Indústria News
  • Colunas
    • Análises
    • Indústria em Foco
    • Memória da Indústria
    • O Lado B dos Destinos
    • Radar da Indústria
  • Giro das 21h
  • Leitura Rápida
  • Petróleo, Gás & Biocombustível
  • Webinar da Indústria
  • Mais…
    • Atualidades
    • Bebidas & Alimentos
    • Beleza & Higiene Pessoal
    • Calçados & Têxtil
    • Construção
    • Glossário
    • Metalurgia & Siderurgia
    • Mineração
    • Papel & Celulose
    • Química & Petroquímica
    • Radar de Oportunidades
    • Turismo & Aviação
    • Veículos & Pneus
Sem resultado
Ver todos os resultados
  • Colunas
    • Análises
    • Indústria em Foco
    • Memória da Indústria
    • O Lado B dos Destinos
    • Radar da Indústria
  • Giro das 21h
  • Leitura Rápida
  • Petróleo, Gás & Biocombustível
  • Webinar da Indústria
  • Mais…
    • Atualidades
    • Bebidas & Alimentos
    • Beleza & Higiene Pessoal
    • Calçados & Têxtil
    • Construção
    • Glossário
    • Metalurgia & Siderurgia
    • Mineração
    • Papel & Celulose
    • Química & Petroquímica
    • Radar de Oportunidades
    • Turismo & Aviação
    • Veículos & Pneus
Sem resultado
Ver todos os resultados
Indústria News
Sem resultado
Ver todos os resultados
Capa Memória da Indústria
Britânia

A unidade inaugurada em 2003 chegou a representar até 40% da receita da companhia

Você lembra da fábrica da Britânia em Camaçari?

Instalada com a promessa de transformar a presença da marca no Nordeste, a fábrica da Britânia viveu uma trajetória marcada por crescimento acelerado, geração de empregos e um fechamento que surpreendeu a indústria baiana

GERALDO BASTOS por GERALDO BASTOS
10/06/2026
em Memória da Indústria
Tempo de Leitura: 6 minutos
A A
Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no LinkedinCompartilhar no WhatsappCompartilhar no Telegram

Memória da Indústria

Em meados dos anos 2000, quem passava pelo Polo Industrial de Camaçari via surgir mais uma aposta na diversificação da indústria baiana. A chegada da Britânia Eletrodomésticos representava muito mais do que uma nova fábrica. Era a entrada de uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro em um mercado que crescia rapidamente: o Nordeste.

Fundada em 1956, no Paraná, a Britânia construiu sua reputação fabricando fogões, fogareiros e móveis metálicos antes de se tornar uma das maiores fabricantes nacionais de eletroportáteis. Em 2003, a empresa escolheu Camaçari para instalar sua primeira grande unidade industrial fora da região Sul. A decisão tinha um objetivo claro: aproximar a produção dos consumidores nordestinos e reduzir custos logísticos.

Segundo reportagem da Gazeta Mercantil publicada em julho de 2003, a empresa investiu inicialmente R$25 milhões na implantação da fábrica, instalada em uma área de 50 mil metros quadrados. A expectativa era produzir cerca de 1,2 milhão de aparelhos por ano, entre ventiladores, ferros elétricos, batedeiras, liquidificadores e espremedores, além de gerar aproximadamente 400 empregos diretos.

A inauguração oficial aconteceu em 3 de novembro de 2003, e o clima era de euforia. A unidade ocupava uma área total de 50 mil metros quadrados –  cedida pela Prefeitura de Camaçari, que também concedeu isenção de IPTU e ISS para atrair o investimento –  e previa produzir 1,2 milhão de aparelhos por ano: ventiladores, ferros elétricos, batedeiras, liquidificadores e espremedores de frutas.

Segundo a Gazeta Mercantil de novembro de 2003, a fábrica baiana chegaria a representar entre 35% e 40% da receita total da Britânia. A meta era conquistar 20% do mercado nordestino em até um ano — a empresa estava em apenas 12% na região. Eram 300 empregos diretos, com previsão de ampliar para 400 postos. Em 60 dias, já se anunciava um aporte adicional de R$10 milhões para expandir a produção em 30%.

Havia também um detalhe pitoresco e revelador nas projeções da empresa: a Britânia planejava exportar 10% da produção de Camaçari para Argentina, Uruguai, Paraguai e Peru. A fábrica baiana não seria apenas uma base regional — seria uma plataforma de exportação sul-americana. O otimismo do   então diretor-presidente da empresa  César Buffara era explícito: “Somos a empresa que oferece o melhor acabamento de produto e a melhor relação custo e benefício”, declarou ele à época.

Obstáculos

O projeto, porém, começou a perder força antes de completar meia década. O primeiro sinal de que algo mudava na estratégia da empresa veio em 2006, quando a Britânia encerrou a fábrica em São José dos Pinhais (PR), na região metropolitana de Curitiba, e passou a terceirizar boa parte de sua linha de produtos com fornecedores da China.

Conforme registrou a Gazeta do Povo em setembro de 2008, “nos últimos anos, grande parte dos produtos que levavam sua marca eram importados da China”. Com o fechamento da planta paranaense, Camaçari tornou-se a única fábrica própria da empresa no Brasil,  mas, paradoxalmente, esse protagonismo veio acompanhado de uma dependência crescente de insumos importados, especialmente motores. A unidade baiana fabricava corpos, gabinetes e montava peças,  mas o coração dos aparelhos vinha de fora.

Foi exatamente essa dependência que transformou a crise financeira global de 2008 em um golpe fatal. Com a quebra do Lehman Brothers em setembro daquele ano e a disparada do dólar nos meses seguintes, o custo dos motores importados subiu vertiginosamente. Segundo o consultor Márcio Pires, que falou em nome da empresa ao portal Bahia Notícias em fevereiro de 2009, o fim da operação em Camaçari estava diretamente relacionado à crise financeira mundial e à supervalorização do dólar, já que a Britânia importava todos os motores de seus produtos. Não era apenas uma queda nas vendas — era uma equação que não fechava mais.

O fechamento

O anúncio do fechamento, em 26 de fevereiro de 2009, pegou todos de surpresa. O encerramento das atividades em Camaçari deixou 370 trabalhadores desempregados. A Prefeitura não havia sido comunicada oficialmente. O assessor especial de Assuntos Estratégicos do município, Djalma Machado, teve que correr para uma reunião emergencial com a empresa para tentar salvar os empregos e esclarecer o destino do terreno público. Houve até uma polêmica política: a Prefeitura queria saber se poderia retomar a área cedida. A empresa foi categórica, em tom áspero, segundo o Bahia Notícias: “A área foi comprada antes de 2002. A Britânia tem certidão registrada em cartório. Portanto, essa história não passa de espuma política e conversa para satisfazer sindicalistas.”

Nos bastidores, a versão dos trabalhadores era diferente da narrativa oficial. Tarturana, operário da Britânia e membro da Cipa, denunciou ao jornal do PSTU que durante as férias coletivas decretadas em 10 de fevereiro, a empresa havia transferido a produção na surdina para Joinville, em Santa Catarina, onde iria terceirizar toda a linha.

“A Britânia não faliu, eles não pararam de produzir”, afirmou o trabalhador. A empresa, de fato, havia concluído um centro de distribuição de 36 mil metros quadrados em Joinville no final de 2008 e migrou para lá todo o estoque e a operação logística. Desde então, concentrou sua produção nacional apenas na unidade de Joinville, enquanto ampliava a importação de produtos prontos da China.

A Britânia sobreviveu ao fechamento de Camaçari e até cresceu nos anos seguintes. Em 2007 havia licenciado a marca Philco por dez anos e expandiu seu portfólio. Mas o capítulo baiano ficou marcado por um ciclo que diz muito sobre os desafios estruturais da indústria nacional: incentivos fiscais generosos que atraem, mas não necessariamente retêm; modelos de negócio com dependência de insumos importados que ficam vulneráveis à volatilidade cambial; e a lógica de concentração logística que, ao fim, acabou justificando a migração para o Sul.

A unidade de Camaçari era responsável pela produção de 1,2 milhão de eletrodomésticos por ano, principalmente ventiladores  –  um número que deixou saudade na economia local. Em seis anos de operação, a Britânia Nordeste havia se tornado parte da paisagem industrial de Camaçari. Depois, virou memória.

Fontes utilizadas no texto

  • Gazeta Mercantil (14/07/2003)
  • Gazeta Mercantil (04/11/2003)
  • Prefeitura de Camaçari (26/02/2009)
  • Folha de S.Paulo / Agência Folha (27/02/2009)
  • Valor Econômico (27/02/2009)
  • Bahia Notícias (28/02/2009)

MEMÓRIA DA INDÚSTRIA é um projeto editorial dedicado a contar as histórias das indústrias que ajudaram a construir a economia da Bahia, moldaram cidades, geraram empregos e deixaram marcas que resistem ao tempo – mesmo depois do fechamento de suas portas. Aqui, o foco não está apenas nos números, mas no impacto humano, urbano e econômico dessas empresas. Cada texto busca equilibrar memória afetiva, dados concretos e análise histórica, mostrando por que essas indústrias foram relevantes e o que a Bahia perdeu – ou aprendeu – com o fim de cada ciclo produtivo.

Tem informações e imagens sobre fábricas antigas de Salvador e de outros municípios da Bahia? Compartilhe com a gente: redacao@industrianews.com.br


Leia também: Royalties turbinam interior da Bahia e reforçam o avanço da mineração

Oh, olá 👋 Prazer em conhecê-lo.

Cadastre-se para receber nosso conteúdo em seu e-mail todos os dias.

Verifique sua caixa de entrada ou a pasta de spam para confirmar sua assinatura.

Continue Lendo
Tags: BahiaBritâniaBritânia EletrodomésticosCamaçaridestaqueMemória da IndústriaPolo Industrial de Camaçari
Artigo Anterior

Bahia lidera crescimento industrial do país em abril, mas cenário ainda exige cautela

Próximo Artigo

CCJ do Senado aprova autonomia financeira do Banco Central

NOTÍCIAS RELACIONADAS

TECSIS

Quando os ventos mudaram: a história da Tecsis na Bahia

Leão do Norte

Quando Feira de Santana ficou pequena para a Leão do Norte

Suerdieck

O gigante do Recôncavo: como a Suerdieck virou potência e desapareceu

kaiser

O silêncio da Kaiser: a fábrica que marcou a indústria de Feira de Santana

Próximo Artigo
banco central

CCJ do Senado aprova autonomia financeira do Banco Central

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Eu concordo com os Termos & Condições e a Política de Privacidade.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

banco central

CCJ do Senado aprova autonomia financeira do Banco Central

Britânia

Você lembra da fábrica da Britânia em Camaçari?

Mineração na Bahia

Bahia lidera crescimento industrial do país em abril, mas cenário ainda exige cautela

WEBINAR DA INDÚSTRIA

Fábio Torres

Dunlop Pneus pisa fundo no Brasil

Giordania Tavares

Muito além de abrir e fechar: como a Rayflex virou referência industrial no Brasil

COLUNAS

Britânia

Você lembra da fábrica da Britânia em Camaçari?

gasolina

Giro das 21h: O dia em que Brasília adiou decisões e o mundo ligou o alerta

dengue

Giro das 21h: freio na saúde, queda de braço no STF e o alívio de Neymar

Indústria baiana

Indústria baiana na encruzilhada: expansão produtiva em risco pelo tarifaço americano

+VISTAS EM 24 hORAS

  • Windey Energy

    Bahia atrai a primeira fábrica da Windey no Brasil e entra na corrida gobal das baterias

    0 compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Benel projeta crescimento de 50% no faturamento em 2026

    0 compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Dependência do refino derruba exportações da Bahia e expõe desafios da indústria

    0 compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Marinha e ACB realizam homenagem aos heróis da Batalha do Riachuelo

    0 compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Direcional realiza feirão de imóveis de 11 a 14/6

    0 compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Roche amplia licença parental para seis meses

    0 compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Quem somos
  • Fale com a gente
  • Anuncie conosco
  • Política de privacidade
redacao@industrianews.com.br

© 2022 Indústria News

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem resultado
Ver todos os resultados
  • Capa
  • Análises
  • Atualidades
  • Bebidas & Alimentos
  • Beleza & Higiene Pessoal
  • Calçados & Têxtil
  • Construção
  • Giro das 21h
  • Indústria em Foco
  • Leitura Rápida
  • Memória da Indústria
  • Metalurgia & Siderurgia
  • Mineração
  • O Lado B dos Destinos
  • Papel & Celulose
  • Petróleo, Gás & Biocombustível
  • Radar da Indústria
  • Radar de Oportunidades
  • Química & Petroquímica
  • Turismo & Aviação
  • Veículos & Pneus
  • Webinar da Indústria

© 2022 Indústria News

Utilizamos cookies. Ao continuar navegando no site você concorda com estas condições. Confira nossa Política de Privacidade e Uso de Cookies.