O número de emissões de licenças ambientais para projetos de biometano em São Paulo cresceu mais de 235% entre 2024 e 2025, segundo levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), em meio à expansão dos investimentos em combustíveis renováveis e ao amadurecimento regulatório para esse tipo de empreendimento.
Nos últimos anos, a agenda do biometano avançou muito no Estado. Por meio da Resolução Conjunta Semil/SAA n° 001 / 2024, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) e a Cetesb, estabeleceram as diretrizes para a elaboração de normas procedimentais ao licenciamento ambiental. A partir dessas diretrizes, a Cetesb estruturou procedimentos técnicos específicos para o licenciamento dessas plantas, com critérios padronizados para avaliar etapas como a captação do biogás em aterros e estações de tratamento, os sistemas de purificação que transformam o gás em biometano e as formas de armazenamento e transporte do combustível.
A padronização também inclui parâmetros para controle de emissões, manejo de resíduos e segurança operacional, o que tornou a análise ambiental mais previsível e reduziu a necessidade de reavaliações técnicas ao longo do processo. Em números absolutos, 87 licenças para biogás e biometano foram emitidas pela Cetesb em 2025, ante 26 no ano anterior.
Os dados apontam para a interiorização dos investimentos. Apenas 6% das licenças estão concentradas na capital no ano passado, enquanto 94% se distribuem por municípios do interior e de outras regiões do estado. Ao todo, 81 cidades já concentram iniciativas ligadas à produção de biometano.
Setores
Entre os setores que mais demandam licenciamento ambiental estão os de resíduos sólidos e saneamento, responsáveis por 41,2% das licenças vigentes em 2025, o equivalente a 47 projetos voltados à geração de biocombustível a partir de resíduos urbanos e efluentes.
Para o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo, o avanço do setor também está associado à modernização dos processos de análise ambiental. “Conseguimos, com os procedimentos de biometano lançados em 2024 conectar regulação ao avanço das políticas públicas de descarbonização do Estado de São Paulo. Um direcionamento claro atrelado a tecnologia e gestão eficiente trouxe esse excelente resultado”, afirma.
Indústria acelera adoção do biometano
Grandes empresas começam a incorporar o biometano às suas operações industriais. Em Paulínia (SP), entrou em operação a OneBio, maior planta do país – e da América Latina – para produção do combustível renovável. Instalada no Ecoparque Paulínia, da Orizon (plataforma integrada de soluções sustentáveis para valorização de resíduos), a OneBio transforma o biogás gerado pela decomposição resíduos urbanos em biometano e tem capacidade de produzir até 225 mil m³ por dia, volume suficiente para abastecer mais de mil ônibus.
Em Cajamar (SP), a Natura passou a utilizar biometano em sua linha de produção, com uma de suas caldeiras operando com até 98% do seu abastecimento e consumo estimado de cerca de 600 m³ por dia.
Desta forma, aproximadamente 45% de toda a energia utilizada é de combustível renovável, que abastece 28 caminhões de transporte entre a fábrica e os centros de distribuição na maior operação da cosmética na América Latina. A projeção para 2026 é de consumo anual de 3,5 milhões de metros cúbicos de biometano, volume equivalente ao uso energético de cerca de 30 mil residências.
Plantas em São Paulo
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), São Paulo já conta com nove plantas de biometano autorizadas, com capacidade de produção de cerca de 755 mil m³ por dia. Mais de sete unidades estão em fase de autorização e podem elevar esse volume de 1 milhão m³ diários até dezembro de 2026.
Com potencial estimado em até 6,4 milhões de m³ por dia, o estado desponta como um dos principais polos de produção de biometano do país, como aponta o estudo contratado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), com apoio técnico e institucional da Semil. O combustível renovável, obtido a partir da purificação do biogás gerado por resíduos orgânicos e efluentes, vem sendo apontado como alternativa para reduzir emissões em setores intensivos em energia, como a indústria e o agronegócio.
Para a secretária da Semil, Natália Resende, o crescimento expressivo no número de licenças para projetos de biometano reflete o esforço do Estado em criar um ambiente regulatório claro e previsível para novos investimentos. “Ao estabelecer diretrizes e procedimentos específicos para o licenciamento, conseguimos dar mais segurança jurídica aos empreendedores e acelerar a implantação de projetos que contribuem para a transição energética”, explicou a secretária Natália Resende.
“A expansão da cadeia do biogás e do biometano também reforça uma tendência de economia circular, ao transformar resíduos e efluentes, tradicionalmente vistos como passivos ambientais, em fonte de energia e insumo para a transição energética”, acrescenta Toledo.
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