Após nove meses consecutivos de retração na comparação anual, a indústria de materiais de construção voltou a crescer em março. Segundo o Índice Abramat, o faturamento deflacionado do setor avançou 3,1% em relação a fevereiro, com ajuste sazonal, e registrou alta de 1,6% frente ao mesmo mês de 2025, interrompendo a sequência de nove quedas consecutivas observada ao longo do último ano.
O resultado reforça um movimento de recomposição da atividade iniciado no mês anterior. Dados revisados de fevereiro indicam alta de 1% na comparação com janeiro, também com ajuste sazonal, embora ainda com queda de 6,4% na comparação anual, evidenciando um ambiente que segue pressionado.
Mesmo com a melhora recente, os indicadores acumulados mostram que a recuperação ainda não está consolidada. No acumulado do ano, o faturamento registra queda de 4,0%, enquanto o resultado em 12 meses aponta retração de 3,3%.
O desempenho de março foi puxado principalmente pelos materiais básicos, que cresceram 5,1% na comparação mensal e 2,5% na anual. Já os materiais de acabamento apresentaram avanço mais moderado, com alta de 1,1% frente a fevereiro e de 0,2% em relação a março de 2025.
A leitura do setor é de que o resultado reflete uma recomposição parcial da atividade, ainda sem caracterizar uma tendência consolidada de crescimento.
Índice Abramat é um estudo mensal que acompanha o desempenho do faturamento deflacionado da indústria de materiais de construção, com base em dados oficiais, pesquisas com associados e metodologia desenvolvida pela Ecconit
Projeção
Mesmo nesse contexto, a Abramat mantém projeção de crescimento de 1,9% para 2026, sustentada pela gradual redução das taxas de juros e pela continuidade de programas habitacionais.
Para o presidente executivo da Abramat, Paulo Engler, o resultado positivo de março ainda não incorpora os efeitos recentes do cenário internacional, que podem influenciar o desempenho do setor nos próximos meses.
“O resultado de março mostra uma recuperação pontual, após uma sequência de quedas, mas ainda não reflete os desdobramentos do cenário internacional. A escalada do conflito no Oriente Médio tende a pressionar custos de insumos relevantes, como aço e cimento, o que pode impactar a atividade da construção e o desempenho da indústria nas próximas leituras”, afirma.
Segundo ele, esse movimento também pode influenciar o ambiente macroeconômico doméstico. “Esse contexto pode contribuir para a manutenção de uma taxa de juros elevada por mais tempo, o que afeta o crédito e a dinâmica do setor. Por isso, seguimos com uma visão de cautela, apesar da projeção de crescimento moderado para o ano”, completa.
A evolução do setor ao longo de 2026 seguirá condicionada ao comportamento da política monetária, à estabilidade do ambiente externo e ao avanço de programas de estímulo à construção.
Apesar da retomada observada em março, o setor ainda opera em um cenário de recomposição, com sinais de melhora que dependem de consolidação nos próximos meses.
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