A Eneva deu mais um passo relevante na reorganização do seu portfólio e na estratégia de expansão em gás natural. Em fato relevante divulgado nesta quinta-feira (26), a companhia anunciou a venda integral de Pecém II para a Diamante Geração de Energia, além de um acordo para viabilizar a construção de um terminal de GNL no Ceará.
A operação envolve 100% do capital da Pecém II, cujo principal ativo é a UTE Porto do Pecém II, usina termelétrica a carvão com capacidade instalada de 365 MW, localizada em São Gonçalo do Amarante (CE). O ativo foi avaliado em R$872,3 milhões, com possibilidade de pagamento adicional de até R$149 milhões, condicionado a metas contratuais.
Segundo o diretor financeiro e de Relações com Investidores da Eneva, Marcelo Habibe, a transação reforça o movimento estratégico da companhia. “A operação está alinhada ao nosso planejamento e representa um reposicionamento do portfólio, com foco em ativos mais aderentes à estratégia de crescimento da Eneva”, afirma o exeutivo, no fato relevante.
GNL
A venda ocorre em paralelo a um movimento mais amplo: a companhia garantiu o direito de implantação de um terminal de importação, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) no Complexo do Pecém. A estrutura terá capacidade de escoamento de até 14 milhões de m³ por dia e será peça-chave para o desenvolvimento do chamado “Hub Ceará”.
“O terminal de GNL é um ativo estruturante. Ele não apenas assegura o suprimento para os projetos já contratados, mas também amplia nossa flexibilidade para novos negócios e expansão da comercialização de gás natural”, destaca Habibe.
O projeto está diretamente conectado às usinas Jandaia II e Jandaia III, que somam 1.199,4 MW de capacidade e foram contratadas no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026, com início de fornecimento previsto para 2029.
Na prática, a Eneva troca um ativo térmico a carvão – com contratos até 2028 – por uma plataforma de crescimento baseada em gás natural, mais alinhada às tendências de transição energética e à expansão do mercado livre de gás no Brasil.
A conclusão da venda ainda depende de condições precedentes, incluindo aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A Eneva
A Eneva é a maior operadora privada de gás natural do Brasil e uma empresa integrada de energia, com atuação desde a exploração, produção e comercialização de gás e líquidos, até a geração e comercialização de energia elétrica, oferecendo soluções customizadas para os mercados brasileiros de energia e gás natural na malha e fora da malha.
Atualmente, a empresa administra 38 ativos em 4 bacias sedimentares de nova fronteira, sendo 16 blocos exploratórios e 12 campos na bacia sedimentar do Parnaíba; 3 blocos exploratórios, 1 campo e 1 área de acumulação marginal na bacia sedimentar do Amazonas; 1 área de acumulação marginal na bacia sedimentar do Solimões; e 4 blocos exploratórios na bacia sedimentar do Paraná.
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