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Capa Memória da Indústria
Ford Camaçari

A fábrica da Ford, em Camaçari, foi a primeira de uma montadora na Região Nordeste do País (Foto: Alberto Coutinho/GOVBA)

Linha de montagem interrompida: o legado e o vazio da Ford na Bahia

Com produção automatizada e milhares de empregos, montadora marcou época antes de encerrar operações em meio à pandemia de Covid-19

GERALDO BASTOS por GERALDO BASTOS
28/04/2026
em Memória da Indústria
Tempo de Leitura: 6 minutos
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Memória da Indústria

Era outubro de 2001. Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, recebia uma das maiores plantas industriais já construídas fora do eixo Sul-Sudeste do Brasil. Com um investimento de US$1,2 bilhão, a Ford inaugurava ali o que seria, por duas décadas, o maior orgulho da indústria baiana. Primeira fábrica de veículos instalada em um estado do Nordeste, a unidade de Camaçari tornou-se um marco na diversificação da indústria baiana, tradicionalmente voltada à fabricação de matérias-primas  – caso das unidades do Polo Petroquímico –  ou produtos de baixo valor agregado. Para a Bahia, era uma virada histórica. Para quem trabalhava lá, era,  como muitos disseram anos depois, “uma segunda família”.

A história dessa conquista, porém, começa no Sul. Inicialmente previsto para ser instalado no Rio Grande do Sul, o projeto da nova fábrica da Ford foi suspenso em abril de 1999, quando o governador Olívio Dutra (PT) rompeu o contrato que havia assinado com a montadora no ano anterior. A recusa de Dutra gerou enorme polêmica. Na época, o petista foi vilipendiado como o governador que “expulsou” a Ford. Anos depois, sua profecia – “o dia que achar que o Brasil não serve mais, vai embora e não dá nem tchau” – se provaria certeira. Mas, naquele momento, a Bahia enxergou a janela e entrou de cabeça.

A sedução foi calculada e agressiva. Com um pacote robusto – terrenos, benefícios fiscais, qualificação de mão de obra, fornecimento de energia elétrica, água potável e gás natural, melhoria do sistema viário de acesso  e estrutura logística, incluindo porto –  o estado “seduziu” a montadora e mudou seu próprio destino industrial. Conforme registrou o jornal Folha de S.Paulo na época, o estado ofereceu um “porto seguro” para os bilhões de dólares que mudariam o PIB baiano.

No campo político, o então presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (ACM), usou todo o seu peso.  Sob seu comando, foi aprovada uma lei ampliando o prazo para habilitação das montadoras ao regime automotivo especial para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A emenda, que ficou conhecida como “emenda Ford”, possibilitava uma renúncia fiscal de R$700 milhões por ano. A pressão dos baianos acabou acirrando os atritos entre ACM e o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que acabaria sendo representado pelo vice Marco Maciel na inauguração da fábrica. A política também foi parte da máquina.

Reportagem publicada pelo jornal Correio da Bahia no início das operações da Ford em Camaçari

Reportagem publicada pelo jornal Correio da Bahia no início das operações da Ford em Camaçari

Prodígio tecnológico

A fábrica que nasceu ali era, para os padrões da época, um prodígio tecnológico. O complexo operava com um modelo de produção sincronizado, sem estoques de peças, com 26 fornecedores instalados dentro do próprio complexo. Era o chamado regime de sistemistas, uma novidade no Brasil, em que dezenas de empresas parceiras produziam componentes em tempo real, integradas à linha de montagem principal.

A automação era igualmente impressionante: em seu auge, a planta produzia um carro a cada 80 segundos, em três turnos, com capacidade para até 250 mil unidades por ano –  e era capaz de produzir até cinco modelos diferentes simultaneamente. Em 2014, viria ainda a inauguração de uma fábrica de motores, a primeira do Nordeste, completando o ecossistema industrial.

O primeiro carro a sair das linhas de Camaçari foi o Novo Fiesta, em 2002, batizado internamente como parte do “Projeto Amazon”. O lançamento estreou no segmento de compactos premium e vendeu 50.000 unidades em apenas seis meses. Logo depois viria o filho mais famoso da fábrica baiana: o EcoSport. Apresentado no Salão do Automóvel de 2002 e lançado em abril de 2003, o modelo chegou às concessionárias e teve fila de espera já no primeiro ano, com cerca de 30 mil unidades vendidas.

Curiosamente, o EcoSport nasceu de um rabisco feito num guardanapo de restaurante, em 1996, pelo engenheiro-chefe da Ford, Luc de Ferran,   o mesmo responsável por conceber o sistema de produção de Camaçari. Na soma das duas gerações, o EcoSport chegou a mais de 1,2 milhão de unidades produzidas em Camaçari, sendo vendido em mais de 150 países. O SUV compacto que nasceu no Nordeste brasileiro conquistou o planeta.

Impacto social e econômico

O impacto social e econômico era proporcional à grandiosidade da fábrica. No seu auge, a Ford era uma cidade dentro da cidade. O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari estimava que a fábrica gerava 12 mil empregos diretos –  5 mil da própria Ford e 7 mil nas sistemistas – e outros 60 mil postos indiretos. Ao longo de duas décadas, a Ford puxou para a Bahia fábricas de pneus como Bridgestone e Continental, além de centenas de fornecedores de médio e pequeno porte. O município de Camaçari, o estado da Bahia e dezenas de famílias construíram seus projetos de vida à sombra daquela chaminé.

O impacto econômico era brutal: a montadora chegou a representar uma fatia de dois dígitos no Valor de Transformação Industrial (VTI) da Bahia. Era o orgulho de uma mão de obra qualificada em centros técnicos criados especificamente para atender à precisão exigida pela engenharia americana.

Pandemia e fechamento

Os primeiros sinais de problema, porém, vieram antes da pandemia. A crise da indústria automotiva global, a queda nas vendas no mercado brasileiro após 2014, o encolhimento da capacidade produtiva e os sucessivos anos de prejuízo já colocavam a viabilidade da operação em xeque. Em 2019, a Ford já havia encerrado sua fábrica em São Bernardo do Campo.

A pandemia de Covid-19, em 2020, foi o golpe final: ampliou a capacidade ociosa e derrubou ainda mais as vendas. No dia 11 de janeiro de 2021, a montadora anunciou o encerramento de todas as suas operações  fabris no Brasil. As instalações, antes pulsantes, tornaram-se monumentos de silêncio da noite para o dia.  A empresa previu despesas decorrentes da decisão na ordem de US$4,1 bilhões, dos quais aproximadamente US$1,6 bilhão relacionado ao impacto contábil de créditos fiscais, depreciação e amortização de ativos,  incluindo incentivos concedidos pelo governo da Bahia.

O setor produtivo baiano entrou em estado de choque. Em frente à fábrica, metalúrgicos choraram. Na imprensa, a pergunta era uma só: como um projeto tão grande pôde terminar assim? O pós-Ford foi, inicialmente, de incerteza. O complexo, que já havia sido um símbolo de modernidade, tornou-se um vazio. Trabalhadores precisaram se reinventar, fornecedores buscaram novos mercados e o governo correu para evitar um colapso mais amplo.

Conta salgada

A conta do adeus foi salgada para o estado. Calcula-se que a Bahia renunciou cerca de R$20 bilhões em incentivos fiscais ao longo das duas décadas de operação da Ford. O impacto imediato da saída foi estimado em cerca de R$5 bilhões na economia estadual. Críticos lembraram que o ex-governador gaúcho Olívio Dutra – atacado por anos por ter recusado as exigências da montadora –  havia previsto exatamente aquele desfecho. A história, enfim, o absolveu.

O epílogo, porém, tem ares de renascimento. Em outubro de 2023, Ford e governo da Bahia assinaram o contrato de transação para reversão da fábrica ao Estado, permitindo a utilização imediata do imóvel. O espaço que um dia abrigou o Fiesta e o EcoSport passou a receber a BYD, montadora chinesa líder global em veículos elétricos, e a primeira do segmento a se instalar no Brasil.

Pouco mais de dois anos após comprar as instalações, a BYD inaugurou sua fábrica em Camaçari, de onde saem carros puramente elétricos e híbridos. O mesmo chão que conheceu a revolução dos compactos nacionais nos anos 2000 agora protagoniza a revolução elétrica.

A Ford na Bahia deixa uma lição sobre a volatilidade das cadeias globais, mas também sobre a capacidade do estado em se posicionar no xadrez econômico. O “azul” da Ford deu lugar ao “verde” da BYD, mas a história de Camaçari como coração industrial do Nordeste permanece viva, escrita em cada chapa de aço que cruzou aquele portão.


MEMÓRIA DA INDÚSTRIA é um projeto editorial dedicado a contar as histórias das indústrias que ajudaram a construir a economia da Bahia, moldaram cidades, geraram empregos e deixaram marcas que resistem ao tempo – mesmo depois do fechamento de suas portas. Aqui, o foco não está apenas nos números, mas no impacto humano, urbano e econômico dessas empresas. Cada texto busca equilibrar memória afetiva, dados concretos e análise histórica, mostrando por que essas indústrias foram relevantes e o que a Bahia perdeu – ou aprendeu – com o fim de cada ciclo produtivo.

Tem informações e imagens sobre fábricas antigas de Salvador e de outros municípios da Bahia? Compartilhe com a gente: redacao@industrianews.com.br


Leia também: Bahia ganha eletroposto gigante e mira liderança na mobilidade elétrica

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Tags: BahiaBridgestoneBYDCamaçariContinentaldestaqueFord
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