
Os aeroportos de Paulo Afonso e Lençóis, na Bahia, entram em uma nova fase de modernização com a mudança de gestão para a GRU Airport, concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos. A transferência coloca dois terminais estratégicos da aviação regional baiana no mesmo grupo que administra um dos maiores aeroportos do país e prevê intervenções para ampliar a capacidade operacional e adequar a infraestrutura às exigências da aviação comercial.
O movimento foi acompanhado na última sexta-feira (7) pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, durante visita técnica aos dois terminais. Mais do que uma mudança administrativa, a expectativa do governo é preparar as estruturas para uma possível ampliação da oferta de voos.
Em Paulo Afonso, a prioridade é recuperar a capacidade do aeroporto de atender à demanda regional. O terminal já opera voos diurnos e noturnos e possui uma pista de 1.800 metros por 45 metros. As intervenções previstas incluem melhorias na pista, no pátio de aeronaves e no sistema de balizamento noturno, além da requalificação e ampliação da estrutura.
A dimensão da pista, segundo o governo federal, permite a operação de aeronaves a jato. O problema passa a ser adequar o conjunto da infraestrutura para que o aeroporto possa receber operações comerciais dentro dos padrões exigidos.
“Não adianta a gente querer ter voo se não tem o aeroporto preparado para isso. Nosso papel agora é preparar a infraestrutura com o crescimento da aviação e do turismo da região”, afirmou Tomé Franca.
O ministro citou como objetivo a retomada de conexões com Salvador e São Paulo, além da preparação do terminal para receber voos comerciais.
Lençóis mira expansão do turismo
Em Lençóis, o impacto esperado está diretamente ligado ao turismo. O Aeroporto Coronel Horácio de Mattos é uma das principais portas de entrada aérea da Chapada Diamantina, região que reúne alguns dos principais destinos turísticos do interior baiano.
O terminal possui uma pista de 2.082 metros por 30 metros e atualmente recebe voos regulares duas vezes por semana, com ligações para Salvador e Confins, em Minas Gerais.
A modernização deverá ampliar a capacidade da estrutura para receber aeronaves maiores e melhorar as condições de embarque e desembarque.
“Se a gente tiver um aeroporto com capacidade de receber uma aeronave maior, um salão de embarque e desembarque com melhor capacidade e mais conforto, conseguimos alavancar o turismo para um novo patamar”, disse o ministro.
A avaliação é compartilhada pelo governo baiano. Para o secretário estadual de Infraestrutura, Saulo Pontes, a dimensão territorial da Bahia exige uma rede aeroportuária capaz de conectar regiões que estão distantes dos grandes centros.
O desafio é especialmente relevante para destinos turísticos do interior. A Chapada Diamantina tem demanda potencial, mas parte dela depende de uma logística aérea mais eficiente para reduzir o tempo de deslocamento entre Salvador, outros estados e os municípios da região.
O que muda com a GRU Airport
A entrada da GRU Airport na operação dos dois aeroportos faz parte do modelo adotado pelo governo federal para ampliar os investimentos na aviação regional.
A lógica é utilizar concessionárias que já administram grandes aeroportos para assumir também terminais regionais. Em contrapartida, são previstos mecanismos de reequilíbrio contratual para permitir que essas empresas realizem investimentos e adequações nas estruturas.
Na prática, isso leva para aeroportos menores uma capacidade de gestão e operação já desenvolvida em terminais de maior movimento.
Mas a mudança de gestão, por si só, não garante novos voos. A infraestrutura é apenas uma das condições necessárias. É preciso que haja demanda, disponibilidade de aeronaves, viabilidade econômica para as companhias aéreas e estrutura adequada nos terminais.
É justamente por isso que as obras previstas ganham importância. A ideia é eliminar restrições de infraestrutura antes de tentar ampliar a oferta comercial.
ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS
A modernização de Paulo Afonso e Lençóis representa dois desafios diferentes para a aviação regional baiana.
Em Paulo Afonso, o principal objetivo é reconstruir a conectividade aérea de uma região que funciona como polo para o norte da Bahia e áreas de estados vizinhos. Em Lençóis, a questão é ampliar a capacidade de uma infraestrutura que atende diretamente uma das regiões turísticas mais importantes do interior baiano.
Nos dois casos, existe uma variável em comum: não basta ter pista.
Para transformar aeroporto em vetor de desenvolvimento econômico, é preciso que a infraestrutura permita operações regulares, que as companhias encontrem condições para ampliar suas rotas e que o turismo consiga transformar a conectividade em ocupação, consumo e novos investimentos.
A entrada da GRU Airport pode ajudar a resolver a primeira parte dessa equação. O teste seguinte será saber se a modernização conseguirá gerar a segunda: mais voos e maior movimentação de passageiros.
Para a Bahia, o ganho potencial vai além do setor aéreo. Uma rede regional mais eficiente reduz distâncias, melhora o acesso a mercados e serviços e pode distribuir parte do fluxo turístico que hoje se concentra nos grandes destinos do litoral.
É aí que esses dois aeroportos deixam de ser apenas infraestrutura de transporte e passam a disputar um papel maior na economia regional.
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