A indústria baiana deu um importante sinal de recuperação em abril. Segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada pelo IBGE, a produção do estado cresceu 3% em relação a março, na série com ajuste sazonal. O resultado colocou a Bahia na liderança nacional do crescimento industrial no período, superando com folga a média brasileira, que avançou 0,7%.
Foi o quarto resultado positivo consecutivo da indústria baiana nessa comparação e também uma aceleração em relação ao desempenho observado entre fevereiro e março, quando o avanço havia sido de 0,8%.
O desempenho ganha relevância em um contexto de desaceleração da atividade industrial em diversas regiões do país. Entre os 15 estados pesquisados pelo IBGE nessa comparação mensal, apenas dez registraram crescimento, enquanto Bahia apresentou a maior expansão. No outro extremo ficaram Mato Grosso (-5,2%), Pará (-5,0%) e Pernambuco (-3,6%).
Na comparação com abril de 2025, a indústria baiana também voltou ao terreno positivo, registrando crescimento de 1% após quatro meses consecutivos de retração. Embora o resultado tenha ficado abaixo da média nacional (2,7%), ele interrompe uma sequência negativa que vinha pressionando os indicadores do setor no estado.
Indústria extrativa
O avanço de abril frente a igual mês de 2025 foi sustentado tanto pela indústria extrativa, que cresceu 17,8%, quanto pela indústria de transformação, que avançou 0,2% e voltou a registrar resultado positivo após quatro meses de queda.
Entre os segmentos industriais, o principal destaque foi o refino de petróleo e produção de biocombustíveis, que cresceu 2,6% e exerceu a maior influência positiva sobre o resultado geral devido ao seu peso na estrutura industrial baiana. O setor voltou a crescer após quatro meses consecutivos de retração.
Também contribuíram positivamente a indústria de alimentos, com alta de 5,3% e oitavo resultado positivo consecutivo, e a indústria química, que avançou 3,8% após oito meses de resultados negativos.
Por outro lado, alguns segmentos continuam enfrentando dificuldades. A fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos recuou 42,3%, acumulando seis meses seguidos de queda. Já o setor de couro, calçados e artigos para viagem caiu 12,0%, registrando sua 15ª retração consecutiva.
Apesar da melhora observada em abril, os números acumulados mostram que a recuperação ainda está longe de ser consolidada. Nos quatro primeiros meses de 2026, a produção industrial baiana acumula queda de 4,6%, o segundo pior resultado entre os estados pesquisados, ficando à frente apenas do Rio Grande do Norte.
No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em abril, a indústria da Bahia registra retração de 2,2%, enquanto a média nacional aponta crescimento de 0,7%.
ANÁLISE: O QUE ESTÁ POR TRÁS DOS NÚMEROS?
O resultado de abril é positivo e merece atenção. O crescimento de 3% mostra que a indústria baiana conseguiu recuperar parte das perdas recentes, impulsionada principalmente pelo refino de petróleo, pela indústria extrativa e pelo desempenho consistente do setor de alimentos.
No entanto, a fotografia completa ainda inspira cautela. A recuperação está concentrada em poucos segmentos, enquanto setores importantes da transformação industrial continuam enfrentando dificuldades relevantes.
O caso do refino é emblemático. Como possui grande peso na estrutura produtiva da Bahia, qualquer recuperação da atividade tem impacto direto nos números gerais da indústria. Da mesma forma, a retomada da indústria química é um sinal importante para o Polo Industrial de Camaçari, mas ainda insuficiente para reverter as perdas acumuladas nos últimos meses.
Outro ponto de atenção é a forte queda dos segmentos de máquinas e equipamentos elétricos e da cadeia coureiro-calçadista. Esses setores costumam refletir o nível de investimento produtivo e o dinamismo do mercado consumidor, funcionando como importantes termômetros da atividade econômica.
POR QUE ISSO IMPORTA?
A indústria continua sendo um dos principais motores da economia baiana, gerando empregos de maior qualificação, investimentos e arrecadação.
Quando a produção industrial cresce de forma consistente, os efeitos se espalham por toda a cadeia produtiva, beneficiando fornecedores, transportadoras, prestadores de serviços e o comércio.
Por outro lado, o fato de a Bahia ainda acumular queda de 4,6% no ano mostra que o setor não recuperou totalmente o ritmo de crescimento observado em períodos anteriores.
O desafio para os próximos meses será transformar essa recuperação pontual em uma tendência sustentável. Para isso, será fundamental acompanhar o desempenho do Polo Petroquímico de Camaçari, da indústria química, da mineração e dos investimentos industriais em curso no estado.
Se a retomada observada em abril ganhar força nos próximos meses, a indústria baiana poderá voltar a desempenhar um papel mais relevante no crescimento econômico do estado em 2026. Caso contrário, os números positivos poderão ser vistos apenas como uma reação temporária dentro de um cenário ainda marcado por fragilidades estruturais.

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