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Capa Mineração

Grupo português Mota-Engil avança para controlar porto, ferrovia e mina na Bahia

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Mota-Engil negocia assumir Fiol, Porto Sul, em Ilhéus, e mina de ferro em operação estimada em R$ 15 bilhões

INDÚSTRIA NEWS por INDÚSTRIA NEWS
21/02/2026
em Mineração
Tempo de Leitura: 3 minutos
A A
Bamin

A Bamin ocupa uma posição estratégica como player global na produção e comercialização de minério de ferro

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A  empresa portuguesa Mota-Engil está em fase avançada de negociação para assumir um pacote estratégico de ativos logísticos e minerários na Bahia, segundo revelou a Folha de S.Paulo. Conforme a reportagem assinada pelo jornalista André Borges, o grupo negocia com o governo federal a transferência das concessões da Fiol 1, do Porto Sul e da Mina Pedra de Ferro, hoje sob controle da Bamin.

De acordo com a Folha, o tema foi tratado diretamente no Palácio do Planalto, em reunião realizada no dia 26 de janeiro, fora da agenda oficial, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda segundo o jornal paulista, participaram do encontro o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o ministro dos Transportes, Renan Filho, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, além do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e executivos da companhia portuguesa.

Negociação em “due diligence”

Conforme a matéria da Folha, após a reunião no Planalto, a Mota-Engil formalizou as tratativas junto ao Ministério dos Transportes e entrou na fase de “due diligence” –  etapa em que são analisados passivos financeiros, obrigações jurídicas e o estágio operacional dos projetos. Por envolver dados sensíveis, o processo ocorre sob cláusulas de confidencialidade.

Ainda segundo a reportagem da Folha, o valor estimado da operação pode alcançar cerca de R$15 bilhões em investimentos, embora não haja cifra oficial fechada. Fontes ouvidas pelo jornal afirmam que a probabilidade de conclusão do negócio seria “praticamente 100%”.

Bamin inicia construção da Fiol
A Fiol I terá um total de 537 quilômetros de extensão

O que está em jogo na Bahia

Conforme detalha a Folha de S.Paulo, a operação envolve três ativos centrais:

  • Fiol 1: trecho de 537 km entre Caetité e Ilhéus, com cerca de 75% das obras executadas, mas atualmente paralisado;
  • Porto Sul, em Ilhéus, projetado como terminal exportador do minério;
  • Mina Pedra de Ferro, base produtiva que justificaria economicamente o corredor logístico.

Segundo a reportagem, a Fiol 1 é considerada peça-chave para viabilizar o escoamento de minério e grãos do interior até o litoral baiano. O Porto Sul, por sua vez, tem investimento estimado em mais de R$8,3 bilhões, mas segue sem avanço físico relevante, apesar de possuir licenças ambientais e área regularizada.

Conexão com a Fico-Fiol

A matéria da Folha destaca que o destravamento da Fiol 1 pode impulsionar o leilão de novos trechos ferroviários – o chamado eixo Fico-Fiol – que prevê mais 1.650 km de trilhos, conectando a Bahia ao Centro-Oeste. O projeto total soma 2.180 km e é visto como alternativa estratégica para exportação de commodities do Mato Grosso e Goiás.

Ainda conforme o jornal paulista, o edital do leilão deve ser publicado em maio, com disputa prevista na B3 em agosto. O investimento estimado do novo corredor ferroviário chega a R$ 41,8 bilhões.

Capital chinês no radar

Por trás da Mota-Engil está a estatal chinesa China Communications Construction Company (CCCC), que detém 32,4% da empresa portuguesa e deve ser responsável pelo financiamento da operação.

A reportagem também lembra que, em 2024 e 2025, a mineradora Vale chegou a avaliar a aquisição do complexo, mas desistiu após meses de negociação.

Movimento estratégico no Brasil

Conforme ressalta a Folha, a Mota-Engil tem ampliado presença no país. Em setembro do ano passado, venceu o leilão do túnel Santos-Guarujá, com investimento estimado em R$ 6,7 bilhões. Também passou a integrar consórcio responsável por obras na Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e adquiriu integralmente a ECB (Empresa Construtora Brasil).

Análise | Por que esse negócio é estratégico?

Segundo a apuração de André Borges,  a negociação vai além da simples troca de controle de ativos paralisados. Trata-se de um movimento com impacto direto na logística nacional.

1️⃣ Destrava obras paradas há anos, reduzindo desgaste político e financeiro do governo.
2️⃣ Reposiciona a Bahia como corredor logístico central do país, integrando minério e agronegócio ao mercado internacional.
3️⃣ Amplia presença do capital luso-chinês na infraestrutura brasileira, reforçando o papel da China no financiamento de grandes projetos.
4️⃣ Cria efeito dominó sobre novos leilões ferroviários, elevando o apetite do mercado.


Leia também: Rota dos Sertões: concessão bilionária testa a memória recente da BA

 

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Tags: BahiaBaminCaetitéFiolJerônimo RodriguesMina Pedra de FerroMota-EngilPorto Sul
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