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Capa Química & Petroquímica

Por que a indústria química entrou na disputa contra o tarifaço dos EUA

Abiquim vê riscos para a indústria química caso os EUA mantenham tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros

MARCELO SAMPAIO por MARCELO SAMPAIO
13/07/2026
em Química & Petroquímica
Tempo de Leitura: 4 minutos
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indústria química
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Selo Conteúdo original

A  proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros abriu uma nova frente de preocupação para a indústria química nacional. Nesta segunda-feira (13), a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) pediu formalmente ao governo americano que exclua os produtos químicos e petroquímicos da medida, argumentando que a taxação prejudicaria não apenas as exportações brasileiras, mas também a própria indústria dos Estados Unidos.

O tema tem peso especial para a Bahia, que abriga o Polo Industrial de Camaçari, um dos maiores complexos petroquímicos da América Latina e responsável por parcela significativa da produção nacional de químicos, resinas e intermediários industriais. Embora a eventual tarifa atinja exportações brasileiras para o mercado americano, seus efeitos podem se espalhar por toda a cadeia produtiva instalada no país.

Segundo a manifestação encaminhada pela Abiquim ao Office of the United States Trade Representative (USTR), a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos no setor químico é marcada pela complementaridade, e não pela concorrência direta. Em 2025, os Estados Unidos exportaram cerca de US$11,5 bilhões em produtos químicos para o Brasil, enquanto as vendas brasileiras ao mercado americano somaram aproximadamente US$2,1 bilhões, garantindo um superávit de US$9,4 bilhões para os norte-americanos.

Na avaliação da entidade, esses números demonstram que a aplicação de novas tarifas dificilmente corrigiria desequilíbrios comerciais. Pelo contrário, poderia elevar custos para fabricantes americanos que utilizam insumos produzidos no Brasil e reduzir a competitividade de setores como embalagens, saúde, higiene, construção civil, agricultura e indústria automotiva.

Outro argumento apresentado pela Abiquim diz respeito à concorrência internacional. De acordo com a associação, para 91,8% dos produtos brasileiros potencialmente afetados, a China já figura entre os fornecedores do mercado norte-americano. Na prática, restringir a entrada de produtos brasileiros poderia ampliar o espaço de empresas asiáticas, sem necessariamente beneficiar fabricantes dos Estados Unidos.

Bahia pode sentir os efeitos

Embora ainda não exista uma estimativa oficial para os impactos regionais, o setor acompanha a discussão com atenção. A indústria química e petroquímica está entre as atividades de maior peso na economia industrial baiana, tanto pela geração de empregos quanto pela participação nas exportações e pela integração com segmentos como plástico, fertilizantes, combustíveis, higiene, construção civil e indústria automotiva.

Uma eventual redução da competitividade das exportações brasileiras pode afetar investimentos, produção e planejamento das empresas que operam no Polo de Camaçari, especialmente em um momento em que a indústria busca ampliar mercados internacionais diante da desaceleração da demanda em algumas economias.

Negociação em vez de novas barreiras

Além de pedir a retirada dos produtos químicos da proposta tarifária, a Abiquim também solicitou que o setor fique fora da investigação paralela relacionada a alegações de trabalho forçado.

A entidade defende que Brasil e Estados Unidos aprofundem a cooperação por meio de uma agenda voltada à facilitação do comércio, convergência regulatória, inovação tecnológica e fortalecimento das cadeias produtivas, em substituição à adoção de novas barreiras comerciais.

“A parceria entre Brasil e EUA foi construída ao longo de décadas com base na integração industrial, nos investimentos e na confiança entre os dois países. Preservar esse ambiente de cooperação é fundamental para ampliar a competitividade, estimular novos investimentos e fortalecer cadeias produtivas que geram benefícios para empresas, trabalhadores e consumidores de ambos os lados”, diz André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim.

ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS

A preocupação da Abiquim vai além das exportações imediatas. O setor químico ocupa posição estratégica porque abastece praticamente toda a indústria de transformação. Quando seus produtos ficam mais caros ou perdem competitividade, o efeito tende a se espalhar por diferentes cadeias produtivas.

Para a Bahia, a discussão ganha importância adicional. O Polo de Camaçari reúne empresas que fornecem matérias-primas para diversos segmentos industriais e depende da previsibilidade das relações comerciais internacionais para manter investimentos e ampliar mercados. Em um cenário de crescente disputa geopolítica e reorganização das cadeias globais de suprimentos, medidas tarifárias podem produzir efeitos muito além das estatísticas do comércio exterior.

O QUE FICA DESSA HISTÓRIA

O debate sobre o tarifaço deixa claro que as disputas comerciais entre grandes economias não afetam apenas as empresas exportadoras. Em setores como o químico e o petroquímico, onde cadeias produtivas são altamente integradas, uma barreira tarifária pode alterar fluxos de comércio, reduzir competitividade e redirecionar investimentos. Para a Bahia, sede de um dos maiores polos petroquímicos do hemisfério sul, acompanhar essa negociação é mais do que uma questão diplomática: é uma agenda diretamente ligada ao futuro da indústria instalada no estado.


Leia também: Corrida pelo lítio avança em Minas: Atlas Lithium mira operação comercial em 2027

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Tags: AbiquimAssociação Brasileira da Indústria QuímicaBahiaBrasilCamaçariChinacombustíveisconstrução civildestaqueEstados Unidosfertilizanteshigieneindústria químicaplásticoPolo Industrial de Camaçari
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