No Extremo Sul da Bahia, já próxima ao estado do Espírito Santo e cercada por uma extensa faixa de eucaliptos, a fábrica da Suzano em Mucuri desponta como uma das mais completas plantas industriais de papel e celulose do Brasil. Com 33 anos de operação e uma capacidade produtiva que impressiona – 1,7 milhão de toneladas de celulose por ano, além de 250 mil toneladas de papel e 60 mil toneladas de tissue –, a unidade não apenas reforça o protagonismo da empresa no setor florestal, como também transforma a realidade econômica e social do município baiano.
Com cerca de 40 mil habitantes, Mucuri abriga uma operação que representa quase 100% do PIB industrial da cidade, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV). O impacto da Suzano vai muito além da geração de 1.250 empregos diretos na unidade. Somando colaboradores próprios, terceiros fixos, empregos indiretos e os efeitos sobre o comércio e os serviços, a empresa é responsável por mais de 19 mil ocupações remuneradas no município, o equivalente a quase metade da população local.
Eduardo Andrade, diretor de Operações Industriais da Suzano e funcionário da empresa há 19 anos, conhece de perto esse processo de transformação. “Comecei em 2006, durante a implantação da Linha 2, com a maior máquina de celulose do mundo na época. Desde então, vivi muitos desafios e conquistas que só aumentaram minha admiração por essa empresa e pelo time daqui”, afirma.
Segundo ele, a unidade de Mucuri tem um papel estratégico por ser a única planta do grupo a produzir os três principais tipos de produtos da Suzano: celulose de mercado, papéis para imprimir e escrever e papel tissue. “É a planta que representa todos os produtos da Suzano”, resume Andrade.
A celulose produzida na unidade tem como destino prioritário o mercado externo, principalmente países da Ásia, que absorvem 95% do volume. Já o papel é voltado para o consumo interno e parte é exportada para a América do Norte. O tissue, por sua vez, abastece o mercado doméstico, com alguma fatia enviada a países da América do Sul. Toda a produção escoa pelo terminal Portocel, no Espírito Santo.
Desenvolvimento com raízes locais
Desde o início de suas operações, ainda como Bahia Sul Celulose, a planta foi concebida para operar em sinergia com o território onde está inserida. A Suzano mantém programas estruturados para captar talentos na região e qualificar mão de obra local, inclusive pessoas com deficiência (PCDs). Durante os períodos de parada de manutenção, o impacto sobre a economia se intensifica: pousadas, hotéis, restaurantes e o varejo local registram aumento de demanda, com estímulos diretos da companhia para abastecimento e serviços.
Além da dimensão industrial, a empresa também lidera ações de conservação e restauração ecológica. De 2010 a 2025, foram restaurados 27 mil hectares de áreas degradadas em todo o país, sendo 12 mil apenas na Bahia. No estado, a companhia mantém mais de 254 mil hectares, com mais de 110 mil dedicados à conservação ambiental.
A força da marca Suzano
Com mais de um século de história, a Suzano é hoje a maior produtora global de celulose de fibra curta e referência em soluções sustentáveis baseadas em recursos renováveis. Seus produtos fazem parte da rotina de bilhões de pessoas em mais de 100 países, indo de papéis para imprimir e escrever a copos, canudos, embalagens e artigos de higiene pessoal.
A operação baiana participa ativamente desse portfólio ao produzir marcas como Report e Magnum (papel), além de Mimmo, Max Pure e Scala Plus (tissue). No estado, a empresa emprega diretamente e indiretamente mais de 8 mil pessoas e mantém um centro de distribuição em Salvador.
Com 13 fábricas espalhadas pelo Brasil, centros de tecnologia e pesquisa em diversos países – incluindo Israel, China, Estados Unidos e Argentina – e mais de 56 mil colaboradores próprios e terceiros, a Suzano reforça seu compromisso com a bioeconomia plantando, diariamente, cerca de 1,2 milhão de mudas de eucalipto. A ambição da empresa vai além da produtividade: busca combinar escala industrial com impacto social e ambiental positivo. Em Mucuri, essa missão já é realidade. E, ao que tudo indica, está apenas começando.
- Durante uma semana, o jornalista Geraldo Bastos, editor do IndústriaNews, percorreu mais de 1.600 quilômetros entre a Bahia e o Espírito Santo para conhecer de perto duas gigantes do setor florestal brasileiro: Veracel e Suzano. A viagem incluiu visitas às unidades industriais de Eunápolis e Mucuri, onde foi possível acompanhar o processo produtivo da celulose e do papel, além de entender como essas empresas têm investido em sustentabilidade, inovação e impacto social. O jornalista também conversou com os principais executivos das companhias, que compartilharam visões sobre o presente e o futuro do setor. Ao longo dos próximos dias, o IndústriaNews irá publicar uma série especial de reportagens revelando os bastidores dessa imersão no setor florestal, mostrando os impactos, os avanços e as contradições que movem uma das cadeias mais estratégicas da economia baiana.
- O jornalista Geraldo Bastos visitou as unidades da Veracel e da Suzano, no Extremo Sul da Bahia, a convite da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (Abaf)
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