A Associação Baiana de Energia Solar Fotovoltaica (ABS) lançou o Censo ABS 2026, iniciativa que pretende mapear o mercado de energia solar no estado e ampliar a base de informações sobre um setor que cresce rapidamente na Bahia. O levantamento, apresentado em evento em Salvador, reunirá dados sobre número de empresas, empregos, investimentos e desafios enfrentados pelo segmento fotovoltaico. O formulário ficará disponível até 3 de abril e poderá ser respondido por empresas associadas ou não à entidade.
Em entrevista ao programa Webinar da Indústria, o presidente da entidade, Marcos Rêgo, afirmou que ainda há lacunas relevantes de informação sobre o setor no estado. Segundo ele, estima-se que existam entre 2 mil e 2,5 mil empresas atuando com energia solar na Bahia, mas sem dados consolidados sobre perfil empresarial, geração de empregos ou estrutura técnica dessas companhias.
Os números disponíveis indicam um mercado já expressivo. De acordo com Rêgo, a Bahia soma cerca de 2,3 gigawatts (GW) de geração distribuída, espalhados por aproximadamente 260 mil sistemas instalados, principalmente em telhados de residências e empresas. Apesar da expansão, o dirigente avalia que o potencial de crescimento ainda é amplo, já que menos de 5% das unidades consumidoras do estado possuem sistemas de geração própria.
O executivo também destacou desafios estruturais do setor, entre eles limitações da rede elétrica e o chamado curtailment – cortes na geração de usinas maiores devido à falta de capacidade de transmissão. Para ele, o avanço da energia solar no país exige planejamento de longo prazo, com investimentos em infraestrutura e políticas públicas voltadas ao armazenamento de energia e à integração com novas tecnologias, como a eletromobilidade.

Reforma tributária
Outro ponto de atenção é a reforma tributária, que começa a ser implementada gradualmente nos próximos anos. Segundo Rêgo, empresas do setor – muitas enquadradas no Simples Nacional – ainda buscam compreender como as novas regras de tributação, com a criação do IBS e da CBS, poderão afetar custos e estratégias de negócio. Sem planejamento tributário adequado, alerta, há risco de aumento de custos ao longo da cadeia produtiva.
Na avaliação do presidente da ABS, apesar dos desafios regulatórios e estruturais, o potencial energético da Bahia segue como um diferencial estratégico. “A Bahia tem todas as condições de se tornar o coração energético do Brasil”, afirmou. Para ele, a combinação de alto índice de radiação solar, grande disponibilidade de áreas e expansão da geração distribuída coloca o estado em posição privilegiada na transição energética e na consolidação da economia verde no país.
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