalizada do ritmo de crescimento da atividade econômica e mostrou, no segundo trimestre, queda de 1,9% das vendas de material de construção no varejo em relação ao primeiro trimestre do ano, segundo dados do IBGE.

Demanda doméstica menor

Embora o consumo das famílias ainda tenha mostrado alta de 0,5% no trimestre, as taxas de juros elevadas estão penalizando a demanda por bens industriais. Assim, o consumo de bens industriais, que vinha crescendo, mostrou queda no trimestre encerrado em junho frente ao trimestre ante o trimestre anterior, de 0,4%. Segundo o Indicador Ipea de consumo aparente de bens industriais.

Ao mesmo tempo, as importações de bens industriais seguem crescendo, capturando parte significativa do mercado consumidor. A importação de bens da indústria de transformação, em volume, cresceu 2,3% na passagem do 1º trimestre para o 2º trimestre de 2025, liderada pelas importações de Veículos Automotores, que registraram crescimento de 17,7%; seguida pela importação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos, com crescimento de 8,6%, e por Outros Equipamentos de Transporte, com crescimento de 3,4%.

Considerando as diferentes categorias de bens, enquanto o volume importado de bens de capital recuou 0,5% na passagem do 1º trimestre para o 2º trimestre de 2025 e a importação de bens intermediários caiu 0,6% no mesmo período, o volume importado de bens de consumo cresceu 27,0%. A diferença de comportamento, com queda do volume importado de bens intermediários e de capital, de um lado, e alta das compras de bens de consumo, de outro, expõe a expressiva entrada de produtos finais importados, ao mesmo tempo em que a produção industrial doméstica e o investimento recuam.

“Ainda no que diz respeito ao setor externo, a segunda principal contribuição positiva para o PIB do lado da demanda, depois do Consumo das famílias, veio das exportações de bens e serviços (+0,7%), o que reflete o bom desempenho das exportações da Agropecuária e da Indústria extrativa”, avalia a CNI.


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Tags: CNIconstruçãoindústriapetróleoRicardo Alban
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