A Statkraft aprovou o investimento para a implantação do Gran Sul, parque eólico onshore que vai entregar 280 MW de capacidade instalada já na primeira etapa de construção, com aporte superior a R$1 bilhão. A decisão marca a passagem de um projeto que, até aqui, existia apenas no papel — cumprindo etapas técnicas, ambientais e regulatórias ao longo dos últimos anos — para a fase concreta de execução, com início das obras previsto para janeiro de 2027.
O empreendimento fica em Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, município que reúne condições consideradas favoráveis para geração eólica e que já concentra outros ativos do setor no estado. A escolha reforça uma tendência conhecida no setor: a faixa litorânea do Rio Grande do Sul, com ventos mais constantes e intensos, segue como um dos polos mais disputados por desenvolvedores de energia eólica no país, e a aprovação do Gran Sul consolida a presença da Statkraft nessa região.
Para Thiago Tomazzoli, presidente da Statkraft no Brasil, a aprovação sinaliza confiança da companhia no mercado brasileiro em um momento em que o setor elétrico segue em transformação. “O Gran Sul representa mais um importante passo na estratégia de crescimento da Statkraft no Brasil. A aprovação deste investimento demonstra nossa confiança no potencial da energia eólica brasileira e nosso compromisso com o desenvolvimento de projetos que contribuam para um sistema elétrico cada vez mais seguro, competitivo e sustentável”, afirma o executivo.
O tempo entre a maturação do projeto e a decisão final de investimento, o que no jargão do setor é chamado de FID (final investment decision), não é um detalhe menor. Projetos eólicos no Brasil costumam levar anos entre a identificação da área, os estudos de viabilidade, o licenciamento ambiental e a garantia de conexão à rede elétrica antes de chegarem à fase de construção. O fato de o Gran Sul ter percorrido esse caminho até a aprovação formal do investimento indica que a companhia superou os principais gargalos regulatórios que costumam travar, ou até inviabilizar, parques eólicos em fase de desenvolvimento no país.
Do ponto de vista regional, o projeto deve gerar dezenas de empregos durante a fase de construção e fortalecer a cadeia de fornecedores locais, movimento recorrente em grandes obras de infraestrutura energética, que tendem a aquecer temporariamente a economia dos municípios onde se instalam. Já do ponto de vista estratégico, o Gran Sul se soma a um portfólio da Statkraft que já combina ativos hidrelétricos, eólicos e solares no Brasil, sinal de que a companhia segue diversificando sua matriz de geração no país, em vez de concentrar aposta em uma única fonte renovável.
Por que isso importa
A aprovação do Gran Sul reforça o Brasil como destino relevante de capital estrangeiro voltado à transição energética, num momento em que investidores internacionais avaliam constantemente a segurança regulatória e o retorno de projetos renováveis em diferentes países. Para o Rio Grande do Sul, o investimento consolida a vocação eólica do estado e adiciona mais um projeto de grande porte à sua matriz energética, com efeitos diretos sobre emprego e arrecadação municipal durante a fase de obras.
Para o setor elétrico brasileiro como um todo, cada novo parque eólico que entra em operação contribui para reduzir a dependência de fontes térmicas mais caras e poluentes, especialmente em períodos de baixa hidrologia, um fator que ganha peso crescente diante da instabilidade climática observada nos últimos anos.
Leia também: Por que a Natura decidiu abrir o jogo antes do balanço
















