A Seara, da JBS, já investiu mais de R$ 4 bilhões em dez anos na estrutura produtiva de seus produtores integrados. Os recursos fazem parte da plataforma SuperAgro, criada em 2015 para combinar expansão das granjas, tecnologia, assistência técnica e remuneração vinculada ao desempenho.
O dinheiro tem sido direcionado principalmente para construção e modernização de instalações, automação, melhoria das condições de criação e medidas de biosseguridade. A estratégia é elevar a produtividade das propriedades sem dissociar o crescimento dos produtores da eficiência industrial da companhia.
Hoje, mais de 9 mil granjas participam do programa. A remuneração também passou a incorporar o desempenho técnico: produtores que atingem os melhores indicadores podem receber até 23% a mais por animal.
A lógica aproxima a remuneração do resultado da operação. Quanto melhor o produtor administra fatores como manejo, conversão alimentar, bem-estar animal e qualidade, maior tende a ser seu retorno.
Mais tecnologia dentro das granjas
Uma parcela relevante dos investimentos está ligada à infraestrutura. Os projetos incluem automação dos processos, sistemas de exaustão e resfriamento e melhorias voltadas ao controle sanitário.
O objetivo é reduzir variáveis que interferem no desempenho dos animais e, ao mesmo tempo, aumentar a previsibilidade da produção.
A Seara também mantém uma estrutura de assistência técnica no campo, com os extensionistas como principal elo entre a empresa e os produtores. São eles que acompanham os indicadores das propriedades e orientam mudanças de manejo e gestão.
“O produtor tem a propriedade, mas esse relacionamento próximo, acrescido de um robusto suporte técnico e financeiro da Seara mostram o quão benéfico é ser um produtor integrado da Companhia”, afirma João Campos, presidente da Seara.
O modelo vem sendo ampliado para além do investimento físico. A plataforma incorporou capacitação técnica e gerencial, treinamentos de compliance, ações de sucessão familiar e iniciativas para aumentar a participação das mulheres na atividade.
Produtores aumentam a escala
Os efeitos do modelo aparecem na evolução de algumas propriedades integradas.
Carlos Maia e o filho, Cae Maia, começaram com capacidade para alojar 140 mil frangos por lote. Atualmente, a propriedade está se preparando para superar 900 mil aves por ciclo. A partir de setembro, os produtores também devem iniciar a produção de ovos, com expectativa de chegar a 12 milhões de unidades por ano.
“A plataforma me mostrou que crescimento vem com disciplina, gestão e atenção aos detalhes. E a Seara oferece as ferramentas para isso”, afirma Cae Maia.
A família participa do SuperAgro desde 2017 e acumula premiações pelo desempenho da operação.
Na produção de suínos, o salto também é expressivo. José Anderson dos Santos passou de pouco mais de 300 animais, há quase três décadas, para mais de 33 mil suínos em terminação. Com a construção de duas novas estruturas, a capacidade deverá chegar a 44 mil animais.
Segundo o produtor, o acompanhamento técnico e a previsibilidade de receita foram importantes para sustentar os investimentos.
“O acompanhamento técnico e a previsibilidade de receita nos dão segurança para investir. É isso que sustenta o crescimento”, afirma.
Desempenho vira parte da remuneração
A SuperAgro também criou uma estrutura de premiação baseada em indicadores de produção. Desde o lançamento do programa, a Seara afirma ter distribuído mais de R$ 12 milhões em premiações.
Neste ano, o prêmio reconheceu produtores em 18 categorias, considerando critérios como bem-estar animal, manejo, conversão alimentar e qualidade.
A empresa tenta, com isso, criar um modelo em que a expansão da produção venha acompanhada de maior eficiência. Não basta aumentar o número de animais alojados. O produtor precisa melhorar os indicadores da propriedade.
“A SuperAgro é um modelo de longo prazo que valoriza quem entrega excelência. Não basta produzir mais, é preciso produzir com qualidade, com técnica e com visão de futuro”, afirma Campos.
Uma relação mais próxima da indústria com o campo
O modelo de integração é antigo na produção de aves e suínos no Brasil, mas a escala dos investimentos mostra como essa relação vem ganhando complexidade.
A indústria não compra apenas animais. Ela passa a interferir diretamente em aspectos como infraestrutura, genética, manejo, biosseguridade, alimentação e gestão da propriedade. Para o produtor, a vantagem está no acesso a tecnologia, assistência e maior previsibilidade comercial. Para a indústria, o ganho está na padronização e no controle de uma etapa fundamental da cadeia.
É uma relação de dependência mútua. A competitividade da indústria começa antes de o animal chegar ao frigorífico.
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