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Capa Atualidades
infografia comércio exterior

A Bahia exportou mais. Então por que o superávit comercial despencou?

As exportações cresceram 7% no primeiro semestre, impulsionadas pela alta dos preços das commodities, mas o avanço de quase 27% das importações, puxado pelos veículos elétricos chineses, reduziu o saldo da balança comercial em mais de 80%

MARCELO SAMPAIO por MARCELO SAMPAIO
07/07/2026
em Atualidades
Tempo de Leitura: 5 minutos
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Selo

As exportações baianas fecharam junho em alta, mas os números revelam uma dinâmica mais complexa do comércio exterior do estado. Embora a receita com vendas ao exterior tenha crescido, o desempenho foi sustentado principalmente pela valorização das commodities no mercado internacional. Em contrapartida, o volume efetivamente embarcado diminuiu e o avanço acelerado das importações reduziu de forma significativa o superávit da balança comercial.

Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), elaborados com base nas estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que as exportações baianas somaram US$984,7 milhões em junho, alta de 6,6% em relação ao mesmo mês de 2025. O crescimento da receita ocorreu apesar da redução de 15,1% no volume embarcado. A explicação está na valorização média de 25,6% dos preços dos produtos exportados, principalmente commodities agrícolas e minerais.

No acumulado do primeiro semestre, as exportações alcançaram US$5,95 bilhões, crescimento de 7% sobre igual período do ano passado. Mais uma vez, o aumento foi explicado pelo fator preço. Enquanto os preços médios avançaram 10%, o volume físico exportado recuou 2,7%.

Produtos

A pauta exportadora continuou concentrada em produtos tradicionais. A soja e seus derivados lideraram as vendas externas, com receita de US$311,2 milhões, seguida por metais preciosos (US$121,7 milhões) e papel e celulose (US$109,4 milhões).

A China manteve a liderança entre os destinos das exportações baianas, absorvendo 31,1% das vendas externas do estado. Canadá, Holanda, Estados Unidos e Espanha completam a lista dos principais mercados compradores.

Entre os municípios, São Francisco do Conde liderou o ranking de exportações em junho, com US$375 milhões, seguido por Luís Eduardo Magalhães, Camaçari, Barreiras e Jacobina.

Importações

Apesar do avanço das exportações, o comportamento das importações mudou o equilíbrio da balança comercial. As compras externas cresceram 58,2% em junho, totalizando US$1,1 bilhão. No primeiro semestre, as importações atingiram US$5,75 bilhões, alta de 26,9% em comparação com o mesmo período de 2025.

Segundo a SEI, o movimento foi impulsionado principalmente pelas importações de bens de consumo, que dispararam 1.479%, reflexo da chegada em ritmo acelerado de veículos eletrificados produzidos na China.

Também ganharam peso nas compras externas produtos como petróleo bruto, nafta para a indústria petroquímica e gás natural liquefeito.

Como consequência, o superávit comercial da Bahia caiu de US$1,03 bilhão no primeiro semestre de 2025 para US$201,6 milhões neste ano. A corrente de comércio –  soma de exportações e importações –  atingiu US$11,7 bilhões, crescimento de 15,9%.

No cenário nacional, a Bahia respondeu por 2,71% das exportações brasileiras no semestre, ocupando a 11ª posição entre os estados. No Nordeste, manteve ampla liderança, concentrando 44,9% de todas as exportações da região.

ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS

À primeira vista, o crescimento das exportações pode sugerir um fortalecimento do comércio exterior baiano. Os dados mostram, porém, uma realidade mais complexa.

O primeiro ponto é que a expansão da receita não veio do aumento da produção ou do volume exportado. Pelo contrário. A Bahia embarcou menos produtos tanto em junho quanto no acumulado do semestre. O crescimento foi sustentado pela valorização internacional das commodities, especialmente soja, celulose e metais. Isso significa que parte do desempenho depende de um fator externo – os preços globais –  e não necessariamente de um aumento da capacidade produtiva.

O segundo movimento chama ainda mais atenção. As importações cresceram em ritmo muito superior ao das exportações. Boa parte dessa expansão está ligada aos veículos eletrificados chineses, segmento que vem ganhando participação rapidamente no mercado brasileiro. Esse avanço ajuda a explicar por que o superávit comercial encolheu mais de 80% em um ano.

Há, entretanto, uma leitura mais ampla. Nem toda importação representa fragilidade econômica. A compra de insumos industriais, petróleo, gás natural e matérias-primas também sinaliza aumento da atividade produtiva em diversos segmentos da economia baiana.

O desafio será observar, nos próximos meses, se o crescimento das importações continuará concentrado em bens de consumo ou se será acompanhado por uma ampliação da produção industrial local, especialmente diante dos investimentos previstos na cadeia automotiva e de transição energética.

Outro aspecto relevante é a elevada concentração das exportações em commodities. Enquanto os preços internacionais permanecerem elevados, a receita tende a ser beneficiada. Mas uma eventual queda das cotações pode afetar rapidamente o desempenho da balança comercial.

No médio prazo, a diversificação da pauta exportadora e o aumento da participação de produtos industrializados continuam sendo fatores decisivos para reduzir essa dependência e ampliar o valor agregado das vendas externas da Bahia.

O QUE FICA DESSA HISTÓRIA

  • A Bahia exportou mais, mas embarcou menos produtos; o aumento da receita veio da alta dos preços internacionais.
  • O avanço das importações foi quase quatro vezes superior ao das exportações no semestre.
  • Os veículos elétricos chineses passaram a influenciar de forma relevante o comércio exterior baiano.
  • O superávit comercial caiu de US$ 1,03 bilhão para US$ 201,6 milhões em apenas um ano.
  • O principal desafio continua sendo ampliar a participação de produtos industrializados e reduzir a dependência das commodities.

  • Leia também: Chromoplast completa 25 anos e projeta dobrar produção até 2030

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